
A Broadcom voltou ao centro das atenções em Wall Street. As ações da companhia dispararam mais de 10% nesta segunda-feira (24/11), impulsionadas pelo entusiasmo renovado dos investidores com empresas diretamente ligadas ao avanço da inteligência artificial. O movimento ocorre em paralelo ao salto das ações da Alphabet, que retornaram à trajetória de alta à medida que o mercado reforça apostas na estratégia de IA da empresa.
O interesse por Broadcom não é novo, mas ganhou uma camada extra de tração com a dinâmica envolvendo os ASICs, chips personalizados de alta performance, desenvolvidos em parceria com o Google. A big tech é uma das principais clientes da Broadcom nessa categoria, utilizando esses componentes no desenho e fabricação das Tensor Processing Units (TPUs), processadores usados para treinar e operar modelos avançados de IA e considerados rivais diretos das GPUs da Nvidia em cargas de trabalho intensivas.
A forte procura por capacidade computacional para modelos multimodais e agentes de IA tem elevado as projeções de especialistas para os resultados da Broadcom. Casas como Melius Research e Jefferies revisaram suas expectativas para a empresa, citando o amadurecimento da parceria com o Google e o crescimento acelerado no volume de dados processados pelas plataformas de IA da Alphabet.
Analistas ressaltam que as TPUs, agora em sua sétima geração, deixaram de ser apenas um projeto de longo prazo para se consolidarem como um motor real de receita tanto para o Google quanto para a Broadcom. Fontes do mercado avaliam que o desenho inicial da arquitetura, iniciado em 2016, começa a gerar retornos significativos com a evolução da demanda por chips dedicados e com a intensificação da corrida por eficiência energética e desempenho em sistemas de IA generativa.
Aposta crescente no pipeline de IA
O interesse de investidores foi reforçado pela sequência de anúncios recentes da Alphabet, que incluem o modelo Gemini 3, a nova TPU “Ironwood”, avanços em geração de imagens com Nano Banana Pro e a plataforma de agentes Google Antigravity. Esses desenvolvimentos ampliam a necessidade por chips sob medida, área em que a Broadcom se tornou peça essencial dentro do ecossistema de IA do Google.
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Para o mercado, o momento marca uma espécie de redescoberta do potencial dos ASICs. Analistas afirmam que a adoção tende a acelerar entre 2026 e 2027, refletindo a curva crescente de tokens processados mensalmente pelas plataformas da Alphabet e o salto na complexidade dos modelos.
Um rali que sinaliza confiança
A valorização acumulada da Broadcom no ano, acima de 60%, segundo a CNBC, consolida a empresa como uma das protagonistas da temporada de ganhos no setor de tecnologia. Com o avanço recente, o papel tornou-se o melhor desempenho do índice XLK, que reúne companhias de tecnologia do S&P 500.
Já a Alphabet, que registrou alta de mais de 20% no último mês, puxa o movimento das “Magnificent Seven” e tem contribuído para o bom humor do mercado em meio ao ciclo de retomada do apetite por risco na área de IA.
Segundo especialistas ouvidos pela CNBC, o cenário representa apenas a fase inicial de um ciclo mais amplo de transformação, no qual chips personalizados desempenham papel central. A parceria Broadcom–Google, apontam fontes, tende a se expandir, abrindo espaço para ganhos adicionais no segmento de IA à medida que novos modelos e aplicações chegam ao mercado.
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