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Itaú

O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira, 18 de maio, a incorporação de inteligência artificial generativa na nova Laranjinha+, transformando o terminal de pagamento em um assistente de vendas ativado por voz. Com a novidade, o lojista inicia uma cobrança falando o valor e a forma de pagamento (crédito, débito ou Pix) e a máquina conduz o restante da operação sem que o operador precise tocar na tela.

A funcionalidade, chamada de “copiloto de vendas”, é resultado de dois anos de desenvolvimento conjunto com o Instituto de Ciência e Tecnologia do Itaú (ICTi) e marca o primeiro terminal de pagamento do país com IA conversacional integrada ao próprio equipamento, sem dependência de celular ou dispositivo externo.

O diretor de recebimentos e adquirência do Itaú Empresas, Angelo Russomanno, apresentou a novidade para jornalistas na coletiva realizada na sede do banco em São Paulo. “A Laranjinha+ está se tornando o iPhone das maquininhas”, diz ele, traçando a analogia com a transformação do telefone celular em plataforma multifuncional após o surgimento do celular inteligente.

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Da transação à plataforma

A comparação com o iPhone não é forçada. A Laranjinha+ opera sobre um sistema aberto que hoje abriga mais de 100 aplicativos homologados pelo Itaú na Rede Store, a loja de aplicativos da adquirente, com soluções específicas para restaurantes, lojas, postos de combustível e estacionamentos. Um garçom, por exemplo, já consegue registrar pedidos, integrá-los à cozinha e fechar a conta pelo próprio terminal, sem precisar de caixa separado.

Com a IA, o terminal passa a receber comandos de voz. O lojista ativa o copiloto por um botão na tela, sem escuta contínua, e faz o pedido em linguagem natural. Se o comando for incompleto, o sistema pergunta o que falta. “Quarenta e cinco reais no crédito” resolve em um passo; “quarenta e cinco no crédito” pode gerar a pergunta “em quantas vezes?”, conforme explica o diretor de tecnologia do Itaú Unibanco, Carlos Eduardo Mazzei, durante a coletiva. A voz da máquina foi ajustada a pedido dos próprios clientes, que reclamaram das primeiras versões por soar robótica demais.

O pagamento em si não é executado pelo agente de IA. “A inteligência artificial não executa o pagamento”, diz Russomanno. A confirmação e a finalização da transação seguem os protocolos de segurança já existentes, o que, segundo o banco, preserva os padrões regulatórios de meios de pagamento.

Desafios técnicos: latência e filtros de contexto

Levar um modelo de linguagem para dentro de um terminal com capacidade de processamento limitada foi o principal obstáculo de engenharia. A solução adotada pelo ICTi combina modelos leves rodando no próprio dispositivo com processamento parcial na nuvem, aproveitando a conexão já exigida pela transação convencional.

“Trabalhamos com modelos leves, de menor complexidade, controlando o uso de memória e de processador, e aproveitamos a conexão com a nuvem para distribuir o processamento e ganhar velocidade”, explica Mazzei.

Outro desafio foi garantir que o agente não responda a perguntas fora do escopo do negócio. O banco estabeleceu filtros de contexto que limitam as respostas ao fluxo de vendas e bloqueiam vieses implícitos. O ICTi chegou a publicar uma patente sobre detecção de vieses em modelos de linguagem de fronteira. A solução usa múltiplos modelos, incluindo os das empresas Anthropic e OpenAI, combinados com modelos menores de aprendizado de máquina.

O ICTi também concentrou esforços na redução da latência no reconhecimento de voz. “A queda na latência veio de pesquisas com modelos de linguagem de código aberto treinados e validados internamente”, diz Mazzei.

Atualização começa em junho; 500 mil terminais até dezembro

A atualização chegará de forma remota a partir de junho, sem necessidade de troca de equipamento. Hoje há 150 mil unidades da nova Laranjinha+ em campo. O banco projeta encerrar 2026 com 500 mil e concluir a migração de todo o parque até o fim de 2027. O ritmo de distribuição está na faixa de 35 mil a 40 mil novas máquinas por mês.

Pesquisa realizada pelo banco com empreendedores mostrou que 84,3% têm interesse em operar por comando de voz e 82,5% acreditam que a funcionalidade aumentaria o uso do terminal. Entre os ganhos citados pelos próprios lojistas durante o processo de cocriação está um inesperado: garçons com bandeja na mão, sem precisar das duas mãos para digitar.

O diretor de tecnologia do Itaú Unibanco, Adriano Tchen, adiantou que novas funcionalidades virão na sequência, entre elas análises de vendas e suporte à gestão do caixa. “A inteligência artificial entra para tirar atrito da operação e ajudar o empreendedor a focar no que realmente importa, que é vender e atender bem. Este é apenas o começo”, afirma.

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