
A proposta é simples na ideia, mas complicada na execução: encontrar materiais alternativos para garantir o futuro dos chips e outros equipamentos para a infra tecnológica do futuro. Com essa proposta, a britânica CuspAI atraiu investidores de peso e acabou de captar US$ 450 milhões, em uma rodada série B que avalia a startup britânica em US$ 2,6 bilhões.
O aporte foi liderado pela Kleiner Perkins e pela NEA, com participação da Bezos Expeditions, o braço de investimentos pessoais do fundador da Amazon, Jeff Bezos. Entraram também o fundo soberano de IA do governo do Reino Unido, além de Glade Brook Capital Partners, Lux Capital e AMD Ventures.
Fundada há dois anos em Cambridge, a CuspAI usa IA para descobrir materiais que ainda não existem. Na prática, funciona como uma espécie de motor de busca para materiais raros: a plataforma simula o desempenho de substâncias inéditas e estreita o universo gigantesco de possibilidades antes que qualquer coisa chegue à bancada do laboratório, encurtando um processo que hoje leva anos.
Com a injeção de capital, a empresa quer expandir internacionalmente e cortar o tempo de pesquisa por trás dos materiais que sustentam chips, energia e manufatura avançada.
“A maioria dos grandes saltos em tecnologia se resume a um material, e o próximo conjunto deles, da captura de carbono mais barata aos semicondutores e à água mais limpa, está travado à espera de materiais que ninguém descobriu ainda”, avalia Josh Coyne, sócio da Kleiner Perkins. “A CuspAI construiu um motor de busca que muda isso.”
Além disso, a CuspAI é a quarta empresa a receber aporte do fundo com que o governo britânico tenta escalar suas startups de IA em estágio inicial para competir no cenário global. O valor investido pelo governo não foi revelado.
Coalizão de peso
Junto com a rodada, a empresa anunciou a AI Materials Foundry, uma coalizão que reúne mais de 45 organizações, entre gigantes de tecnologia, indústrias e centros de pesquisa, para bancar a infraestrutura de computação e a expertise científica por trás da plataforma. A Nvidia entra fornecendo capacidade de processamento, e nomes como Meta e Hyundai estão na lista.
O objetivo não é só acadêmico. A CuspAI quer cortar o tempo de pesquisa e, principalmente, reduzir ou até eliminar o uso de metais raros (como irídio e rutênio) nas cadeias de suprimento dos fabricantes de chips. A aposta é que novos materiais tornem redes de energia e baterias mais eficientes e turbinem a potência dos semicondutores para futuras gerações de IA.
“Se não avançarmos rápido, os próximos 50 anos de progresso industrial serão limitados por um único desafio: o mundo precisa de materiais que ainda não existem”, afirmam Chad Edwards, CEO, e o professor Max Welling, cofundadores da CuspAI. “O mundo simplesmente não consegue fazer o progresso de que precisa com os materiais conhecidos, isso está claro.”
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