
Claudia Marquesani define os desafios vividos em seus cem primeiros dias na Copa Energia como aprender um novo idioma. “Toda vez que trocamos de cargo, é como se estivéssemos adentrando um novo universo, com pessoas e linguagens diferentes. Ainda mais para mim, que mudei de setor.”
Em julho do ano passado, após três anos como CIO da Petz, a executiva decidiu navegar pelo setor de Utilities com a missão de liderar a transformação digital da empresa. O desafio exigiu muito além da tecnologia. E, para ela, esse é o futuro da profissão. “O CIO não é mais só quem escolhe tecnologia. Precisei redesenhar equipe, defender orçamento e dialogar com pares”, afirma.
Sem um roteiro definido, como acontece com muitos executivos, Claudia construiu seu espaço na organização aplicando ferramentas da carreira e aprendizados de congressos e estudos. No último ano, mapeou mais de 50 projetos alinhados à estratégia da empresa, liberou mais de 20 programas antes bloqueados, definiu o roadmap de inteligência artificial, incluindo IA generativa e preditiva, e acumulou diversas outras entregas relevantes.
O segredo, segundo ela, foi aprender a se conectar com seus pares, refazendo a imagem da TI na empresa. Para isso, Marquesani criou comitês de gerenciamento de projetos com diversas áreas de negócios e escolheu começar por entregas que gerassem automação dentro das unidades, acelerando processos e ganhando eficiência.
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Além disso, a executiva precisou viver na prática o conceito de ambidestria, já que a nova estratégia para a transformação digital foi feita junto com as entregas de antigos projetos bloqueados. Um reflexo dessa experiência é o redesenho do próprio time na Copa Energia.
Dividida em duas unidades, a equipe hoje possui uma parte focada em ‘exploration’, pensando a nova esteira de produtos da organização e outra orientada ao ‘exploitation’, trabalhando os débitos técnicos remanescentes. “Aproveitei tudo que vivi nos outros segmentos. Do ponto de vista de entendimento da estratégia, de conexão com as pessoas, de liderança de times.”
No caminho, a CIO percebeu que sua experiência poderia virar um guia útil a outros executivos. Assim nasceu o Playbook do CIO, um manual para os primeiros cem dias em uma nova cadeira. “Percebi que ter métodos e um framework ajudaria muita gente, então fui construindo o playbook conforme vivia essa jornada.”
Nas páginas, Claudia responde de forma simples a grandes questões: quais laços construir, como gerar resultados rápidos e como avaliar equipes, captar iniciativas e defender orçamentos — sempre apoiada em frameworks práticos.
Além de apoiar outros CIOs, o playbook guiou o storytelling da executiva em sua apresentação estratégica de cem dias ao board da Copa Energia. “Fui a própria cobaia do meu produto, mas o presidente adorou e aprovou o orçamento que eu precisava.”
Com o novo orçamento e nota média de satisfação das vice-presidências de 8,8 (em uma escala de 0 a 10), Claudia inicia uma nova fase na Copa Energia, com a TI integrada à estratégia do negócio. Entre os projetos em andamento estão medição individualizada automática, atendimento omnicanal para revendas e digitalização dos centros operativos. “No próximo ano, terei muitos projetos interessantes para compartilhar”, comemora.
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