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Quando a bola rolar no dia 11 de junho desse ano, nos EUA, México e Canadá, começará a Copa do Mundo de Futebol Masculino mais tecnológica de todos os tempos. Sensores, inteligência artificial e sistemas de análise de dados em tempo real estão alterando não só a forma como o jogo é arbitrado, mas também como atletas se preparam e decisões são tomadas durante as partidas.

“O futebol se tornou altamente orientado por dados, com informações sendo processadas em tempo real a partir de múltiplas fontes”, diz em comunicado Kenneth Corrêa, palestrante e professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV), além de autor do livro Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes.

Um dos exemplos dessa mudança é a própria bola. Na Copa de 2026, a “pelota” terá chip de IA e sensor de movimento de 500 Hz embutido. Elas transmitem dados de posição, rotação e até impacto da chuteira em tempo real para as equipes de arbitragem. Segundo Corrêa, essas informações alimentam sistemas de rastreamento óptico com múltiplas câmeras.

“O cruzamento desses dados permite a operação de tecnologias como o impedimento semiautomático, que reduz o tempo de análise de lances e padroniza decisões”, diz.

O sistema de rastreamento óptico da FIFA utiliza 16 câmeras instaladas sob o teto dos estádios e é capaz de captar 29 pontos do corpo de cada jogador até 50 vezes por segundo. Com os sensores na bola, gera alertas quase instantâneos, segundo a própria FIFA. Na prática, isso significa menos tempo de paralisação e maior precisão, embora a arbitragem e a interpretação das regras sob cada lance ainda dependam de decisões humanas.

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Bastidores e experiência

Fora das quatro linhas, comissões técnicas terão acesso a plataformas que analisam padrões de jogo, de passes e ocupação de espaços em campo em tempo quase real. Essas ferramentas permitem ajustes táticos durante a partida com base em dados atualizados constantemente, um contraste com o modelo tradicional, baseado principalmente em observação e experiência.

Sensores acoplados a equipamentos dos jogadores ajudam a monitorar indicadores físicos, como carga muscular e sinais de fadiga. Assim, as comissões técnicas conseguem antecipar riscos de lesão e tomar decisões mais informadas sobre substituições.

Do lado do torcedor, as transmissões para quem estiver em casa passam a contar com gráficos avançados, replays em 3D e recursos de realidade aumentada. Rastreamento óptico e impedimento semiautomático inserem uma mudança no que o telespectador enxerga: ao invés de linhas desenhadas manualmente, as emissoras recebem gráficos 3D automáticos e replays volumétricos que explicam visualmente e com precisão a decisão da arbitragem.

No estádio, a experiência também passa a ser interativa. “Na Copa do Catar, por exemplo, o aplicativo FIFA+ introduziu o Stadium Experience, uma funcionalidade de Realidade Aumentada. O torcedor apontava o celular para o gramado e via, sobrepostos na tela, estatísticas ao vivo, a velocidade de um atleta em tempo real e revia os lances do VAR pelo próprio aparelho, reduzindo a incerteza sobre as decisões do árbitro”, lembra o especialista.

“Este ano, com a robusta infraestrutura de 5G dos Estados Unidos, México e Canadá, a expectativa é que essa camada de ‘estádio inteligente’ e realidade mista (aumentada + virtual) se torne o padrão absoluto”, diz Corrêa.

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