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Foto mostra Mourad Jaakou, gerente geral da plataforma Amplify e CAIO da Axway, e Marcelo Ramos, CEO da Axway para a América Latina, lado a lado em um layout dividido diagonalmente; ambos sorriem e usam trajes formais.

A relevância do Brasil para a Axway vai muito além do peso econômico. Ainda que seja o principal mercado para a companhia francesa na América Latina, o País desempenha também a função de um verdadeiro laboratório de inovação da organização, exportando soluções para outras regiões.

A importância da operação nacional para a empresa, que atua com soluções de integração de dados e gestão de APIs, foi defendida por Mourad Jaakou, gerente-geral da plataforma Amplify, da Axway, em entrevista ao IT Forum durante uma visita ao Brasil. “O Brasil está sempre um passo à frente das outras regiões. O Pix é um exemplo claro: enquanto a Europa começa a discutir algo semelhante, o sistema brasileiro já está consolidado”, pontuou.

A menção ao sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central não é por acaso: apesar de, hoje, ter um portfólio diversificado de clientes, o setor financeiro ainda é um dos mais estratégico para a Axway. No ano passado, por exemplo, a Axway realizou a aquisição da Sopra Banking Software (SBS) por € 330 milhões. Além de dobrar o tamanho da operação global da Axway, a negociação reforçou a atuação da companhia, agora parte da holding 74Software, em áreas como open banking.

Com a tradição de inovação financeira do Brasil, a operação local tornou-se uma vitrine tecnológica para o restante do grupo. “Nós criamos aqui referências que inspiram clientes de outras regiões. Recebemos solicitações de colegas da Europa e da América do Norte para que seus clientes conversem com empresas brasileiras e aprendam com o que elas vêm fazendo há anos”, disse Marcelo Ramos, CEO da Axway para a América Latina.

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A Axway mantém uma o que chama de uma estratégia de “engenharia distribuída”, com equipes de pesquisa e desenvolvimento espalhadas por América do Norte, Europa, Ásia e América Latina. O modelo permite que a empresa acompanhe demandas regionais de perto e incorpore rapidamente inovações dediferentes mercados. “Ter centros de desenvolvimento em vários países nos ajuda a sentir as tendências antes que elas se consolidem. Assim, podemos antecipar as necessidades dos nossos clientes”, explicou Jaakou.

Foi no Brasil, por exemplo, que a empresa desenvolveu sua solução de open banking, posteriormente adotada globalmente. “No Brasil, somos obrigados a fazer mais com menos. Isso nos força a ser criativos, rápidos e a testar novas ideias”, disse Ramos. “Temos mais de 220 milhões de pessoas em um mercado altamente digitalizado, o que dá escala às soluções.”

Entre os clientes da companhia no País estão nomes como Natura, Porto, Embraer, Votorantim, Bradesco, Itaú e B3. Um dos exemplos bem-sucedidos que é destacado pelo líder da operação regional é o da a Sem Parar. A empresa de pagamentos automáticos utiliza hoje diferentes tecnologias do portfólio da Axway para integrar sistemas de múltiplos parceiros – como concessionárias de rodovias, postos de combustível e shoppings –, cada um com níveis distintos de maturidade tecnológica e de risco.

Essa infraestrutura garante que as transações, que variam de pequenas tarifas de pedágio a abastecimentos de alto valor, ocorram de forma segura e contínua. “A Sem Parar é um showroom das nossas soluções, porque combina APIs, transferência de dados e integração B2B em um único ecossistema”, avaliou.

Estratégia de IA avança na Axway

Além do crescimento puxado por inovações surgidas a partir de projetos regionais, a inteligência artificial (IA) generativa também é uma prioridade na pauta da evolução dos produtos e processos da companhia. Para liderar essa agenda global, Jaakou assumiu no último mês o cargo de Chief AI Officer (CAIO).

Na função, tornou-se responsável por alinhar todas as áreas da empresa em torno de uma visão única de IA, integrando pesquisa, desenvolvimento e operação. A missão, disse o executivo, é transformar a IA em um componente estrutural da estratégia corporativa da Axway, não apenas em uma ferramenta de eficiência para clientes.

Na prática, a organização tem voltado sua atenção não apenas para as grandes oportunidades da tecnologia, mas em como superar desafios significativos que ela traz para clientes. Entre eles, pontuou Jaakou, estão o controle de custos – já que os modelos de negócio baseados em consumo de tokens tendem a crescer rapidamente – e a necessidade de governança e segurança sobre os dados utilizados pelos agentes de IA.

“As empresas precisam de mecanismos para acompanhar o consumo, evitar acessos indevidos e garantir que os resultados sejam confiáveis”, afirmou. Para enfrentar esses desafios, a Axway lançou o AI Gateway, camada de integração e controle que permite conectar agentes de IA aos sistemas corporativos existentes de forma segura.

A solução suporta novos protocolos de comunicação, como o MCP (Model Context Protocol), da Anthropic, e busca oferecer às empresas visibilidade, governança e gestão de custos em ambientes complexos. “Assim como fizemos no passado com as APIs, queremos ajudar nossos clientes a escalar a IA generativa com segurança e eficiência”, disse.

A expectativa, segundo o executivo, é que a adoção dessa tecnologia ocorra de forma muito mais rápida do que a das APIs – “em meses, não em anos” –, abrindo novas oportunidades para a Axway como parceira na transformação digital orientada por IA.

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