
A inteligência artificial deixou de ser uma fronteira tecnológica para se tornar a infraestrutura base do desenvolvimento econômico brasileiro. Esta foi a tônica do AI Brasil Day, evento realizado na última quarta-feira (1º), no Cubo Itaú, em São Paulo.
Reunindo cerca de 400 pessoas, entre lideranças e especialistas, o encontro também marcou um momento estratégico para o setor com o anúncio de Anderson Soares, fundador do CEIA-UFG, como novo Chief Artificial Intelligence Officer (CAIO) do ecossistema AI Brasil.
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Protagonismo brasileiro na corrida da IA
Para Pedro Chiamulera, fundador do AI Brasil, a contratação de Soares visa reduzir o abismo entre o debate teórico e a execução prática nas empresas. “Não pensamos na IA como tendência, mas como infraestrutura. Queremos fazer o Brasil sair da posição de espectador e assumir o protagonismo, transformando tecnologia em desenvolvimento real”, afirma.
O professor Anderson Soares reiterou que sua chegada ao ecossistema busca somar forças para aproveitar uma “janela tecnológica” única. Segundo ele, o foco será a mobilização empresarial para elevar a competitividade nacional por meio de novos instrumentos que complementam a pesquisa acadêmica já realizada pelo Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA).
O dilema da regulamentação
Durante um dos painéis, houve discussão sobre o projeto de lei de regulamentação da IA no Brasil. O Dr. Arlindo Galvão, diretor do CEIA, trouxe uma visão equilibrada sobre o tema, alertando para os riscos da “super burocratização” vista em outros países. “Precisamos explorar limites. Nada pode ceifar a evolução do estado da arte. Tudo o que fazemos em IA carrega a mesma seriedade científica de uma neurocirurgia, sempre pautada por valores éticos”, pontuou.
Chiamulera complementou a discussão com um viés empreendedor, defendendo que a adoção rápida é o melhor caminho para o aprendizado regulatório. “Tem que haver regulação, mas quanto mais liberdade tivermos para adotar, mais rápido geramos impacto. Os benefícios são tão grandes que precisamos correr; a regulação muitas vezes demora mais do que a inovação”, defende.
Da IA conversacional para a era agêntica
Um ponto técnico de destaque foi a diferenciação dos níveis de maturidade da tecnologia. Anderson Soares revelou que muitas grandes empresas ainda enxergam a IA apenas em seu nível mais básico: ferramentas de chat e produtividade simples. O estágio mais avançado, segundo ele, pertence aos sistemas agênticos, capazes de realizar tarefas complexas e encadeadas, como planejar uma jornada logística inteira de ponta a ponta.
“O desafio atual das empresas é evoluir da conversa para a ação automatizada, utilizando a IA para extrair insights de dados não estruturados que sistemas tradicionais, usados há 30 anos, não conseguem processar”, explicou Soares.
Transformação cultural e legado
A sucessão no CEIA também foi pauta, com a Dra. Telma Woerle de Lima Soares assumindo a frente do Centro. Ela reforçou que o movimento é de continuidade e amadurecimento das lideranças formadas desde 2022.
O evento ainda contou com nomes como Rafael Siqueira, da McKinsey, e Andrei Golfeto, da Nvidia. A mensagem final reforçou que a IA é a soma de 40 anos de transformação digital, da eletrônica à mobilidade.
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