
Há 40 anos, Ricardo Bloj tomou uma decisão que mudaria sua vida. Apaixonado por mecânica e acostumado a desmontar carros, ele vislumbrava seguir por esse caminho até se deparar, em uma edição da revista Business Week, com um artigo sobre circuitos integrados. “Ali percebi que o futuro passaria pela eletrônica. Decidi fazer engenharia eletrônica e mergulhar nesse universo que mudaria o mundo”, relembra.
Foi o início de uma trajetória marcada pela curiosidade técnica e pela capacidade de transformar conhecimento em gestão. Bloj começou a carreira no desenvolvimento e depois se especializou em robótica. Sua passagem por empresas como IBM e Solectron lhe deu bagagem para equilibrar o olhar técnico com a vivência administrativa.
“Normalmente o CEO vem de vendas ou marketing. O meu caminho foi diferente: nasci na área técnica e depois me desenvolvi em vendas. Isso me tornou um executivo mais completo, porque conheço a fundo a cadeia de suprimentos, pesquisa e desenvolvimento e a operação como um todo”, conta.
Essa combinação de visão detalhista com habilidade de articulação é uma das marcas de sua gestão. Próximo do time, Bloj costuma acompanhar de perto a operação, passando horas analisando números, margens e campanhas. “No nosso mercado, qualquer descuido consome a margem. Não se pode perder de vista o detalhe”, observa. É esse equilíbrio entre atenção minuciosa e confiança em uma diretoria estável, quase sem trocas nos últimos dez anos, que sustenta a base da Lenovo Brasil.
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Desde que assumiu a presidência em 2017, após 14 meses como COO, Bloj conduziu a companhia a uma posição de destaque. Quando chegou, a marca tinha 11% de participação de mercado; hoje, mantém a liderança no segmento de PCs há mais de sete anos, com 27% de market share. Essa consistência se repete no varejo, onde a Lenovo é a mais vendida no Brasil no mesmo período. A diversificação para tablets, smartphones e serviços agregados reforça a estratégia de ampliar valor para o cliente e garantir crescimento sustentável.
Além dos números
Sob sua liderança, a Lenovo tornou-se referência em projetos de inovação com impacto social e ambiental. Um dos maiores exemplos é o TRAdA (Telemonitoramento Remoto Assistido de Arritmia), desenvolvido em parceria com o InCor. O dispositivo vestível monitora sinais cardíacos com apoio de inteligência artificial (IA), permitindo a detecção precoce de arritmias e salvando vidas tanto em pacientes pós-operatórios quanto em atletas de alto rendimento.
Na sustentabilidade, Bloj posicionou a operação brasileira como protagonista. A fábrica em Indaiatuba, no interior de São Paulo, opera com energia renovável, reciclagem de água e painéis solares. A Lenovo também adota embalagens de bambu, soldas de placas com menor consumo energético e oferece compensação de carbono aos clientes. “Não dá para falar de tecnologia sem falar de responsabilidade ambiental. Nossa meta é atingir net zero até 2050, e cada inovação na linha de produção já é um passo nessa jornada”, destaca.
A próxima década, impulsionada pela inteligência artificial, será mais transformadora que as últimas quatro. Para ele, o desafio agora é guiar a Lenovo na transição de uma empresa reconhecida por hardware para um ecossistema de soluções completas em serviços e IA. “Temos mais de 600 projetos de inteligência artificial em andamento no Brasil. A questão é como ajudar o cliente em sua jornada de IA, indo além da transformação digital e entrando na era da transformação inteligente”, afirma.
Ao unir a experiência técnica com a habilidade de gestão, Bloj construiu uma liderança que equilibra resultados financeiros consistentes, inovação social e compromisso ambiental. Não à toa, foi reconhecido como vencedor na categoria Hardware e finalista em Sustentabilidade – Indústria de TI no prêmio Executivo de TI do Ano 2025.
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