
As plataformas Coinbase e Kalshi anunciaram nesta quinta-feira (29) que pretendem lançar contratos futuros perpétuos de criptomoedas voltados a investidores americanos sob supervisão regulatória local. Hoje, esse mercado movimenta trilhões de dólares globalmente, mas opera majoritariamente em plataformas offshore, muitas vezes fora do alcance das autoridades dos EUA. A novidade é que os contratos passarão a operar sob supervisão da Commodity Futures Trading Commission, o órgão regulador americano de derivativos.
Os chamados perpetual futures (também conhecidos como perps) funcionam como contratos de aposta no preço de um ativo — neste caso, criptomoedas — sem data de vencimento. Na prática, permitem operar comprado ou vendido com alavancagem elevada, potencializando ganhos, mas também perdas. É justamente esse perfil agressivo que fez do produto um dos motores da liquidez cripto nos últimos anos.
O movimento da Coinbase acontece em um momento em que as exchanges tentam reconstruir a narrativa de confiança após anos de embates regulatórios e colapsos no setor. Ao se aproximar de um modelo supervisionado pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), a corretora sinaliza um esforço para consolidar sua posição como principal ponte entre Wall Street e o universo cripto.
Para a Kalshi, conhecida por sua plataforma de mercados de previsão, a novidade também representa uma expansão estratégica. A startup ganhou notoriedade nos EUA ao transformar eventos políticos, econômicos e até climáticos em ativos negociáveis. Agora, mira um mercado muito maior, e mais volátil.
O anúncio também reforça uma mudança de postura do regulador americano em relação ao mercado cripto. Em artigo publicado nesta quinta-feira (29), o chairman da CFTC, Michael Selig, classificou a aprovação dos contratos perpétuos como um “marco histórico” para trazer uma das áreas mais líquidas do mercado de criptoativos para dentro da supervisão dos EUA. Segundo ele, a ideia é reduzir riscos hoje concentrados em plataformas offshore e criar um ambiente regulado capaz de limitar alavancagem excessiva, volatilidade e riscos sistêmicos — sem sufocar a inovação do setor.
A entrada de produtos perpétuos regulados nos EUA pode alterar a dinâmica competitiva do setor. Hoje, traders americanos frequentemente recorrem a plataformas estrangeiras para acessar esse tipo de derivativo, já que as restrições locais limitaram a oferta doméstica. Com um ambiente regulado, Coinbase e Kalshi apostam que parte dessa demanda migre para operadores autorizados.
O desafio, porém, será encontrar um equilíbrio entre inovação e segurança. Os contratos perpétuos são conhecidos por permitir apostas mais arriscadas no mercado de criptomoedas, especialmente entre investidores de varejo. Como esses produtos costumam operar com alavancagem, pequenas oscilações no preço dos ativos podem gerar perdas rápidas — e até zerar posições em poucos segundos em momentos de maior volatilidade.
Ainda assim, o apetite existe — e é enorme. Segundo dados citados pela Reuters, o volume global negociado em contratos perpétuos de cripto chegou a US$ 61,7 trilhões em 2025, consolidando o instrumento como peça central da infraestrutura financeira do setor.
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