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Montagem com três executivos: à esquerda, Cesar Gon, CEO da CI&T, falando ao microfone; ao centro, Renan Torres, CRO da Arklok, sentado e olhando para a câmera; à direita, Claudia Muchaluat, CRO da Logicalis, sorrindo em um ambiente corporativo, crescimento orgânico

Em um ano marcado pelo alto custo de capital, reprecificação global de tecnologia, ciclos comerciais mais longos e pressão das companhias para demonstrar retorno rápido sobre projetos de transformação, especialmente os de inteligência artificial (IA), três empresas mostram que consistência estratégica ainda é o que sustenta resultados.

CI&T, Arklok e Logicalis adotaram estratégias distintas, mas conectadas por uma mesma premissa: crescimento orgânico sustentado por eficiência, tecnologia e geração real de valor para os clientes.

Essa escolha se torna ainda mais significativa em um contexto no qual o apetite por fusões e aquisições (F&As) diminuiu sensivelmente. Consultorias globais apontam que o volume de F&As em tecnologia caiu entre 20% e 30% nos últimos 18 meses, reflexo direto dos juros altos, da menor liquidez internacional e de valuations desalinhados com as expectativas dos vendedores. Com menos deals relevantes no radar e um ambiente mais racional, empresas passaram a priorizar produtividade, integração de IA e otimização.

CI&T soma quatro trimestres de crescimento orgânico

A CI&T encerrou o terceiro trimestre de 2025 com seu quarto ciclo consecutivo de crescimento orgânico de dois dígitos. A receita chegou a US$ 127,3 milhões, alta de 13,4% ante o ano anterior, enquanto o lucro líquido avançou 72%. O EBITDA ajustado ficou em US$ 23,5 milhões, com margem de 18,5%.

Segundo Cesar Gon, CEO da CI&T, o desempenho é consequência direta da estratégia de IA adotada nos últimos anos. “Nos últimos anos, focamos intensamente na implementação da nossa estratégia de inteligência artificial por meio do CI&T Flow. Essa abordagem permitiu que nossos times aumentassem significativamente a produtividade, gerando mais valor para os nossos clientes”, afirma.

O executivo reforça que a adoção interna foi um passo essencial para consolidar a estratégia. “Primeiro, garantimos o domínio interno da IA. Com isso, alcançamos uma taxa de adoção de 85% do CI&T Flow em toda a organização”, diz. O resultado: 4,7 mil agentes de IA executando desde automações simples até fluxos complexos.

Esse avanço sustentou a expansão em grandes contas, que cresceram 19,5% no trimestre. “Quando os clientes veem os resultados concretos de se engajar com a CI&T, eles tendem a concentrar mais demanda conosco”, explica Gon.O crescimento orgânico, segundo ele, não é acaso. “Nosso histórico de 30 anos é pautado pelo crescimento orgânico. Agora, com uma base sólida e resultados consistentes, retomamos uma análise ativa de oportunidades, especialmente para ampliar nossa presença no mercado norte-americano”, afirma.

Na Arklok, regionalização, ecossistema e agressividade comercial dão o tom

Se a CI&T acelera pela eficiência e pela IA, a Arklok cresce apoiada em estratégia comercial e presença regional. A empresa cresceu oito vezes em quatro anos, triplicou a operação em três anos e hoje possui 18% de market share no modelo hardware as a service, segundo a IDC.

Renan Torres, Chief Revenue Officer (CRO) da Arklok, explica que o ambiente desafiador do pós-pandemia se transformou em oportunidade para a empresa. “O mercado de hardware as a service se tornou tendência. A taxa de juros alta prejudicou pequenas empresas, mas impactou positivamente a Arklok. Por sermos investida por um fundo, conseguimos boas captações”, afirma.

O executivo liderou uma revisão completa de posicionamento e processo comercial. “Entendemos quem era nossa persona, criamos a narrativa certa e batemos na proposta de valor, no benefício financeiro e operacional”, explica. A estratégia incluiu regionalização. “O Brasil é continental. Criamos bases regionais para garantir atendimento local. Isso deu muito certo”, diz.

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A expansão ganhou outra camada com parcerias white label com Claro, TIM, Algar, Vero e outras teles. “As teles têm milhares de clientes. Pela via tradicional seria impossível chegar a esse mercado”, afirma Renan.

O diferencial, segundo ele, é o ecossistema. “Não nos limitamos ao hardware. Desenvolvemos software de monitoramento, motor de precificação, CRM, portal do cliente. Criamos valor em cima do equipamento”, diz.

Torres também explica por que a empresa descartou aquisições. “Liderei o comitê de M&A. Era um mercado fragmentado, com empresas pequenas e ativos antigos, não faria sentido. Crescer organicamente é mais difícil, mas mantém cultura, eficiência e domínio das informações”, afirma.

O resultado aparece nos números. “Poucas empresas no Brasil saíram de R$ 50 milhões para mais de R$ 400 milhões em quatro anos. Isso não é sorte. É estratégia, inquietude e execução”, diz.

Logicalis tem impacto real com IA

A Logicalis segue outro caminho, guiado por profundidade técnica e relacionamento estratégico com clientes enterprise. A empresa mantém forte presença em serviços financeiros, telecom, setor público, mineração e utilities, sustentada por ofertas de segurança, cloud, dados, IA e serviços gerenciados.

Segundo Claudia Muchaluat, CRO da Logicalis, a prioridade é atuar onde existe impacto claro para o negócio. “A IA ainda é considerada hype, mas nossa visão é garantir que ela esteja resolvendo um problema importante. Tecnologia nunca pela tecnologia”, afirma.

Ela reforça que os projetos começam pelo que importa. “É preciso ter o buy-in do C-Level e dar visibilidade dos benefícios. Quando combinamos eficiência e produtividade com savings, criamos o funding para outros projetos de transformação”, diz.

A empresa avança também na adoção interna de IA, seguindo a filosofia de cliente-zero. “Buscamos liberar nosso time para atividades mais estratégicas. Um dos casos foi do jurídico, que começou com 16 normas e alcançou assertividade acima de 75%. É sobre entender quais atividades são melhores executadas pela IA e quais pelo ser humano”, explica.

De acordo com ela, a estratégia da Logicalis é de longo prazo. “Focamos no entendimento dos desafios do cliente e, a partir dessa relação, contribuímos com aumento de receita, redução de custos ou ganho de produtividade. Upsell, cross-sell e inovação são consequência”, assinala Claudia.

Com o ano fiscal terminando em fevereiro de 2026 e um mercado ainda desafiador, a empresa mantém o foco. “Não vamos mudar nossas apostas. Segurança, cloud, dados, IA e profundidade nos setores em que atuamos continuam sendo nossas prioridades”, conclui.

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