
O setor de saúde desponta como uma das principais apostas do ecossistema de startups para revelar o próximo unicórnio brasileiro. Entre as empresas mais observadas pelo mercado está a Sami Saúde, uma healthtech que busca ampliar e democratizar o acesso à saúde no país — e que nasceu da inquietação de um médico diante das limitações do próprio sistema.
Essa é a história de Vitor Asseituno, presidente da Sami, que identificou ainda na faculdade de medicina uma lacuna importante no cuidado com o paciente: a falta de uma visão mais ampla da jornada de saúde.
“A medicina hoje é muito mais do que apenas o corpo. Muitas pessoas não conseguem comprar medicamentos porque são muito caros, ou não fazem uma cirurgia porque o plano não cobre. Exercer a medicina é muito mais do que pensar: paciente, doença, medicamento. Só que todo o resto, muitas vezes os médicos ignoram. Na faculdade de Medicina, eu fazia perguntas sobre isso”, conta.
Essa inquietação foi o ponto de partida para sua trajetória empreendedora, que começou ainda na universidade, com a criação de uma empresa júnior, e culminou na fundação da Sami, em 2018. A proposta da startup é justamente atacar essas falhas estruturais, oferecendo um modelo mais integrado, acessível e centrado no paciente.
Vitor foi o convidado desta semana do podcast MVP com o Emerging Giants, iniciativa da KPMG, em parceria com o Startups. Durante a conversa, ele compartilhou aprendizados da sua jornada e os desafios de inovar em um setor altamente sensível.
Na sua visão, a saúde é um dos ambientes mais complexos para implementar mudanças. “Se você comete um erro, o paciente pode morrer. Se um médico te oferece uma cirurgia inovadora, nem sempre isso vai ser recebido bem”, afirma, destacando a baixa margem para falhas como uma barreira natural à inovação.
Apesar disso, o potencial é enorme — e vai além do Brasil. Segundo o empreendedor, há espaço para modelos globais, especialmente diante de um problema estrutural ainda não resolvido. “Tem um dado da Organização Mundial da Saúde que diz que metade das pessoas do mundo não têm acesso a serviços de saúde básica quando precisam. Quando falamos de tecnologia, o modelo da Sami pode ser global, exportável. Tem diferenças regulatórias, mas os atores são muito parecidos”, diz.
Com o envelhecimento da população e o aumento dos custos, a tendência é que consumidores busquem soluções mais completas e orientadas à experiência. “As pessoas querem viver mais, mas isso é mais caro. Elas vão buscar empresas que resolvam o problema de maneira ampla”, afirma.
Para Vitor, a Sami já validou seus fundamentos e agora entra em uma nova fase: escalar. “A gente já tem fundamentos colocados, agora é escalar. O ponto é levar o que deu certo em laboratório para milhões de pessoas em praças diferentes. Esse é o desafio do momento.”
Os episódios do podcast vão ao ar quinzenalmente nas redes do Startups e da KPMG, trazendo entrevistas com empreendedores que estão moldando o futuro da inovação no Brasil.
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