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João Moressi, fundador e CEO da Opah. Foto: Divulgação

Ao longo de 2025, enquanto boa parte do mercado ainda testava pilotos e provas de conceito em inteligência artificial (IA), a Opah IT avançou para um estágio mais pragmático. A empresa embedou IA na maior parte dos projetos, reorganizou sua operação e colheu os resultados. O ano terminou com crescimento de 40%, faturamento de R$ 110 milhões e um pipeline que sustenta uma projeção ambiciosa para 2026: alcançar entre R$ 150 milhões e R$ 160 milhões em receita.

“Hoje, cerca de 90% dos nossos novos projetos já saem com IA embarcada”, reforça João Moressi, fundador e CEO da empresa. “Mas a IA não é mágica. Ela é estratégica, complementar, e só funciona quando está conectada a um problema real de negócio.”

Criada em 2012, a Opah nasceu, segundo Moressi, para ocupar uma lacuna específica do mercado, os projetos que ninguém queria assumir. Sistemas críticos, integrações difíceis, plataformas que já haviam falhado com outros fornecedores. Desde o início, a empresa se posicionou como parceira técnica para grandes organizações, com atuação agnóstica em tecnologia e forte base em software customizado.

“Estramos onde o risco era maior. Projetos grandes, complexos, muitas vezes já problemáticos. Isso acabou virando parte do nosso DNA”, orgulha-se o executivo.

Hoje, a companhia atua em três frentes: projetos com escopo fechado, squads contínuos orientados a produto e alocação de profissionais especializados. O modelo permitiu escalar mantendo profundidade técnica, um diferencial que, segundo o CEO, explica a fidelização de grandes clientes ao longo dos anos.

IA além do hype

Se 2024 foi o ano da experimentação, 2025 marcou, na visão da Opah, um ponto de inflexão. “Teve um momento em que todo mundo dizia que usava IA, mas na prática estava só digitalizando processos”, afirma. “Esse hype ensinou rápido que IA sozinha não resolve nada”, conta.

A maturidade veio quando as empresas começaram a integrar inteligência artificial como parte da arquitetura e não como um adendo. Na Opah, isso se traduziu no uso intensivo de plataformas como OpenAI e Google Cloud, além do desenvolvimento de agentes proprietários, configurados para rodar dentro da infraestrutura dos próprios clientes, quando há exigências de governança e soberania de dados.

“A grande virada foi entender onde a IA realmente faz sentido. Em muitos casos, ela entra para eficiência interna; em outros, para melhorar experiência do cliente e gerar receita”, explica.

Segundo o executivo, cerca de 70% dos projetos recentes têm foco direto em novas soluções para clientes finais, incluindo usabilidade, canais digitais, plataformas de relacionamento. Os outros 30% estão ligados à eficiência operacional, com destaque para áreas financeiras, contábeis e de controle interno, onde modelos generativos começam a atuar lado a lado com analistas humanos. “Antes, a IA era muito consultiva. Agora ela começa a executar junto”, resume.

Um exemplo citado envolve plataformas de treinamento corporativo, nas quais a IA passa a gerar roteiros, vídeos e conteúdos de capacitação em escala global, casos com dezenas de milhares de usuários distribuídos em milhares de lojas.

Além de vender projetos com IA, a Opah passou a usar inteligência artificial de forma sistemática dentro de casa. A empresa mapeou os principais gargalos enfrentados nos últimos três anos e transformou esse aprendizado em mais de 50 módulos reutilizáveis, prontos para acelerar novos desenvolvimentos.

“Quando um projeto começa, não partimos do zero. Existe uma camada de IA preparada em código para acelerar”, explica o CEO. Essa abordagem, segundo ele, será uma das principais alavancas para sustentar a meta de crescimento de 50% no próximo ano.

Crescimento sustentado e reforço do time

O avanço dos projetos se refletiu também na estrutura da empresa. Em 2025, a Opah contratou cerca de 140 profissionais e fechou o ano com aproximadamente 750 pessoas. Para 2026, o plano prevê próximo de 250 novas contratações, acompanhando a expansão da demanda. “O crescimento vem com muita responsabilidade operacional. Não dá para escalar sem estrutura”, alerta ele.

Embora São Paulo concentre a maior parte dos clientes, a Opah já atua em mais de 165 cidades brasileiras, com profissionais distribuídos pelo País. O plano para 2026 inclui a criação de hubs regionais, especialmente no Nordeste, além da abertura de escritórios comerciais fora do eixo paulista. “São regiões com muita demanda reprimida por tecnologia, governança e IA aplicada ao negócio”, afirma. “A expansão não é só geográfica, é de acesso.”

Nesse contexto ainda, a empresa criou uma diretoria de IT Operations (ITO), responsável por monitoramento 24×7, command center, segurança, performance e resposta proativa a incidentes. A área já conta com cerca de 25 profissionais e deve gerar, sozinha, algo em torno de R$ 15 milhões em faturamento em 2026.

A Opah também passa por uma reorganização de governança e engajamento. A estrutura foi dividida em quatro grandes frentes: comercial, operação, infraestrutura/arquitetura/inovação e recrutamento, com metas claras, gamificação, bônus e maior transparência sobre números e desafios. “Queremos que todos entendam para onde a empresa está indo, o que está funcionando e o que não está”, diz o CEO. “Crescer exige maturidade coletiva”, finaliza.

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