
Um ano depois da criação do chamado Crédito do Trabalhador – ou o crédito consignado privado –, a fintech Bull está ampliando a aposta nessa modalidade, por meio de uma parceria com a DM, grupo de serviços financeiros especializado em gestão de crédito. A ideia é ampliar a oferta para mais canais, como lojas físicas e WhatsApp.
Iniciada em setembro, a parceria já originou mais de R$ 7 milhões em empréstimos e formalizou 1.300 contratos. Agora, o objetivo é movimentar R$ 200 milhões no ano.
O consignado privado facilitou o acesso a essa modalidade de crédito com desconto em folha de pagamento a trabalhadores de carteira assinada, abrindo um novo mercado para as fintechs de crédito. Depois dos primeiros meses, os resultados mostram que essas linhas de crédito foram bem recebidas no mercado: o consignado privado quase dobrou em 2025, saltando de R$ 40,9 bilhões em fevereiro para R$ 71,1 bilhões em novembro, segundo dados do Ministério do Trabalho.
Segundo Juliana Freitas, CEO da Bull, a parceria começou em modo piloto e vem sendo expandida gradualmente, conforme o produto vem sendo consolidado. “O que a gente vai fazer agora é ampliar a oferta do produto em todos os seus canais”, aponta em entrevista ao Startups.
A iniciativa une a base de clientes e a força comercial da DM com a tecnologia da Bull, que cuida da plataforma, das integrações com sistemas trabalhistas e da liberação do dinheiro. Nesse modelo, o capital para os empréstimos vem de instituições financeiras parceiras, enquanto a Bull atua como infraestrutura e operação do crédito. Na prática, a parceria quer ganhar escala no consignado privado apostando em menor inadimplência e taxas mais competitivas para os trabalhadores.
Até agora, o foco esteve em ajustar produto e jornada do cliente, com testes concentrados em canais mais controlados. Agora, a estratégia passa por destravar novas frentes de distribuição para acelerar o crescimento ao longo do ano. Com isso, a DM pretende levar a oferta do consignado privado também para canais como lojas físicas e WhatsApp.
A estratégia leva em conta que o consignado privado vem ganhando espaço como um modelo de crédito mais “seguro” para o trabalhador, especialmente para clientes das classes C, D e E. Além do desconto direto em folha, que reduz o risco de inadimplência, há também um limite de comprometimento de renda até 35%, o que traz mais previsibilidade e ajuda a evitar o endividamento desorganizado.
Na operação atual, os indicadores da base da DM ajudam a ilustrar o perfil desse crédito: o ticket médio é de R$ 3.159, com taxa média de 4,91% ao mês e prazo médio de 19 meses. “É um produto com taxas mais competitivas e mais previsibilidade, o que faz diferença para um público que ainda tem pouco acesso a crédito”, reforça Leticia Mara, diretora de produtos da DM.
Com novas parcerias, Bull quer gerar R$ 1B em crédito
Para sustentar a meta mais ambiciosa de 2026, a Bull aposta na expansão de parcerias no modelo já testado com a DM. A estratégia é replicar a operação com outras empresas que tenham grande base de clientes pessoa física e interesse em ofertar crédito consignado de forma mais ágil. Hoje, a fintech já conta com cerca de 10 clientes ativos nesse formato, incluindo empresas dos setores financeiro, varejista e de benefícios, como Recarga Pay, Pefisa e NG.Cash.
Além disso, o pipeline segue aquecido. Ainda segundo Juliana, outros 10 parceiros estão em fase avançada de negociação e devem entrar na base nos próximos 30 a 60 dias. A expectativa é que esse ritmo de novos contratos, somado ao crescimento dentro da base atual, sustente o avanço no volume de crédito originado ao longo do ano.
O foco está principalmente em empresas como financeiras, varejistas com braço financeiro, fintechs e companhias de benefícios, ou seja, negócios que já têm relacionamento direto com o consumidor final. A ideia é usar essas bases para escalar a oferta de crédito CLT de forma mais simples.
Além da parceria com a DM, a Bull tem planos mais amplos para o ano. A fintech projeta originar R$ 1 bilhão em crédito em 2026, considerando todas as parcerias que estão sendo estruturadas, e não apenas a operação com a DM, meta ancorada na expansão de acordos com empresas que tenham grande base de clientes.
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