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Debora Bortolasi Vivo

Muito antes de iniciar sua trajetória, Débora Bortolasi já estava cercada pela tecnologia. Nascida em São Paulo, mudou-se com a família aos cinco anos para São José dos Campos, cidade do interior paulista conhecida por abrigar instituições como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e diversas outras ligadas ao setor tecnológico.

O resultado? Desde cedo, desenvolveu interesse pela área. Ao ingressar no colégio técnico ETEP, referência na cidade, aproximou-se ainda mais do tema e decidiu que era com isso que gostaria de trabalhar. “Sabia que ali teria contato com a indústria e com tecnologia de ponta”, relembra.

No final do ensino médio, tomou outra decisão que moldaria sua trajetória: queria ser engenheira eletricista, mas também começar a trabalhar o quanto antes. “Percebi que o mercado era majoritariamente masculino. Se esperasse cinco anos para me formar e só depois começar, talvez não tivesse espaço”, explica. “Optei por estudar à noite e já ganhar experiência.”

Deixou São José e se mudou para São Paulo, onde esperava encontrar mais oportunidades. O plano deu certo: seu primeiro emprego foi como técnica de campo em informática industrial. Atuava com a mala de ferramentas na mão, instalando e realizando manutenção de redes em empresas do setor B2B.

Nesse cargo, também enfrentou alguns dos desafios de ser mulher em um segmento em que, até hoje, elas são minoria. Um episódio marcou o início dessa fase: ao chegar a um cliente para consertar um servidor, ouviu a pergunta – “Mas que horas o técnico vai chegar?”. Ela respondeu: “Eu sou o técnico”.

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Hoje, olhando para trás, reconhece o preconceito implícito, mas afirma que, na época, estava mais focada em aprender e assumir desafios do que em se preocupar com essas barreiras. “Naquele tempo, queria mais trabalho, mais oportunidade. Não se falava de diversidade como hoje”, comenta. Para ela, o cenário mudou com programas estruturados de inclusão, mas ainda exige ação contínua. “O que abre espaço para mais mulheres é mostrar resultado e construir credibilidade. Isso vale para qualquer setor, mas especialmente no de tecnologia.”

A virada na carreira veio com funções de pré-vendas, planejamento e gestão de produtos em empresas como Digitel, MetroRed e Ericsson. No fim dos anos 1990, com a privatização das telecomunicações, o mercado estava aquecido e buscava profissionais com conhecimento técnico, o que abriu caminho para sua ascensão.

Ingressou na Intelig Telecom no início dos anos 2000. Lá, permaneceu por nove anos e passou de coordenadora de pré-vendas a diretora – nomeada logo quando descobriu estar grávida de seu primeiro filho, Guilherme. “Tinha 31 anos, estava grávida de três meses e fui promovida. Não era comum na época”, conta.

O novo cargo trouxe grandes equipes sob sua gestão, participação em processos de venda da companhia e viagens semanais entre São Paulo e Rio de Janeiro. “Falei: gente, esse negócio vai dar ruim”, brinca. Poucos meses depois, no período entre a licença e o retorno ao trabalho, engravidou novamente, da Giovana.

Ao voltar para a empresa após a segunda licença, percebeu que o ritmo de deslocamentos e a pressão constante já não eram sustentáveis. “Não dava. Eu tinha dois bebês, um de dois anos e outro de seis meses”, lembra. Decidiu deixar o cargo para buscar uma função que lhe permitisse estar mais próxima da família.

Depois de passagens pela AES Eletropaulo e pela TIM Brasil, mudou de rota e ingressou no UOL Diveo, empresa do segmento de data centers e serviços em nuvem. “Foi minha entrada no universo dos hyperscalers, um momento de transformação para o setor”, relata.

Em 2017, aceitou o convite para assumir a diretoria de Produtos e Inovação B2B na Vivo, com a missão de diversificar a atuação para além do core de telecomunicações. Sob sua liderança, a Vivo criou serviços, internalizou capacidades de entrega e reposicionou a área no mercado. Aos poucos, acumulou responsabilidades em Digital, Operações Pré/pós-venda, até assumir a diretoria-executiva do B2B.

Em maio deste ano, assumiu seu desafio mais recente ao tornar-se vice-presidente de B2B da Vivo. A promoção, por si só, também é uma história curiosa. Débora estava no avião, decolando para Porto Seguro e a caminho do IT Forum Trancoso. Pouco antes da partida, recebeu as felicitações do vice-presidente de RH da empresa pelo WhatsApp: “Parabéns, nova VP de B2B!”. Decolou diretora e pousou VP.

Quando chegou ao evento, a notícia já havia sido divulgada pelas mídias especializadas e repercutida entre clientes e parceiros presentes. “Todo mundo veio me cumprimentar. Foi muito legal, uma passagem inusitada na minha carreira, para te falar a verdade”, conta.

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