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Duas pessoas estão presentes na imagem, ambas vestindo camisetas pretas. A pessoa à esquerda está em pé, enquanto a pessoa à direita está sentada. O fundo é completamente branco, sem elementos adicionais visíveis. (Voa Health)

Quando ingressaram na primeira universidade, Filipe Loures e Solano Todeschini não imaginavam que um dia seriam fundadores de uma startup. A formação em medicina, no entanto, foi fundamental para que obtivessem êxito em sua futura empreitada. Para criar a Voa Health, assistente de inteligência artificial (IA) voltado a médicos e profissionais de saúde, foi necessário amplo conhecimento sobre as rotinas e necessidades específicas da profissão, além da inspiração para fundar a empresa.

Sempre ligados, de alguma forma, à área da saúde, a dupla se conheceu após a transição de carreira para o setor de TI, trabalhando em uma empresa que desenvolvia tecnologia para esse mercado. Foi então que se depararam com a possibilidade de solucionar um problema já vivenciado diversas vezes por Loures: a falta de tempo para dedicar atenção ao paciente.

“O médico passa 50% do tempo de uma consulta digitando, em vez de conversar com o paciente, e essa é a principal causa de burnout na profissão. Um prontuário, tudo bem, mas fazer isso 20 ou 30 vezes por dia é um negócio cruel”, relata Filipe.

Para reduzir essa sobrecarga e melhorar a experiência do profissional, os dois executivos desenvolveram uma plataforma que utiliza IA generativa para captar a conversa entre médicos e pacientes e transformá-la em prontuários, economizando em média até 10 minutos por consulta. Lançada em 5 de março de 2024, a startup já atingiu a marca de R$ 2,5 milhões em receita anualizada, com mais de 500 mil atendimentos realizados e cerca de 40 mil médicos cadastrados no sistema.

Em pouco mais de um ano, a equipe passou de dois fundadores para 25 colaboradores. O segredo para o sucesso? O boca a boca. Por já estarem inseridos no setor, os fundadores disponibilizaram o teste da Voa gratuitamente e começaram a indicar a solução para colegas. “A gente sabia que, lançando para o usuário final, teríamos receita mais rápido. É essa pessoa que precisa validar, para conseguirmos aprimorar e tornar o produto escalável”, afirma Loures.

A expansão veio a partir da escolha de um modelo menor de LLM para treinar a Voa, com apenas 72 milhões de parâmetros. A proposta era utilizar o mínimo possível para garantir uma ferramenta precisa, mas de baixa latência e resposta ágil, já que muitos médicos atendem em locais com infraestrutura limitada.

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Outra preocupação durante o desenvolvimento foi encontrar um modelo treinado com janelas de áudio superiores a 30 segundos, já que a precisão das palavras era essencial, sobretudo na hora de descrever o nome dos medicamentos. “Se eu cortar no meio de uma palavra, perdemos a acurácia. E a medicina não permite erros como outras indústrias”, explica Solano.

O executivo acrescenta que, como a plataforma foi inicialmente criada para o usuário final, um dos maiores focos da empresa era desenvolver a UI (User Interface) de forma totalmente personalizada, considerando que os médicos possuem formatos distintos para preencher prontuários, dependendo de sua formação e do local de trabalho.

“Também criamos recursos de colaboração em tempo real, não apenas com outros médicos, mas que permitem que a voz seja utilizada em diferentes dispositivos simultaneamente, o que é essencial em casos clínicos multidisciplinares.”

Depois de expandir pelo Brasil e chegar a países como Portugal, Argentina, México e Colômbia, chegou a hora do próximo passo: atuar no B2B. A estratégia, no entanto, não mudou. “O nosso cliente do B2C muitas vezes é o tomador de decisão no B2B”, explica Loures.

Essa dupla função dos médicos possibilitou à startup firmar parceria com a Unimed Vale dos Sinos, primeiro case B2B da companhia. “A Unimed tem essa particularidade de ser uma cooperativa de 120 mil médicos do Brasil. Então, isso aproxima muito o B2C e o B2B, e a indicação da Voa foi chegando às cadeiras mais altas”, relata o executivo.

Implementada na operadora regional do sistema no Rio Grande do Sul, a Voa Health realizou 20 mil consultas entre março e abril, em diferentes cenários clínicos, como pronto-socorros, consultórios e especialidades cirúrgicas. De acordo com a empresa, a maior adesão ocorreu na ala de pediatria.

Para chegar ao B2B, em termos de sistema, Solano explica que o desafio era tornar a Voa integrável e utilizável em qualquer ambiente. “Em setembro do ano passado, nós tornamos a Voa integrada com uma interface iFrame, inicialmente. Depois tivemos algumas interações até alcançar a maturidade atual, com várias interfaces e também uma extensão de navegador integrada.”

No caso da Unimed, a empresa ainda implementou modelos documentais específicos para as exigências de especialidades como cardiologia e gastroenterologia, além de disponibilizar versões voltadas a avaliações pré-anestésicas e anamneses para especialidades cirúrgicas.

Todo o projeto foi desenvolvido em parceria com a Faculdade Unimed, o que tem aberto portas para outras operadoras regionais, que já iniciaram testes e negociações para adoção da plataforma. Até o final do ano, a expectativa dos fundadores é atingir a marca de 600 mil consultas por mês, cinco vezes o volume atual, apenas no segmento B2B.

No B2C, Loures afirma que a meta é manter a taxa de crescimento mensal de 15%. Já no plano para os próximos 18 meses, o objetivo é alcançar uma receita anualizada de R$ 15 milhões, com 8 mil assinantes. Para além dos números, a perspectiva se apoia na visão de geração de valor da solução. “Eu gosto de simplificar: você tem que gerar valor no fim do dia. Se você gera valor, as pessoas percebem. E se é B2C ou B2B, isso é só uma questão de quem contrata”, conclui.

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