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Sam Altman, CEO da OpenAI e fundador da Worldcoin. Imagem: Shutterstock

Durante o GITEX Global 2025, um dos maiores eventos de tecnologia do mundo, Sam Altman, cofundador da OpenAI, apresentou uma visão ambiciosa, e pragmática, sobre o futuro da inteligência artificial (IA). Participando virtualmente de um painel intitulado “From Early Adoption to AI-Native Societies”, Altman afirmou que o progresso da IA já não depende apenas de algoritmos, mas da capacidade global de gerar e distribuir energia.

“Estamos caminhando para um mundo em que o custo da inteligência vai convergir com o custo da energia”, declarou. Para ele, países que desejam colher os benefícios da revolução da IA precisam desenvolver estratégias nacionais robustas para geração, transmissão e construção de data centers, integrando políticas energéticas e tecnológicas.

Altman descreveu uma transição acelerada da IA: de brinquedo a ferramenta essencial e, em breve, a um verdadeiro “colega digital”. Segundo ele, os agentes inteligentes já estão realizando trabalhos cognitivos complexos, e esse impacto se tornará visível em etapas. Em 2025 agentes vão executar tarefas cognitivas em escala. Em 2026, sistemas capazes de gerar novos conhecimentos, e não apenas resumos. Já em 2027 robôs realizando tarefas físicas com confiabilidade.

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O executivo destacou que a sociedade vive uma “coevolução” com a tecnologia, em que avanços e adaptações acontecem simultaneamente. “Não é uma queda súbita da tecnologia sobre as pessoas, mas um processo de troca constante entre inovação e adaptação social”, afirmou.

Energia e infraestrutura, novos gargalos da IA

Para Altman, o crescimento da IA depende menos do ritmo de inovação e mais da infraestrutura que a sustenta. “Centros de dados estão se tornando o gargalo. Precisamos de estratégias nacionais que tratem energia e computação como parte de uma mesma equação”, defendeu. Ele citou que países que investirem em energia limpa, acessível e confiável terão vantagem competitiva na nova economia da inteligência.

Altman também alertou que a indústria discute pouco um ponto essencial: a automação da própria infraestrutura. “Fala-se muito sobre IA fazendo pesquisa de IA, mas pouco sobre data centers construindo outros data centers, ou robôs montando robôs e isso tem implicações óbvias em escala e custo.”

Ao ser questionado sobre o impacto mais transformador da IA, Altman apontou a ciência. Ele afirmou que modelos como o GPT-5 já começam a contribuir com pequenas, mas reais descobertas científicas. Essa tendência, combinada com a automação física, pode acelerar ciclos de inovação em áreas como biologia, materiais e energia. “O progresso científico é o motor mais poderoso de crescimento econômico sustentável”, disse.

Trabalho e propósito na era das máquinas

O líder da OpenAI reconhece que sistemas avançados ultrapassarão a capacidade humana em muitas tarefas cognitivas, mas argumenta que o papel das pessoas será redefinido, não eliminado. “As máquinas dirão o que está acontecendo e o que pode acontecer. Cabe a nós decidir por que isso importa e o que fazer a partir daí.”

Altman acredita que a IA ampliará as opções humanas e reduzirá o tempo de decisão, mas valores, propósito e responsabilidade continuarão sendo atributos exclusivamente humanos.

Chamado à ação para governos e empresas

Encerrando sua fala, o cofundador da OpenAI delineou quatro prioridades para líderes e formuladores de políticas:

  1. Planejar nacionalmente: integrar educação, energia e infraestrutura em uma estratégia única de IA;
  2. Implantar agentes onde geram valor: medir resultados por tempo e qualidade, não apenas por pilotos;
  3. Investir em energia limpa: transformar política energética em política de crescimento;
  4. Capacitar populações: democratizar o uso de ferramentas e promover alfabetização em IA.

“Fazemos tudo isso porque acreditamos que a IA pode transformar o mundo para melhor e as pessoas merecem participar dessa transformação”, concluiu.

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