Skip to main content

Carmela Borst, da Soul Code, sorridente sentada em um sofá azul, usando blusa estampada colorida e calça branca

Antes mesmo de empreender, Carmela Borst já trabalhava com propósito. Ainda em seu primeiro emprego, em uma startup de numeração de códigos de barras nos anos 90, sua maior preocupação era ensinar os pequenos negócios a se adaptarem o mais rápido possível às transformações digitais.

“O que eu mais queria era convencer a pequena empreendedora, que vendia bala de coco, do que significaria para ela usar um código de barras. Porque a grande indústria sempre se adapta”, conta.

Foi nessa época também que a empresária começou a lidar com dados e a ensinar sobre eles. A ocupação parecia um prenúncio do que estava por vir, com a criação da SoulCode, sua startup de educação, que leva conhecimento e formação em tecnologia para “pessoas não óbvias”, como ela mesma diz.

São intersecções como essa em sua trajetória profissional que a inspiraram em seu lema de vida: “Tudo termina como começa”. Neste caso, a expressão pode ser até literal, já que a empreendedora aprendeu sobre causas sociais em casa.

Filha de uma mãe nordestina divorciada e de um pai paulistano, Carmela descobriu cedo o preconceito e a xenofobia, reconhecendo os tratamentos diferentes que recebia no mercado de trabalho. Mas também foi nesse lar que aprendeu a se posicionar e a lutar pelo que acreditava.

“Minha mãe era uma pessoa muito ativa do ponto de vista social. Também foi empreendedora e tinha a SOS Brasil, que nasceu do trabalho no combate às enchentes.”

As bases da infância permaneceram e se misturaram com uma nova paixão: o intercâmbio eletrônico de dados, hoje ensinado a seus alunos em aulas sobre inteligência artificial (IA). “Se hoje a gente fala de inteligência artificial, temos de pensar que é algo alimentado com dados desde essa época, da década de 90.”

Depois de auxiliar diversos supermercados e pequenos empreendedores a adotarem o código de barras, foi a vez de ajudar as pessoas a entenderem a transição do papel para o digital, na Ticket.

A oportunidade abriu novas portas e ela logo foi trabalhar na Oracle, onde passou a maior parte da carreira e chegou a ser vice-presidente de Marketing, Growth América Latina e Caribe. Foi então que Carmela pôde ver com os próprios olhos que as dificuldades femininas não eram apenas brasileiras.

Leia também: Na liderança de TI da TIM Brasil, Auana Mattar reforça dinamismo e transparência

“Eu não tive nenhuma surpresa, mas ver de perto é outra questão. E aí, dar apoio para essas lideranças em outros países, fortalecê-las, foi essencial.”

Durante esse tempo, a executiva também trouxe para o Brasil o Oracle Women’s Leadership, movimento interno para reunir mulheres e debater pautas positivas femininas. “Esse mundo sempre andou junto comigo, não era um universo paralelo. Eu já o tinha no meu trabalho executivo.”

Foi desse olhar para as mulheres e, ao mesmo tempo, para o déficit de profissionais no mercado que nasceu a SoulCode. Além de acreditar no projeto, Carmela passou dois anos estudando e construindo um modelo único de aprendizagem. Para isso, inicialmente, deixou o mundo corporativo e viajou para diversos países em busca de referências. “Fui para os Estados Unidos, Singapura, Inglaterra, Portugal, conheci diversas edtechs na época.”

Quando retornou, para tornar o sonho possível, voltou a atuar no mercado tradicional e conseguiu financiar a criação da startup. “Valeu a pena porque, hoje, a SoulCode é da forma como eu acreditava, ou seja, inclusiva, com metodologia em que todas as pessoas podem aprender.”

Atualmente, já são 150 mil alunos na plataforma e outros 6 mil impactados em bootcamps. Carmela fala com orgulho sobre a atuação da empresa em diversos territórios, incluindo zonas rurais e comunidades. “Eu sempre digo para os nossos alunos que ‘se você passar na prova técnica, a sua diversidade vai junto’.”

Enquanto encoraja os estudantes não óbvios de um lado, quando se senta diante de outras organizações, a empresária busca transmitir a crença em um mundo mais igualitário: “Não faça por imposição, mas pelo legado que deseja deixar para a sociedade”, aconselha.

*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!