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Miro entra na lista de compradas da Bending Spoons | Foto: Shutterstock
Miro entra na lista de compradas da Bending Spoons | Foto: Shutterstock

A tese da Bending Spoons é simples: comprar empresas que em algum momento já foram hypadas e supervalorizadas no mercado, mas que hoje estão em baixa, para operá-las com disciplina e extrair caixa de bases de usuários já consolidadas. E o playbook continua com mais uma aquisição: a companhia italiana acabou de comprar a startup Miro por US$ 1,36 bilhão em dinheiro, num negócio que avalia a empresa em US$ 1,79 bilhão.

O número fica ainda mais interessante ao lado do valuation anterior da Miro. No fim de 2021, a plataforma de colaboração visual foi avaliada em US$ 17,5 bilhões, depois de uma rodada de US$ 400 milhões. Ou seja: uma queda de 92% em pouco mais de quatro anos.

Fundado em 2011 como uma ferramenta de whiteboard chamada RealtimeBoard, a Miro foi um dos grandes ganhadores da migração forçada para o trabalho remoto. Com escritórios vazios, as empresas descobriram que precisavam replicar a experiência de rabiscar num quadro branco junto com os colegas, e a companhia aproveitou a onda.

A plataforma passou a integrar mais de 250 aplicativos e fechou parcerias com Atlassian, Cisco, Microsoft e Zoom, além de abrir espaço para que os próprios usuários construíssem integrações e customizassem o produto. Hoje se apresenta como um “AI innovation workspace”, com assistentes de IA para as ferramentas de quadro, fluxos automatizados, prototipagem e conectores que puxam contexto de GitHub, Jira e Slack.

Os números da escalada explicam o valuation da época: entre 2020 e 2022, a base saltou de 5 milhões para cerca de 30 milhões de usuários, e a carteira de clientes pagantes cresceu 550%. No pós-pandemia, porém, a companhia sofreu com a desvalorização dos múltiplos de SaaS para esse tipo de aplicação. O ajuste apareceu na folha: de cerca de 1,2 mil funcionários em 2022, a empresa cortou 119 pessoas em fevereiro de 2023 e outras 275 em outubro de 2024.

E aqui está o detalhe interessante: apesar de ter encolhido, a Miro não está mal das pernas. São mais de 4 milhões de usuários pagantes e 100 milhões no total, com cerca de US$ 600 milhões em receita recorrente anual. Segundo a Bending Spoons, 90% desse faturamento vem de empresas e contas enterprise, e a companhia opera no azul, com aproximadamente US$ 435 milhões em caixa líquido.

Compras e IPO

Não é a primeira vez que a Bending Spoons executa essa jogada, nem a primeira em 2026. Em agosto, poucas semanas depois de estrear na Nasdaq a um valuation de US$ 18 bilhões, ela comprou o Airtable por US$ 1,285 bilhão — plataforma no-code que chegou a valer US$ 11 bilhões em dezembro de 2021. Nos meses anteriores, o grupo de Milão já havia levado a histórica AOL e a plataforma de ingressos Eventbrite.

O padrão é bem delimitado: grandes nomes de software precificados na euforia como se fossem virar gigantes, mas que amadureceram para negócios sólidos, de crescimento mais lento, com receita recorrente decente e base de usuários estabelecida. O portfólio da italiana reúne Evernote, WeTransfer, Vimeo, Meetup, StreamYard e o app de edição de vídeo Splice, entre outros.

Segundo já afirmou o CEO e cofundador Luca Ferrari, o método é sempre o mesmo: reformular a experiência do usuário, ajustar a monetização e cortar custos com agressividade, num modelo que mistura operação de tecnologia com lógica de private equity. A diferença que a companhia faz questão de reforçar é que nunca revendeu um negócio adquirido.

O post Desconto de 92%: Bending Spoons compra Miro por US$ 1,36B apareceu primeiro em Startups.