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Mulher sorridente de cabelos castanhos e ondulados, usando blazer preto sobre blusa vermelha estampada, posando em frente a fundo escuro. Trata-se de Ana Paula Assis, vice-presidente sênior e presidente da IBM para Europa, Oriente Médio, África e Mercados em Crescimento.

No Natal em que ganhou uma bicicleta, Ana Paula Assis não imaginava que estava diante também de uma metáfora. A Caloi azul tornou-se símbolo da autonomia que ela carregaria dali em diante. Em outro Natal, mais um presente chegou para ocupar espaço no coração da menina de Belo Horizonte: um videogame Odyssey com teclado embutido. Era apenas um jogo, mas parecia um computador – e foi o suficiente para despertar um interesse por tecnologia que nunca mais se apagou.

Hoje, com 25 anos de carreira, ela pedala por um território bem mais complexo. Ana Paula é vice-presidente sênior e presidente da IBM para Europa, Oriente Médio, África e Mercados em Crescimento, cargo em que lidera operações em mais de cem países e conduz a expansão em regiões estratégicas como Índia, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Indonésia e México.

Ana Paula ingressou na IBM como estagiária no mesmo ano em que o supercomputador da empresa derrotou o campeão mundial de xadrez. O feito, que virou manchete no mundo inteiro, serviu como um sinal: ela tinha escolhido o lugar certo. “Enquanto muitos ainda viam a IBM como sinônimo de mainframes, eu via uma empresa em constante transformação”, lembra.

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Formada em Ciência da Computação, complementou os estudos com MBAs pela Fundação Getúlio Vargas e pela Fundação Dom Cabral (FDC). Mas foi na IBM que consolidou sua carreira e aprendeu a enxergar além da tecnologia.

O primeiro grande salto profissional aconteceu quando foi convidada a trabalhar na sede da IBM em Nova York, nos Estados Unidos. A cidade, que ela descreve como “a mais cosmopolita que conheço”, ampliou sua visão sobre negócios e diversidade. “Ali aprendi o valor de tomar decisões abertas e inclusivas, especialmente quando se trata de talentos.”

Foi também o ponto de partida para experiências futuras em outras partes do mundo, como América Latina, China e, mais recentemente, Europa.

Entre todos os desafios, morar sozinha na China foi o mais radical. Ela desembarcou sem falar o idioma, sem conhecer ninguém e sem entender a cultura. “Sempre achei que era autossuficiente. Mas na China aprendi a ser vulnerável, a pedir ajuda, a ser humilde.”

A experiência moldou seu estilo de liderança. Em vez de respostas prontas, passou a se guiar por perguntas e pela escuta. O que começou como desconforto virou força. “Cada dia era uma chance de aprender e crescer.”

Quando o gênero vira superpoder

Ana Paula não romantiza o fato de ser uma das poucas mulheres em cargos de alta liderança no setor de tecnologia. Mas também não se intimida. “Nossa indústria ainda é altamente dominada por homens. Embora isso possa parecer solitário, acredito que ser mulher nesse setor é um superpoder.”

Ela aconselha que jovens profissionais busquem mentores e patrocinadores dispostos a ajudar. “Tive muitos ao longo da minha carreira. Sem o incentivo deles, não teria chegado aonde cheguei.”

Nos fóruns mais disputados do mundo, de Davos ao Mobile World Congress, Ana Paula fala sobre inteligência artificial (IA), computação quântica e sustentabilidade. Mas o que mais a entusiasma é a chance de usar tecnologia para resolver problemas reais, como o envelhecimento populacional, a transição energética e as mudanças econômicas globais.

“Estamos desbravando um mundo novo. O que pode ser mais empolgante do que isso?”, questiona. Nas horas vagas, ela segue pedalando pelas ruas de Madri. Talvez sem perceber, revive a mesma sensação de liberdade e descoberta que sentiu ao ganhar a Caloi azul – e que continua guiando seu caminho.

*Texto originalmente publicado na Revista IT Forum.

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