
No seu caminho até se tornar uma das principais fintechs nacionais da atualidade, o Asaas manteve uma proposta de valor relativamente simples: facilitar a parte de “contas a pagar e receber” em pequenas e médias empresas. Contudo, para continuar sua trajetória de expansão, a companhia quer acelerar em crédito. Para isso, anunciou passos concretos, como a criação de uma divisão dedicada a esses produtos e a chegada de um VP experiente no mercado para conduzir a estratégia.
Para liderar essa nova unidade de negócios, Paulo Augusto Forattini chega como VP de Política e Estratégia de Crédito. Com 20 anos de mercado financeiro e uma trajetória construída sobre produtos de crédito – o mais recente deles no iFood Pago – ele chega ao Asaas enxergando uma janela de oportunidade: um ecossistema com R$ 5 bilhões em TPV mensal, gerando dados proprietários sobre o comportamento financeiro de milhares de pequenos e médios empresários.
“Eu vejo o Asaas como um ambiente muito propício para criar produtos de crédito, mas de forma não tradicional”, diz o executivo. “Com o volume que temos, geramos dados para conseguir modelar crédito para o segmento de PMEs, que historicamente precisa de uma atenção um pouco maior do mercado financeiro”, explica, em conversa exclusiva com o Startups.
Perguntado sobre quanto o Asaas pretende movimentar este ano em termos de crédito, Paulo não deu valores. A fintech divulga apenas dados gerais da operação, cuja meta é atingir R$ 1 bilhão em receita até o fim do ano e R$ 2 bilhões em 2027.
Contudo, ele admitiu que o plano é construir sobre o que a fintech já fez no ano passado, quando iniciou seus esforços nessa área com um produto de cartão de crédito. Além do cartão, em 2025 a empresa lançou um produto de antecipação de recebíveis. Para financiar essas novidades, no ano passado o Asaas captou R$ 100 milhões em um FIDC com a Kanastra e o Itaú BBVA.
Para garantir funding na aceleração de suas iniciativas de crédito, a startup obteve uma autorização importante. Em fevereiro, a fintech recebeu do Banco Central a licença para migrar de Sociedade de Crédito Direto (SCD) para financeira (SCFI). Segundo Paulo, as vantagens da nova licença vão além da possibilidade de criar novos produtos.
“A licença SCFI é uma parte do quebra-cabeça, porque permite que a gente capte recursos por meio de outras ferramentas de captação que o mercado oferece, além do FIDC. Na medida em que consigo captar recursos de forma mais barata, consequentemente consigo oferecer crédito com condições melhores para os nossos clientes”, explica.
Roadmap e foco
Apesar da abertura para criar novos produtos de crédito, as prioridades iniciais do novo VP ainda estão bastante apoiadas nos produtos existentes. “A minha prioridade neste começo é escalar, tanto na parte de política de crédito quanto em melhorar as jornadas e entender melhor as necessidades do cliente, para saber qual é o melhor tipo de crédito naquele momento”, detalha.
O cartão de crédito segue como a principal aposta, ocupando um papel estratégico no engajamento dos clientes com a solução. “O cartão, diferente de outros produtos de crédito, é aquele com o qual o cliente se relaciona quase todos os dias. Isso me permite entender o comportamento de consumo, construir uma proposta de valor e, a partir disso, abrir espaço para cross-sell de outros produtos do Asaas“, diz o executivo.
Esse raciocínio também explica por que o Asaas apostou primeiro em cobranças e pagamentos e só agora está acelerando em crédito. Para o VP, a sequência não é uma limitação, mas uma vantagem competitiva.
“É muito mais fácil conceder crédito quando você tem o histórico dos recebíveis do cliente do que quando não o conhece bem”, afirma. “Começar por pagamentos e cobranças, para depois oferecer crédito, é uma vantagem competitiva no mercado PJ, pelo fato de você ter recebíveis para analisar”.
Mesmo com os planos de crescimento, Paulo prefere diferenciar a visão do Asaas da de outras fintechs, nas quais o crédito é um motor central de crescimento do negócio. Para o VP, os produtos de crédito da fintech são mais um acelerador do ecossistema, com impacto no core da startup, que são os pagamentos e recebimentos.
“Não estamos criando produtos de crédito para que eles sejam maiores que o nosso core business”, explica. “É para o pequeno e médio empreendedor que precisa de liquidez, que precisa comprar insumos com crédito rotativo para depois vender usando os produtos do Asaas para cobrar. Estamos cada vez mais criando produtos financeiros para ajudá-lo a fomentar o próprio negócio”, finaliza.
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