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Podcast MVP | Arte: Startups

Seis meses depois de fechar a Série C liderada pela Advent International, a mesma gestora que ajudou a construir o case da TOTVS, a Skyone já começou a colher os frutos do aporte na sua estratégia de fusões e aquisições. Depois de comprar a ADD IT em junho, em um negócio descrito à época como a maior aquisição de sua história, a empresa de cloud, dados e IA agora mira transações ainda maiores para os próximos meses, incluindo uma que deve ser concluída ainda neste semestre.

“Nós fizemos três compras nos últimos dois anos. Foram super boas, e a gente entendeu que a gente tinha que fazer compras maiores para ser mais relevante”, diz Ricardo Brandão, CEO da Skyone, em entrevista ao podcast MVP, do Startups. “E aqui entra um papel bem importante da Advent, que está ajudando a gente nesse mercado, não só na prospecção, mas também com modelagem e trazendo essas empresas maiores.”

O executivo foi o entrevistado do novo episódio do podcast MVP do Startups. Em conversa com Gustavo Brigatto, Ricardo conta que encontrar a empresa certa para comprar é só a primeira etapa de um processo bem mais longo. “Eu brinco que a compra é só o primeiro estágio. Depois, a integração é o que vai definir o sucesso e o tamanho do retorno que a gente vai ter ali, ou da destruição do ativo”, diz.

Foi justamente esse aprendizado que levou a Skyone a criar, dentro de sua área de M&A, uma frente dedicada exclusivamente à integração pós-aquisição, hoje considerada pelo próprio CEO como a mais importante da estrutura. “Aprendemos muito ano passado e achamos que estamos faixa preta agora”, diz ele, que resume o processo em três ativos que toda aquisição carrega: tecnologia, geralmente substituída pela plataforma proprietária da Skyone; e clientes e pessoas, que exigem cuidado redobrado. “Se você não souber tratar bem as pessoas que vêm junto e os clientes, o retorno que era para ser X vai ser dividido por Y”, resume.

O que a Skyone está procurando

Segundo o CEO, o pipeline de M&A da companhia segue dois caminhos. O primeiro é consolidar horizontalmente o setor, comprando empresas de cloud que fazem algo parecido com o que a Skyone já entrega e que tenham bons times e clientes satisfeitos.

O segundo caminho é mais estratégico e está diretamente ligado à corrida por inteligência artificial: adquirir times e empresas especializadas em automações e soluções verticalizadas de IA que possam ser incorporadas ao ecossistema da companhia, especialmente por meio de sua plataforma proprietária.

“A base de inteligência artificial, na nossa visão, é dados. Quanto mais clientes você tiver, mais base de dados você tiver, mais potencial você tem para levar para IA”, afirma o CEO.

O apetite por aquisições maiores também é reflexo do tamanho do mercado que a Skyone ainda enxerga pela frente. Segundo Ricardo, mesmo com 25 mil clientes e mais de 500 colaboradores em 35 países, a companhia está longe de esbarrar em limites de mercado — seja em cloud, seja em IA. “Se você olhar o mercado de cloud, a gente não chega a um dígito de market share. Se você olhar o mercado de IA, a gente não chega a 0,0 alguma coisa”, diz. “É um mercado tão maior do que a gente consegue atingir que a limitação é sempre a gente.”

Internacionalização também no radar

Embora o Brasil continue concentrando a maior parte da receita e da estratégia de M&A da companhia, Ricardo confirma que aquisições fora do país também estão no horizonte, alinhado ao plano de dobrar a fatia da receita internacional dos atuais 15% para 30% nos próximos três anos. Hoje a empresa já vende para clientes fora do Brasil desde 2016 e mantém operações em cinco países.

Para o CEO, o momento de mercado favorece esse tipo de movimento. Com o crescimento acelerado do interesse por inteligência artificial, muitas empresas de tecnologia — inclusive as menores, mais nichadas — se veem diante da pressão de acompanhar a transformação sem necessariamente ter capital ou escala para isso sozinhas. É nesse ponto que a Skyone diz enxergar sua oportunidade: comprar, integrar e acelerar.

“A gente está muito posicionado aqui em ajudar nesse aculturamento também”, resume Brandão, ao falar sobre o papel da companhia dentro das empresas que absorve — um raciocínio que vale tanto para os clientes quanto para os negócios que passam a fazer parte do grupo.

Ao longo da conversa, Ricardo também reforçou que o IPO não é a linha de chegada, mas apenas um mecanismo de financiamento dentro de uma jornada sem fim, e que o objetivo é construir uma empresa que se perpetue ao longo do tempo.

“Os que vão e voltam são os sócios, os fundadores, os gestores, os executivos, e a empresa tem que ser construída à prova deles”, afirma Ricardo, que complementa: “Não sou CEO, estou CEO”.

Confira o podcast MVP completo nos canais do Startups no YouTube e Spotify.

O post Com apoio da Advent, Skyone quer aquisições maiores apareceu primeiro em Startups.