
Durante o IBM Think, a Iguá Saneamento, empresa brasileira do setor de infraestrutura focada em serviços de água e esgoto, apontou a inteligência artificial (IA) já gera resultados efetivos para os seus negócios. Gustavo Coelho, CPO/CTO da companhia, detalhou como IA e analytics combinados mudaram não apenas processos, mas o próprio desempenho financeiro da operação.
Em meio à complexidade do sistema tributário brasileiro, a combinação de dados estruturados e inteligência analítica permitiu identificar um excesso de pagamento de US$ 3 milhões em impostos, valor que passou a ser recuperado e já impacta o resultado da empresa.
Mas o caso não se resume a um achado pontual, contou o executivo. Ele é resultado de uma reorganização mais profunda do modelo operacional, que começou pelas funções de backoffice.
Em procurement, por exemplo, a parceria com a IBM gerou uma camada sofisticada de negociação, especialmente em contratos de software. O efeito foi US$ 1,5 milhão em economias em um único ano, resultado da combinação entre conhecimento externo, dados e maior capacidade analítica.
Se nas áreas internas o impacto apareceu em eficiência e resultado financeiro, na operação o ganho se traduziu em capacidade de resposta, um ponto crítico para empresas de saneamento, de acordo com Coelho.
“Se um bairro fica dois dias sem água, era inviável receber 10 mil ligações em um dia. Agora é possível”, afirmou Coelho, ao explicar o uso de IA generativa e sistemas inteligentes de atendimento para absorver picos de demanda e reorganizar o fluxo de interações com clientes.
IA estratégica
Para ele, o projeto indica que a IA deixou de ser ferramenta de automação incremental e passou a operar como infraestrutura. Em cenários de crise, ela sustenta a comunicação, reduz atrito e amplia a resiliência da operação.
Outro ponto central do projeto, destacou, está na forma como a Iguá estruturou sua relação com a IBM. “O CEO da Iguá revisa o business case a cada seis meses para garantir que o que prometemos ao board está sendo entregue”, relatou o executivo sobre o envolvimento direto da alta liderança em relação ao tema.
Nesse modelo, parte da remuneração está vinculada à entrega efetiva de impacto, o que força disciplina tanto na execução quanto na priorização dos casos de uso.
Coelho resume o sucesso da iniciativa em três pilares: pessoas, parceiros e prática. “É preciso capacitar o time para entender o negócio de ponta a ponta. Escolher o parceiro certo, que esteja com você nos dias difíceis. E praticar. IA não chega pronta. É necessário testar, errar e refazer”, finalizou ele.
*A jornalista viajou a convite da IBM
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