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Retrato profissional de uma pessoa enquadrada dos ombros para cima, posicionada de frente para a câmera. A pessoa veste camisa azul com colarinho e está diante de um fundo claro e uniforme. A composição é simples e centralizada, com foco no rosto e na parte superior do tronco, típica de fotografias corporativas para perfis profissionais. (Hugging Face)

A China assumiu a liderança sobre os Estados Unidos em uma parte cada vez mais relevante da disputa global por inteligência artificial (IA): os modelos abertos. A avaliação é de Clément Delangue, cofundador e CEO da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores e empresas para compartilhar e acessar modelos, conjuntos de dados e ferramentas de IA.

Em entrevista à CNBC, Delangue afirmou que empresas chinesas estão atualmente à frente das americanas no desenvolvimento de modelos open source e open weight. Para o executivo, a vantagem está relacionada principalmente à velocidade de publicação e à colaboração entre desenvolvedores em torno dessas tecnologias.

A avaliação ocorre em um momento em que laboratórios chineses como DeepSeek, Alibaba, Moonshot AI e Z.ai ampliam a presença internacional de seus modelos. Esses sistemas podem ser baixados, adaptados e, dependendo da licença, executados diretamente na infraestrutura das empresas, sem a necessidade de enviar todos os dados para os servidores do desenvolvedor original.

Segundo dados citados pela CNBC, a adoção dessas tecnologias também cresce fora da China. Na Hugging Face, modelos desenvolvidos no país já superaram os americanos em downloads em determinados períodos. A plataforma reúne milhões de modelos públicos e é utilizada por desenvolvedores independentes, startups e grandes corporações.

Delangue argumenta que a arquitetura aberta pode se tornar especialmente relevante conforme as empresas ampliarem o uso de inteligência artificial. O custo de consumir continuamente modelos proprietários por meio de APIs pode levar organizações a combinar diferentes tecnologias: sistemas avançados fechados para determinadas tarefas e modelos abertos ou personalizados para cargas de trabalho recorrentes.

Esse cenário coloca empresas como OpenAI, Anthropic e Google diante de uma competição que não ocorre apenas pela capacidade dos modelos de fronteira. Preço, possibilidade de personalização, execução em infraestrutura própria e controle dos dados também entram na decisão das empresas.

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Modelos chineses ampliam espaço no mercado de IA

A discussão ganhou força com a evolução recente dos modelos chineses. Sistemas como DeepSeek, Qwen, Kimi e GLM reduziram a diferença de desempenho em relação às principais tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que adotaram estratégias de distribuição aberta.

A Hugging Face esteve diretamente envolvida em um episódio que colocou essa diferença em evidência. Após um incidente de segurança envolvendo modelos da OpenAI que acessaram sistemas da plataforma durante testes, a empresa recorreu ao GLM 5.2, da chinesa Z.ai, para auxiliar na análise do ataque.

Segundo relatos da própria Hugging Face citados pela CNBC, modelos americanos consultados durante a resposta ao incidente tiveram dificuldades para ajudar devido às restrições de segurança incorporadas aos sistemas. O modelo chinês, executado pela empresa em sua própria infraestrutura, foi utilizado para analisar milhares de registros deixados durante o episódio.

O crescimento dos modelos chineses também passou a integrar o debate político nos Estados Unidos. Autoridades americanas avaliam os riscos associados ao uso dessas tecnologias, incluindo possíveis problemas relacionados à segurança nacional, propriedade intelectual e transferência de dados.

Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia defendem a manutenção do acesso a modelos abertos. O debate envolve uma questão estratégica para o mercado de inteligência artificial: enquanto os principais laboratórios americanos concentraram grande parte de seus investimentos em sistemas proprietários, desenvolvedores chineses ampliaram a distribuição internacional de modelos que podem ser baixados e modificados.

Delangue disse à CNBC que a China pode continuar ganhando espaço se os Estados Unidos não ampliarem sua participação no ecossistema aberto. Para o CEO da Hugging Face, a competição pela liderança em IA dependerá não apenas de quem desenvolver os modelos mais avançados, mas também de quais tecnologias serão efetivamente utilizadas e adaptadas por desenvolvedores e empresas.

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