
A Nexa lançou nessa terça-feira (22) o Brazil Tokenization Report 2026 (BTR), relatório sobre tendências do mercado de tokenização e ativos digitais no Brasil. O documento aponta o crédito privado como o próximo produto a ganhar escala por meio da tecnologia e examina a integração entre blockchain e inteligência artificial (IA) no mercado financeiro.
A publicação chega em um momento em que o crédito privado já domina o universo dos ativos tokenizados no país. Segundo o BTR, 88% dos mais de R$ 10 bilhões tokenizados no Brasil correspondem a crédito privado, volume distribuído em sete classes de instrumentos, o equivalente a cerca de R$ 7 bilhões.
Crédito privado na tokenização
Entre os entrevistados pelo relatório, 48% apontam o crédito privado como o próximo produto a alcançar escala com a tokenização, percentual mais que o dobro da segunda opção mais citada: títulos públicos e do Tesouro, com 20%.
Sobre o setor que deve impulsionar esse crescimento, 41% dos entrevistados indicam a economia real, ou seja, as empresas em geral, à frente de agronegócio (10%), infraestrutura (10%) e real estate (9%).
A coordenadora do BTR e sócia da Nexa, Cecília Melo, explica por que o segmento reúne características que tornam a tokenização especialmente relevante: “Por ser menos líquido e envolver processos mais manuais, investimentos pulverizados e não padronizados, o crédito privado apresenta uma estrutura na qual a tecnologia pode reduzir fricções relacionadas à liquidez, aos custos, padronização e à transparência”.
O cenário brasileiro está alinhado ao movimento global; mundialmente, já são US$ 7 bilhões em crédito privado tokenizado, segundo o relatório.
Brasil e a adoção de IA no mercado financeiro
O BTR também mapeia a presença da IA no setor financeiro brasileiro. Os dados do relatório mostram que 78% dos bancos, alocadores e provedores de infraestrutura entrevistados já operam com IA generativa em produção, enquanto 35% já utilizam IA agêntica. As aplicações mais comuns estão em inteligência de mercado (65%), compliance (56%), risco e fraude (54%) e análise de crédito (51%).
Esse ritmo de adoção reflete um comportamento mais favorável à tecnologia entre os brasileiros em comparação com outros países. Levantamento da University of Melbourne e da KPMG mostra que 60% dos brasileiros confiam em IA e 75% afirmam utilizá-la intencionalmente no trabalho, índices superiores à média global e aos registrados em economias avançadas como Estados Unidos e Japão.
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Para Cecília, a combinação entre IA e blockchain representa uma ruptura diferente de todas as ondas tecnológicas anteriores: “Toda onda tecnológica mudou a forma como as pessoas investem; a tela eletrônica, o desktop, o home broker, a nuvem, o mobile. Cada uma ampliou o acesso; nenhuma mudou o produto. IA e blockchain são a primeira que muda o produto. A IA fornece a camada de inteligência: entende o objetivo, interpreta e decide. A blockchain fornece a camada de execução: emite, liquida e registra. Juntas, tornam possível a personalização em escala”.
Além do crédito privado e da adoção de IA, o Brazil Tokenization Report 2026 aborda o crescimento dos ativos tokenizados, a construção de trilhos próprios de tokenização por instituições tradicionais, a transformação de plataformas cripto em bancos licenciados e outras mudanças em curso no mercado financeiro.
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