
Quando ajudou a fundar a Sirius há quatro anos, depois de voltar do Vale do Silício, Arnobio Morelix tinha como missão montar a faculdade que o mercado tech brasileiro ainda não tinha. Desde então, a empresa acumulou mais de 30 cursos em áreas que o CEO chama de “profissões futuro” (IA, ciência de dados, cibersegurança, blockchain, product management), e para 2026 o plano é dobrar seu crescimento. Com isso em mente, a companhia quer entrar no mercado de graduação e intensificar seu modelo de parcerias, trazendo nomes de peso.
O primeiro movimento da Sirius nessa direção é em parceria com a TripleTen, edtech global que faz parte do grupo holandês Nebius. Conforme explica o CEO, o produto que nasce dessa aliança é um curso de MBA em inteligência artificial e ciência de dados, com foco em empregabilidade global e transição de carreira.
Para quem não conhece, a Nebius nasceu da cisão da Yandex, grupo que chegou por um tempo a ser considerado o “Google russo”. Interessada em iniciar operações no Brasil, a TripleTen viu na Sirius a parceira ideal para fazer este movimento.
“É uma empresa de capital aberto, vale mais de US$ 20 bilhões, estão entrando no Brasil agora. A gente sabia que eles estavam olhando, com um plano de investir cerca de R$ 25 milhões no país, e buscavam uma faculdade de ponta, nativa para a era da IA, para lançar esses programas juntos”, explica Arnobio, em conversa com o Startups.
Sobre o mercado endereçável, o CEO destaca que, em todo o mundo, há mais de 13 mil vagas abertas para especialistas nessas áreas, com diversas oportunidades remotas para estes talentos. “A meta é muito clara: preparar as pessoas para o mercado global”, resume o CEO.
Ao longo de 2026, a ideia é lançar novas turmas e ampliar o portfólio de cursos dentro dessa vertente. O acordo prevê exclusividade: todas as iniciativas de ensino superior da TripleTen no Brasil serão conduzidas em parceria com a Sirius – enquanto outros programas como bootcamps serão tocados exclusivamente pela empresa holandesa.
Em paralelo a essas parcerias, a edtech se apruma para “atacar” um segmento cinco vezes maior: o de graduação, o que representa uma mudança de patamar da empresa, na visão do CEO. A Sirius já tem aprovação com o Ministério da Educação para o lançamento da graduação online, e planeja o lançamento amplo para o segundo semestre de 2026.
A meta de crescimento para 2026 é dobrar a base de alunos, indo bem além dos 3,7 mil usuários que a edtech possui atualmente em seus cursos de pós-graduação e MBA, mais os 10 mil que passaram no ano passado em cursos livres como bootcamps e imersões.
Crescendo com parcimônia
Perguntado sobre como tem sido a trajetória da Sirius nos últimos anos, Arnobio admite que não tem sido fácil. No geral, o mercado de edtechs para o mercado de tecnologia passou por apertos no pós-pandemia, inclusive com algumas delas fechando cursos, promovendo cortes e até mesmo fechando operações.
Na leitura do CEO, a queda tem duas causas: a ressaca das contratações em tecnologia que explodiram durante a pandemia, assim como a redução de investimentos em educação corporativa. Do outro lado, edtechs captaram demais para crescer, mas não foram capazes de adaptar currículo e modelo de aprendizado às novas demandas do mercado.
Segundo Arnobio, a vantagem da Sirius nesse cenário foi chegar “um pouco atrasada”, em um timing menos eufórico do setor. Isso fez a edtech investir em um modelo diferente: ela não lança cursos sozinha. Em vez de construir tudo internamente, identifica especialistas de cada área e lança programas em parceria com eles – algo que a Sirius chama de “núcleos” ou “escolas” dentro do seu ecossistema. A Tera, referência em Product Management no Brasil, é um exemplo, assim como Arizona State University. A TripleTen é o mais recente.
Essa estratégia um tanto mais conservadora rendeu frutos. No ano passado, a edtech conseguiu triplicar sua base de estudantes e bateu o breakeven no último trimestre.
Até o momento, a companhia fez uma rodada: captou R$ 6 milhões com investidores como Garan Ventures, Rafael Assunção e Camila Farani, além dos empreendedores Rodrigo Cartacho (Sympla), João Selarin (TotalVoice/Zenvia) e Gustavo do Valle (Decorado), e de executivos de empresas do Vale do Silício como Twitter, Zoom, Zendesk e Intercom.
“O que eu posso falar com muito orgulho foi a parcimônia e eficiência em como a gente gastou esse dinheiro”, diz Arnobio. Segundo ele, o resultado é que, ao contrário de concorrentes que cresceram rápido e queimaram caixa, a Sirius chegou ao momento de maturidade do mercado com capital preservado e sem pressão para captar no curto prazo.
Perguntado sobre a possibilidade de novas captações para crescer na concorrida arena dos cursos de graduação, Arnobio mantém os pés no chão. “Por estarmos com fluxo de caixa positivo, a gente não tem necessidade de captar”, explica o CEO, mas isso não significa que a empresa está fechada para investidores. “A expectativa é que qualquer novo investimento seja super intencional, possivelmente com um investidor estratégico, ao invés de um fundo generalista”, avalia.
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