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Ivo Ivanov e Darwin Costa (Imagem: divulgação) (Google) (DE-CIX)

A DE-CIX firmou uma parceria com o Google para manter o tráfego de dados dentro do Brasil, movimento que marca o primeiro ano de operação da operadora de Internet Exchange (IX) no País.

A iniciativa busca reduzir a dependência de rotas internacionais e melhorar o tempo de resposta em aplicações digitais. Em linhas gerais, os IX são pontos de interconexão que permitem a troca direta de tráfego entre redes, evitando que os dados precisem percorrer caminhos mais longos fora do País.

Segundo a empresa, a parceria amplia a capacidade de conexão local e responde a uma demanda crescente por desempenho e previsibilidade, especialmente entre grandes empresas e provedores de conteúdo.

Para Ivo Ivanov, CEO global da DE-CIX, o Brasil tem potencial para se consolidar como um dos principais mercados digitais. “É sobre construir uma infraestrutura em que o dado brasileiro seja processado localmente”, afirma.

“O dado brasileiro tem que ser treinado no Brasil”, completa o executivo.

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Redução de latência

A conexão direta com plataformas de conteúdo tende a reduzir a latência, ou seja, o tempo de resposta das aplicações.

Segundo Darwin Costa, diretor-geral da DE-CIX para Brasil e América Latina, em alguns cenários o tempo de resposta pode cair de cerca de 160 milissegundos, quando o tráfego depende de rotas internacionais, para menos de 10 milissegundos com a troca local de dados.

“Latência deixou de ser um diferencial e passou a ser um requisito para aplicações críticas”, diz.

Expansão da infraestrutura

Além da parceria com o Google, a DE-CIX planeja expandir sua presença no País. Atualmente, a empresa soma 55 clientes conectados em São Paulo e no Rio de Janeiro e avalia a chegada a outras regiões.

A estratégia inclui parcerias com empresas como Samm e OpenX para ampliar a capilaridade da infraestrutura.

No caso da Samm, a proposta é utilizar redes de fibra óptica associadas a corredores logísticos para melhorar a conectividade em regiões fora dos grandes centros. Já a OpenX atua na integração com o mercado de mídia digital e publicidade.

A expectativa da empresa é viabilizar cerca de 20 novas conexões à plataforma ao longo de 2026.

Soberania de dados entra na agenda

A discussão sobre soberania digital foi um dos pontos centrais do encontro. Para Ivanov, o Brasil precisa ampliar sua participação na infraestrutura global de tecnologia.

“O Brasil precisa estar na mesa onde as decisões são tomadas”, afirma.

O executivo também defende que o desenvolvimento de aplicações baseadas em inteligência artificial esteja mais próximo da origem dos dados, tanto por questões de desempenho quanto de governança.

Entraves ao crescimento

Apesar do avanço, a empresa aponta desafios para a expansão da infraestrutura digital no País. Entre eles estão a carga tributária e a burocracia.

Ivanov cita a Índia como exemplo de país que tem avançado na atração de investimentos em tecnologia ao reduzir barreiras para instalação de data centers e projetos de inteligência artificial.

“O Brasil tem potencial para competir, mas precisa criar condições mais favoráveis”, diz.

Para a DE-CIX, o desenvolvimento do mercado passa pela descentralização da infraestrutura e pela capacidade de suportar aplicações mais exigentes, como inteligência artificial e processamento em tempo real.

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