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Casa Branca

A Casa Branca vai receber na próxima semana executivos de gigantes de tecnologia e inteligência artificial para formalizar um compromisso destinado a proteger consumidores do aumento nas tarifas de energia elétrica provocado pela rápida expansão de data centers. A informação foi divulgada pela Reuters.

O encontro, marcado para 4 de março, deve reunir representantes da Microsoft, da Meta Platforms e da Anthropic. A iniciativa faz parte de uma agenda apresentada pelo presidente dos Estados Unidos durante seu discurso anual ao Congresso, na qual defendeu que empresas de tecnologia assumam maior responsabilidade sobre o consumo de energia associado às operações de inteligência artificial.

A corrida global por liderança em IA ampliou significativamente a demanda por eletricidade nos Estados Unidos. A proliferação de grandes centros de processamento de dados, fundamentais para treinar e operar modelos avançados, tem pressionado redes regionais e contribuído para a elevação de custos em diferentes estados.

Leia mais: Casa Branca e Anthropic travam embate sobre regulação da IA nos EUA

O tema ganhou dimensão política diante das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro. O impacto das contas de luz sobre famílias e pequenas empresas passou a ser visto como ponto sensível para o governo e para parlamentares aliados.

A proposta em discussão, chamada de “Rate Payer Protection Pledge”, prevê que companhias do setor invistam diretamente em nova geração de energia e em medidas de eficiência, reduzindo o risco de repasse de custos aos consumidores residenciais. Segundo a Reuters, o modelo deve se inspirar em compromissos já anunciados pela Microsoft neste ano, envolvendo aportes em capacidade adicional de geração elétrica.

Em manifestação pública, executivos de empresas envolvidas indicaram apoio à ideia de evitar que usuários finais arquem com os efeitos do crescimento da infraestrutura de IA. A Anthropic, por exemplo, afirmou que pretende cobrir integralmente eventuais aumentos tarifários vinculados a seus data centers.

Construir a própria energia

Durante o discurso ao Congresso, o presidente afirmou ter orientado grandes empresas de tecnologia a construírem suas próprias usinas para abastecer as novas instalações. A diretriz reflete a preocupação do governo com a segurança energética em meio à expansão acelerada do setor.

A administração federal também trabalha em coordenação com governadores de estados que integram a PJM Interconnection, maior mercado regional de eletricidade do país e área que concentra a maior densidade de data centers do mundo. Projeções de conexão de novas unidades à rede contribuíram para que alguns custos no mercado atacadista de energia subissem até dez vezes em menos de dois anos, segundo dados mencionados pela Reuters.

Parte do plano federal para conter as tarifas deve se apoiar em diretrizes já discutidas com a PJM, buscando equilibrar expansão tecnológica e estabilidade de preços.

Reação local e ambiental

O avanço de grandes projetos de data centers também enfrenta resistência em comunidades locais, preocupadas com poluição, uso intensivo de água e aumento das contas de luz. Em alguns casos, empreendimentos ou projetos de geração associados foram adiados ou cancelados após mobilização de moradores.

Ao mesmo tempo, o governo norte-americano mantém a estratégia de fortalecer a posição do país na disputa tecnológica com a China, considerando a inteligência artificial um eixo central de competitividade econômica e geopolítica.

A reunião na Casa Branca deverá detalhar os termos do compromisso e sinalizar como as empresas pretendem financiar a expansão energética necessária sem transferir custos adicionais aos consumidores.

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