Skip to main content
Data center
Data center | Crédito: Canva

O mercado brasileiro de data centers pode dobrar de tamanho até 2030, mas boa parte da nova capacidade já está sendo contratada antes mesmo de ficar pronta. Dos 660 MW que estão em construção no país, 56% já estão pré-locados, segundo levantamento da JLL.

O cenário mostra que a expansão da infraestrutura acompanha uma demanda forte. A ocupação dos data centers chegou a 96% no primeiro semestre, deixando uma taxa de vacância de 4% para novos clientes. A JLL afirma que a baixa disponibilidade deve continuar até 2030, mesmo com a chegada de novos projetos.

O relatório indica que a infraestrutura brasileira vem crescendo rapidamente. Desde 2012, a capacidade instalada aumentou mais de seis vezes, com crescimento médio anual de 15%. No primeiro semestre deste ano, o país recebeu 106 MW de nova capacidade, o maior volume registrado pela JLL.

E a expansão deve continuar. Outros 134 MW estão previstos para entrar em operação no segundo semestre de 2026. Com isso, as entregas de novos data centers devem terminar o ano em níveis recordes, segundo a consultoria.

Impacto da IA

A JLL aponta a demanda por cloud e inteligência artificial (IA) como um dos motores da expansão do setor. Nesse mercado, os chamados hyperscalers — grandes empresas de tecnologia que precisam de enormes volumes de capacidade computacional — são os principais clientes dos data centers alugados.

Essas empresas estão combinando duas estratégias: alugar espaço em data centers de outras companhias e construir suas próprias instalações. A capacidade alugada por hyperscalers cresceu 64% desde 2025, de acordo com o levantamento.

Destaque para São Paulo

A maior parte da capacidade brasileira continua concentrada em São Paulo, Barueri e Campinas. No primeiro semestre, São Paulo e Barueri tinham 316 MW em operação, enquanto Campinas somava 269 MW. Rio de Janeiro tinha 73 MW e Fortaleza, 19 MW.

Um levantamento do Maravalley, hub de inovação do Rio de Janeiro, mapeou 169 data centers no país, sendo 132 já em operação. Do total, o estado de São Paulo concentra a maior parte, com 76 unidades, distribuídas por cidades como Osasco, Barueri e Santana de Parnaíba, além da capital paulista. O Rio de Janeiro aparece em seguida, com 19.

Apesar da concentração em São Paulo, a JLL aponta Fortaleza como um importante mercado emergente. A cidade tem uma posição estratégica na rede de cabos submarinos que conecta o Brasil à América do Norte, à Europa e à África, infraestrutura que a consultoria considera uma vantagem para o mercado brasileiro. O estudo do Maravalley contabiliza nove unidades no Ceará.

Novos concorrentes

A expansão do mercado começa a mudar a disputa entre as empresas que operam data centers. Ascenty, Odata e Scala concentram 70% da capacidade atualmente em operação, segundo a JLL.

Ao mesmo tempo, novos operadores estão entrando no mercado com projetos de grande escala. Empresas que já atuam no país também estão ampliando suas instalações. Com novos projetos previstos para Barueri no segundo semestre, a Scala deverá assumir a posição de maior operadora do Brasil em capacidade, de acordo com a consultoria.

O avanço, porém, pode enfrentar obstáculos. A JLL cita infraestrutura de energia, cadeia de fornecedores e atrasos nas obras como fatores que podem afetar os prazos de entrega dos novos projetos.

O post Brasil pode dobrar capacidade de data centers até 2030, aponta JLL apareceu primeiro em Startups.