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Pessoa segurando um smartphone que exibe na tela o logo do Pix, sistema de pagamento instantâneo brasileiro desenvolvido pelo Banco Central. O logotipo é composto por um símbolo geométrico verde ao lado da palavra "Pix" em letras estilizadas, seguido da frase "powered by Banco Central". O fundo da tela é branco e o ambiente ao redor tem iluminação com tons de azul e laranja desfocados (Sensedia, CNI)

O embaixador Roberto Azevêdo, consultor da Confederação Nacional da Indústria (CNI), defendeu nesta quarta-feira (3) o sistema de pagamentos Pix durante audiência realizada em Washington sobre as práticas comerciais brasileiras. A sessão, conduzida pelo escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), faz parte de uma investigação que pode resultar em novas sanções comerciais contra o Brasil.

Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, argumentou que o Pix beneficia as empresas americanas e é semelhante ao sistema FedNow, criado pelo Federal Reserve dos Estados Unidos. “O Brasil oferece um sistema de pagamento rápido, econômico e seguro, semelhante ao sistema de pagamento instantâneo FedNow, criado e implementado pelo Federal Reserve Board dos EUA”, declarou durante sua apresentação.

O representante da CNI destacou que o sistema brasileiro “aumentou a inclusão financeira, reduziu a dependência de dinheiro físico e aumentou a eficiência no varejo e no comércio eletrônico – beneficiando significativamente as empresas americanas”. A defesa do Pix surge como resposta às críticas do presidente americano Donald Trump, que em agosto aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, alegando que o sistema de pagamentos afeta a competitividade de empresas americanas no Brasil.

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Durante seu pronunciamento, Azevêdo também contestou outras acusações americanas, ressaltando que o Brasil possui uma tarifa efetiva de apenas 2,7% sobre produtos americanos – uma das menores aplicadas pelo país. “A noção de que o Brasil está agindo deliberadamente de forma a prejudicar os Estados Unidos é totalmente infundada. Simplesmente não há evidências de que os atos, políticas e práticas em questão discriminem ou prejudiquem injustamente as empresas americanas”, afirmou.

O embaixador defendeu ainda que Brasil e Estados Unidos, como “as duas maiores democracias deste hemisfério”, deveriam resolver problemas por meio de “diálogo e cooperação contínuos” em vez de conflitos comerciais.

Cerca de 40 entidades se inscreveram para participar da audiência, incluindo empresas brasileiras como Embraer, Portobello America e WEG, além de organizações como Amcham, Fiesp e diversas associações setoriais. Do lado americano, algumas entidades manifestaram apoio ao Brasil, como a National Coffee Association e a US Chamber of Commerce, que defendem os benefícios da integração econômica entre os dois países. Por outro lado, associações de produtores de carne suína, bovina, milho, açúcar de beterraba e algodão pedem punições ao Brasil por alegada concorrência desleal.

A investigação em andamento, baseada na Seção 301 da Lei do Comércio dos EUA de 1974, pode resultar em novas punições comerciais além das tarifas já em vigor. O processo deverá ser concluído nos próximos meses e autoriza o presidente americano a tomar medidas contra países que supostamente violem regras internacionais de comércio. Precedentes históricos mostram que investigações similares resultaram em consequências significativas, como as tarifas aplicadas à China a partir de 2018 por questões de propriedade intelectual.

Com informações da Exame

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