
A Cloudera, plataforma híbrida de dados e inteligência artificial para empresas, prepara uma nova etapa de sua estratégia na América Latina, mercado que hoje responde por 5% de seu faturamento global. A partir de 2027, a companhia pretende reforçar o atendimento a bancos e operadoras de telecomunicações com a contratação de profissionais especializados nesses setores, replicando um modelo já adotado no setor público — hoje sua vertical de maior crescimento na região.
“Estamos buscando nos especializar cada vez mais no segmento de indústria. Na América Latina, isso envolve trazer mais profissionais para o time, pessoas que conhecem muito as verticais, não do ponto de vista de tecnologia — que já conseguimos oferecer —, mas do ponto de vista do negócio”, afirma Rubia Coimbra, VP da Cloudera para a América Latina, em entrevista ao Startups durante o Women Leaders in Technology, na quarta-feira (9).
A estratégia não representa uma mudança na tecnologia oferecida pela Cloudera, cuja plataforma permanece agnóstica em relação aos ambientes de dados e inteligência artificial. A aposta está na forma como a companhia atende seus clientes, com equipes capazes de compreender mais profundamente as particularidades e demandas de cada setor. “Acho que isso faz uma diferença enorme na forma como a gente se relaciona, na forma como a gente serve o cliente”, diz Rubia.
Para o próximo ano, o plano é ampliar as equipes dedicadas a telecomunicações e serviços financeiros. A ideia é levar a esses mercados a experiência acumulada no setor público, atualmente a vertical que mais cresce para a companhia na América Latina.
Segundo a executiva, esse avanço é impulsionado pelo perfil dos clientes do setor, que lidam com grandes volumes de dados e exigências rígidas de segurança e governança. No Brasil, ela cita como exemplo a reforma tributária, que utiliza a tecnologia da Cloudera para processar bilhões de transações.
A Cloudera no Brasil
Com sede na Califórnia, a Cloudera desenvolve tecnologias de dados e inteligência artificial voltadas ao armazenamento, processamento, gerenciamento e análise de grandes volumes de informações. A proposta é transformar esses dados em aplicações de IA, com segurança, governança e flexibilidade para operar em ambientes híbridos e multicloud.
O Brasil responde por cerca de 50% do faturamento da companhiana América Latina. Rubia atribui esse peso à rapidez com que o país adota novas tecnologias — e cita a migração para a nuvem como um movimento em que o mercado brasileiro se destacou globalmente —, além da força da comunidade de código aberto, base sobre a qual a companhia constrói seus produtos.
“O Brasil não tem medo de abraçar coisas novas. Quando a nuvem surgiu como serviço pela primeira vez, o Brasil foi o primeiro país a atingir um determinado nível de adoção acima de 50%, o que nenhum outro país conseguiu”, diz a VP.
A operação brasileira reúne cerca de 30 funcionários. Em toda a América Latina, são aproximadamente 60 profissionais distribuídos entre as áreas de vendas, pré-vendas e serviços profissionais.
Tese validada
A aposta em bancos e operadoras de telecomunicações parte de uma estratégia que, segundo a Cloudera, já foi validada no setor público. Nessa vertical, 80% da demanda ainda está concentrada em data centers, e não na nuvem pública.
Esse perfil está associado a preocupações com segurança, soberania e governança dos dados. No Brasil, a empresa participa de projetos do governo voltados à construção de infraestrutura de nuvem e inteligência artificial soberanas, além de sustentar sistemas ligados à reforma tributária.
Para Rubia, essa característica também diferencia a Cloudera de seus concorrentes em um momento de crescimento da demanda por infraestrutura fora da nuvem pública. “A concorrência está correndo atrás para atender essa demanda de data center e repatriação de aplicações, mas hoje a Cloudera se destaca no segmento”, afirma a executiva.
A expectativa para 2027 é levar esse modelo de especialização a dois novos mercados regulados. A base tecnológica permanecerá a mesma. O investimento estará na ampliação do conhecimento das equipes sobre os negócios e as demandas específicas de cada indústria.
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