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Com operação no Brasil à Venda, Prudential encerra o Fully | Foto: divulgação
Com operação no Brasil à Venda, Prudential encerra o Fully | Foto: divulgação

Antes de deixar o lugar, tem que arrumar a casa. Pouco tempo antes de seu esforço para vender a operação brasileira e sair do país, a seguradora norte-americana Prudential terminou com a sua investida no mercado de wellness, a Fully Ecosystem, menos de dois anos após lançá-la no Brasil.

Segundo apurou o Startups, a seguradora encerrou a Fully Ecosystem, divulgada na época como a aposta mais ousada de inovação da companhia no país, no dia 30 de junho. Em comunicados aos clientes, o encerramento foi conduzido de forma planejada: os avisos começaram em 10 de abril e, entre 1º e 30 de junho de 2026, os usuários tiveram uma janela final para resgatar as moedas acumuladas no app, via vouchers ou pela carteira Prudential.

A Prudential, porém, não deu um fim definitivo aos benefícios oferecidos no aplicativo. A multinacional destacou que eles virariam uma funcionalidade dentro do próprio app da seguradora, disponível desde julho para quem já era cadastrado na Fully. “Será lançada uma nova solução de bem-estar dentro do aplicativo da Prudential”, informou a empresa em resposta a clientes.

Em meados de abril, todas as funcionalidades da Fully viraram parte do programa Vida em Movimento (VEM), uma feature exclusiva para os clientes Prudential, algo bem diferente do que a Fully tinha inicialmente, que era também o de conquistar usuários que não necessariamente eram clientes da operadora.

No fim de julho, começaram a circular as primeiras informações sobre uma possível venda da Prudential Brasil. Segundo reportou a Exame na época, a operadora estaria pedindo cerca de US$ 3 bilhões, embora o mercado avalie o ativo em torno de US$ 2 bilhões. Para tocar as transações, a empresa chamou o Morgan Stanley.

Segundo fontes, o processo, ainda em estágio inicial e sem comprador definido, está ligado a uma reorientação do grupo americano rumo ao seu mercado de origem, os Estados Unidos. Além do Brasil, a companhia estuda vender também a operação no México.

Em teleconferência com investidores e analistas esta semana, o CEO da Prudential, Andy Sullivan, afirmou que o interesse é de venda, e não de fechamento, pois se trata de “ativos com valor”. Os números sustentam a consideração do executivo. Presente no país desde o fim dos anos 1990, a Prudential fechou 2025 com R$ 7,5 bilhões em prêmios emitidos, lucro líquido recorde de R$ 1,2 bilhão e mais de 6 milhões de vidas protegidas, figurando entre as líderes de seguro de vida no Brasil.

Ambições interrompidas

Lançada oficialmente em agosto de 2024, depois de nascer como uma divisão interna de wellness em parceria com a britânica Vitality, a Fully foi apresentada como uma aposta de R$ 200 milhões da Prudential no mercado brasileiro. Ela também tinha planos de expandir para outros países vizinhos, com previsão de aportes na casa de R$ 10 milhões anuais.

À frente do projeto estava Aura Rebelo, que deixou a vice-presidência de marketing da Prudential nos EUA para tocar a operação. O plano era ambicioso: descolar a marca do guarda-chuva da seguradora, expandir pela América Latina e reprogramar a lógica do seguro de vida — da ideia de “morte” para a de “vida”, com foco em saúde preventiva e recompensas para quem cuidava do corpo, da mente e das finanças.

“Queremos multiplicar nossa operação em vinte vezes nos próximos três anos, não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina”, destacou Aura, em entrevista ao Startups em dezembro de 2024. Segundo a executiva, o plano era se tornar um player de renome no segmento wellness, mesma arena de nomes como Wellhub, por exemplo.

A Fully estreou somando mais de 60 mil vidas atendidas, no Brasil e na Argentina, e no ano passado comemorou publicamente, em seu LinkedIn, a marca de 100 mil pessoas “vivendo no modo Fully“. “Essa é a prova de que um trabalho consistente e com propósito funciona. Nosso foco sempre foi e será melhorar a vida das pessoas promovendo o bem-estar em todas as áreas”, escreveu a empresa à época.

Procurada pela reportagem do Startups, a Prudential não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

O post De saída do Brasil, Prudential termina spin-off Fully apareceu primeiro em Startups.