
A Cohere, deeptech canadense de IA, anunciou nesta sexta (24) a aquisição da Aleph Alpha, em uma operação de US$ 20 bilhões que nasce com uma missão declarada: construir uma alternativa real ao domínio americano e chinês na corrida pela inteligência artificial.
O negócio ainda está sujeito a aprovações regulatórias e os termos financeiros não foram divulgados, mas como parte da transação, o Schwarz Group, um dos principais investidores da Aleph Alpha, se comprometeu com um aporte de US$ 600 milhões na próxima rodada Série E da Cohere, cuja conclusão está prevista para ainda este ano.
O deal foi anunciado numa conferência em Berlim que contou com a presença dos CEOs das duas empresas e dos ministros de tecnologia do Canadá e da Alemanha, algo diz muito sobre o peso geopolítico da operação. Segundo o ministro alemão Karsten Wildberger, o plano é construir um “líder global de IA” para rivalizar com as potências norte-americanas e chinesas.
“Precisamos garantir que o poder não fique concentrado nas mãos de poucos players dominantes”, disse Evan Solomon, ministro canadense de inovação digital, durante a conferência
O plano ao criar um novo megaplayer de IA, é se posicionar como alternativa soberana para governos e empresas que não querem (ou não podem) depender de plataformas americanas ou chinesas para sua infraestrutura de inteligência artificial.
“Combinando as forças da Cohere e da Aleph Alpha, aceleramos nossa expansão global e avançamos nossa missão de entregar IA soberana para nações ao redor do mundo”, afirmou Aidan Gomez, cofundador e CEO da Cohere. “Essa parceria transatlântica libera a escala massiva, a infraestrutura robusta e o talento de P&D de classe mundial necessários para atender essa demanda”.
Para a empresa canadense, o negócio também expande oportunidades para o mercado europeu, com a Aleph Alpha dando a confiança (e compliance) para atrair novos clientes e grandes contratos, especialmente na área governamental, vertical onde a Cohere tem encontrado seu sucesso no mercado norte-americano.
A Cohere já captou cerca de US$ 1,6 bilhão com investidores como Nvidia e AMD, foi avaliada em US$ 7 bilhões em 2025 e tem entre seus apoiadores originais alguns dos pesquisadores de IA mais respeitados do mundo, como o “padrinho da IA” Geoffrey Hinton e Fei-Fei Li. Já a Aleph Alpha levantou mais de US$ 600 milhões em investimentos e subsídios desde sua fundação, antes de pivotar do desenvolvimento de grandes modelos de linguagem para aplicações de IA.
Apesar de capitalizadas, no cenário geral elas ainda são pequenas perto de nomes de “bolsos fundos” como OpenAI, Anthropic, Google e players chineses como DeepSeek e Alibaba. É por isso que a aposta em IA soberana se tornou a “carta na manga” para ambos os players, algo que também se alinha com movimentos recentes de outras startups europeias, como a francesa Mistral.
Ilhan Scheer, co-CEO da Aleph Alpha, enquadrou a operação como a construção de um contrapeso real num mercado em concentração acelerada. “Juntos com a Cohere, estamos construindo um contrapeso real para organizações que se recusam a terceirizar o controle de sua IA para um único fornecedor ou jurisdição, dando a instituições e empresas europeias acesso a uma IA poderosa, porém controlável”.
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