
O CEO de inteligência artificial (IA) da Microsoft, Mustafa Suleyman, afirmou em entrevista à CNBC que apenas seres biológicos são capazes de ter consciência, reforçando sua oposição a projetos que buscam criar máquinas “sensíveis” ou capazes de demonstrar sofrimento.
“Não acho que esse seja um trabalho que as pessoas deveriam estar fazendo. É a pergunta errada e, quando se faz a pergunta errada, chega-se à resposta errada”, declarou Suleyman durante o AfroTech Conference, em Houston, nos Estados Unidos
A fala reforça a posição do executivo, um dos criadores da DeepMind, adquirida pelo Google, como uma das vozes mais influentes a rejeitar a noção de inteligência artificial consciente.
Segundo Suleyman, há uma diferença fundamental entre o avanço das capacidades cognitivas dos modelos de IA e a ideia de que eles possam desenvolver emoções ou experiências reais.
Ele explicou que, ao contrário dos humanos, os sistemas de IA não têm rede neural biológica nem capacidade de sentir dor, apenas simulam respostas. “O modelo pode parecer ter consciência, mas é apenas uma narrativa criada por cálculos matemáticos”, afirmou.
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O raciocínio do executivo se baseia na teoria do filósofo John Searle, conhecida como naturalismo biológico, que defende que a consciência depende de processos físicos de um cérebro vivo. “Nós damos direitos às pessoas porque elas sofrem. Modelos de IA não sofrem, eles apenas simulam”, completou.
Ética e fronteiras do desenvolvimento
Suleyman reconheceu que a ciência sobre consciência ainda está em estágios iniciais, mas defendeu que o setor trace limites claros. “Elas [as IAs] não são conscientes e não podem ser. Seria absurdo pesquisar algo que parte dessa premissa”, disse.
Durante o evento, o executivo também destacou as “áreas em que a Microsoft não pretende atuar”, como o desenvolvimento de chatbots com conteúdo erótico — segmento que empresas como xAI, de Elon Musk, e OpenAI têm explorado. “Outras empresas podem seguir esse caminho, mas estamos tomando decisões sobre os lugares aonde não iremos”, afirmou.
De DeepMind à liderança da IA na Microsoft
Suleyman ingressou na Microsoft em 2024, após a empresa pagar US$ 650 milhões por sua startup Inflection AI, em um acordo de licenciamento e integração de equipe. Ele contou que aceitou o convite do CEO Satya Nadella por enxergar na Microsoft uma combinação de estabilidade, alcance tecnológico e autonomia para desenvolver modelos próprios.
“Satya definiu a missão de tornar a Microsoft autossuficiente em IA, capaz de treinar seus próprios modelos com infraestrutura e dados próprios, do pré-treinamento ao produto final”, disse.
IA com propósito humano
Nos últimos meses, Suleyman tem reforçado a visão de que a Microsoft deve construir IAs a serviço das pessoas, não imitadoras de pessoas. A companhia lançou novos recursos no Copilot, incluindo um assistente chamado Mico e uma função de grupo que permite interações entre usuários e IA.
Ele também apresentou o modo “real talk”, um estilo de conversa que desafia o usuário, em vez de apenas concordar com suas opiniões. Segundo Suleyman, o recurso até chegou a “provocá-lo”, chamando-o de “contradição ambulante” por criticar os riscos da IA enquanto lidera sua expansão na empresa.
Para ele, esse equilíbrio é o verdadeiro desafio da era da IA. “A tecnologia é, ao mesmo tempo, subestimada e mágica. Se você não sente medo dela, é porque ainda não entendeu o suficiente. O medo é saudável, ele nos obriga a pensar”, concluiu.
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