
A Databricks dá um passo estratégico no Brasil com o anúncio da disponibilidade de sua plataforma no Google Cloud Platform (GCP). O movimento, revelado por Marcos Grilanda, vice-presidente e gerente-geral da empresa para a América Latina, representa a terceira parceria de infraestrutura no País, somando-se à Amazon Web Services (AWS) e Azure. “Foi um investimento pesado de ambas as partes e que vinha sendo solicitado pelos clientes desde o ano passado”, afirma o executivo sem, no entanto, revelar valores.
A expansão para o GCP responde a uma demanda crescente das empresas por modelos multicloud. Segundo Grilanda, fatores como regulamentação, custo, competição entre provedores e diversidade de funcionalidades impulsionam essa necessidade. “Os clientes querem ser nativos em todas as nuvens, e isso gera uma vantagem para a Databricks: oferecemos uma camada única de dados e segurança, independentemente do provedor”, explica. Setores como o financeiro e o varejo já são beneficiados.
Segurança e soberania como prioridades
O anúncio também reforça a importância de atender requisitos locais. “No Brasil, há uma demanda clara de órgãos de governo e de empresas para manter os dados dentro do País. Segurança e soberania são pontos centrais”, ressalta Grilanda. De acordo com ele, a tecnologia oferecida será a mesma já consolidada em outras regiões, sem necessidade de provas adicionais de eficácia.
Para o executivo, os dados são hoje um ativo de alto valor estratégico, e a Databricks diferencia-se ao oferecer rastreabilidade, governança e controle de acessos. “Segurança vem em primeiro lugar, seguida de soberania. Esse é o caminho para garantir confiança”, afirma.
Crescimento acelerado e aposta em IA
A Databricks registrou crescimento de 150% nos últimos dois anos na América Latina, o que, segundo Grilanda, exige expansão de parcerias e alternativas de infraestrutura. “Mesmo em um cenário macroeconômico instável, as empresas precisam ser competitivas, fazer bom uso dos dados e da inteligência artificial (IA), otimizando custos e extraindo vantagens”, avalia.
A empresa aposta em democratizar o uso de dados e IA, com exemplos concretos como o iFood, que utiliza a plataforma para escalar análises em larga escala. “Em vez de levar os dados para os modelos de GenAI, trazemos os modelos para a plataforma. Assim, reduzimos custos e colocamos a governança nas mãos do cliente”, destaca o executivo.
A estratégia inclui parcerias nativas com provedores como a Anthropic e forte atuação em código aberto. “Queremos oferecer opções. Se o cliente prefere trabalhar com OpenAI, DeepSeek ou outro provedor, a plataforma está pronta para isso”, acrescenta.
Globalmente avaliada em US$ 100 bilhões, com receita anual de US$ 3,7 bilhões, a Databricks tem como missão democratizar o acesso aos dados. Grilanda cita o caso da WebMotors, que reduziu em 75% o tempo de criação de relatórios ao adotar o Genie, solução que permite que áreas de negócio criem consultas diretamente, sem depender de times técnicos.
“Quando colocamos o dado na mão do usuário de negócio, ele passa a ser protagonista. Esse é o futuro: tornar o dado acessível, seguro e útil para todos”, conclui.
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