
A Didit, plataforma de infraestrutura de identidade e prevenção de fraude, anunciou uma captação de US$ 7,5 milhões em sua rodada seed. O capital será utilizado para acelerar a expansão global da empresa, fortalecer a operação de vendas, ampliar a infraestrutura e contratar nas áreas de produto, vendas e customer success.
O investimento atraiu fundos norte-americanos como Y Combinator, Pioneer Fund, Orange Collective, Founders Future, Phosphor Capital e Rebel Fund. A gestora brasileira SaaSholic, responsável pelo primeiro cheque da história da Didit, reforçou a aposta na nova rodada, que também contou com a participação dos executivos Tomer London (Gusto) e Taro Fukuyama (Fond). Entre os investidores está ainda o brasileiro Felipe Lamounier, cofundador da Hyperplane, vendida recentemente ao Nubank.
“A fraude ficou mais sofisticada, a regulação ficou mais exigente e milhões de empresas passaram a precisar verificar seus usuários. No entanto, os provedores tradicionais continuaram caros, lentos e pouco transparentes”, afirma Alberto Rosas, cofundador e CEO da Didit, em comunicado.
Segundo o executivo, a proposta da startup é seguir na direção oposta: oferecer uma API de identidade e prevenção a fraudes com preços públicos por módulo e integração simplificada, permitindo que qualquer desenvolvedor coloque a solução em produção em poucos minutos.
Não deixa de ser curioso ver dois irmãos gêmeos comandando uma startup dedicada a provar quem é quem na internet.
Fundada em 2023, no Vale do Silício, por Alberto e Alejandro — ambos engenheiros de IA nascidos em Barcelona —, a Didit permite que empresas verifiquem pessoas, organizações, transações, carteiras digitais e, futuramente, agentes de IA de forma simplificada.
A plataforma se conecta a bases globais de dados governamentais e analisa mais de 200 sinais em cada verificação, incluindo autenticidade de documentos, prova de vida biométrica, detecção de ataques de injeção, análise de deepfakes e sinais comportamentais. A empresa desenvolve internamente seus modelos de IA, sem dependências críticas de terceiros, além de criar fluxos específicos para cada país.
Brasil como mercado estratégico
O Brasil representa uma prioridade para a Didit. A empresa já conduz pilotos e integrações com diversos unicórnios e bancos brasileiros, e identifica demanda crescente de fintechs, instituições financeiras, marketplaces, plataformas de iGaming, empresas de mobilidade, cripto, assinatura digital e negócios digitais.
O CEO destaca que empresas nascidas no Brasil e em expansão para México, Colômbia, mercado norte-americano ou Europa passam a lidar com novos documentos, bases de dados, regulações e provedores. Nesse cenário, a Didit propõe uma integração única e reutilizável em diferentes mercados, reduzindo o retrabalho técnico e a complexidade operacional.
“Empresas brasileiras ambiciosas não querem nascer limitadas ao Brasil. Elas querem operar em vários países, testar novos mercados e adaptar seus fluxos de compliance rapidamente. A nossa proposta é transformar identidade e fraude em infraestrutura: uma camada programável, global e flexível, que acompanha a expansão da empresa”, diz Alberto.
Validação e crescimento
A Didit foi validada pelo Sandbox Financeiro da Espanha e pelo Tesouro espanhol como solução de verificação NFC com liveness ativo equivalente ou mais segura do que a verificação presencial.
Atualmente, a empresa atende mais de 1.500 clientes B2B em setores como fintechs, cripto, marketplaces, mobilidade e governo, com operações em mais de 220 países. A startup afirma já operar de forma lucrativa e registrar crescimento mensal de receita superior a 30%.
Além da verificação tradicional, a Didit também atua em casos de uso que incluem prova de humanidade sem exigência de documentos, verificação em tempo real de assinantes digitais, criação de perfis verificados em redes sociais, autenticação biométrica de pagamentos e monitoramento de riscos ao longo da jornada do usuário. “Começamos por identidade porque era o problema mais difícil. Mas o que estamos construindo é infraestrutura de confiança para a internet”, pontua Alberto.
A visão de longo prazo é criar uma carteira de identidade digital que permita aos usuários validarem sua identidade uma única vez e reutilizarem essa credencial em diferentes serviços — de forma semelhante ao que a Stripe fez com pagamentos programáveis e a Twilio com comunicações programáveis.
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