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A imagem mostra uma cena conceitual envolvendo tecnologia e automação. À esquerda, uma mão humana estendida toca um ícone luminoso em forma de foguete, cercado por setas ascendentes que representam crescimento ou aceleração. À direita, um braço robótico metálico emerge de dentro de um laptop aberto, avançando em direção à mão humana. O fundo é azul‑escuro com elementos gráficos digitais, como circuitos, números e padrões tecnológicos, reforçando o tema de colaboração entre humanos e inteligência artificial. (aprendizagem)

O mercado brasileiro de distribuição de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) encerrou 2025 com crescimento de 7% e movimentação de R$ 30,7 bilhões, mesmo diante de um cenário econômico marcado por juros elevados e maior cautela nos investimentos. Os dados fazem parte do mais recente Estudo Setorial produzido pela IT Data para a Abradisti, entidade que representa 87% do setor no país por meio de 51 distribuidores associados.

Segundo o levantamento, a expansão foi sustentada principalmente pelo setor privado, com destaque para grandes e médias empresas, que aceleraram projetos de atualização tecnológica ao longo do ano. O movimento ajudou a compensar a desaceleração do segmento governamental, responsável por cerca de 20% dos investimentos em TIC no Brasil, mas impactado pela restrição de recursos públicos.

Para Mariano Gordinho, presidente-executivo da Abradisti, três frentes vêm impulsionando o crescimento do setor: computação em nuvem, cibersegurança e infraestrutura tecnológica. “Estes três vetores juntos criam a ‘tempestade perfeita’ de consumo no segmento B2B. As empresas de Distribuição posicionadas como VAD estão no centro desse aumento de consumo de tecnologias e serviços que são a base para a implementação dessas novas demandas”, afirma. “Se avaliarmos que as soluções e serviços de IA ainda não entraram de forma efetiva nas ofertas da Distribuição, temos um cenário bastante otimista de crescimento para os próximos anos”.

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O estudo aponta ainda que o hardware de TI permaneceu como principal fonte de receita do setor, respondendo por 44,5% do faturamento total das associadas da Abradisti. O desempenho foi impulsionado por uma mudança estratégica dos fabricantes, que passaram a priorizar o mercado corporativo em detrimento do varejo tradicional.

Apesar do desempenho positivo em 2025, a perspectiva para 2026 é mais moderada. A expectativa média de crescimento da distribuição é de 6%, índice próximo da inflação projetada para o período. Ainda assim, o estudo mostra que distribuidores especializados em soluções de maior valor agregado seguem mais otimistas e projetam expansão acima de 10% neste ano.

Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da IT Data, avalia que fatores macroeconômicos e geopolíticos devem manter o setor em estado de atenção. “Um dos pontos de atenção neste cenário é a taxa de juros na casa dos 14,5% sem viés de baixa no curto prazo, o que encarece o crédito e o capital de giro”, afirma Rodrigues. “O ponto de equilíbrio é que o aumento dos preços de hardware pode compensar a queda nas vendas”, completa.

Além do estudo sobre distribuição, a Abradisti também divulgou a 15ª edição do Censo das Revendas, realizado com 1.176 revendas, integradores e representantes comerciais de TIC. O levantamento mostrou crescimento de 9,4% nas revendas em 2025, indicando resiliência dos canais mesmo diante da inadimplência elevada entre consumidores e pequenas empresas. Para 2026, 70% das revendas esperam ampliar o faturamento, enquanto apenas 10% projetam retração.

O estudo também mapeou o avanço da inteligência artificial dentro do ecossistema de canais. Segundo o levantamento, 21% das revendas já consideram a IA relevante para o faturamento atual. Entre as principais ofertas estão notebooks e PCs com IA integrada, além de soluções de cibersegurança apoiadas pela tecnologia, ambos com participação de 30% entre as empresas que já atuam nesse mercado. Por outro lado, 29% ainda não possuem qualquer oferta relacionada ao tema.

A pesquisa identificou ainda um ponto de atenção para o setor: a adaptação à Reforma Tributária. De acordo com o Censo, 44% das revendas afirmam que seus sistemas internos ainda não estão preparados para as mudanças regulatórias, enfrentando dificuldades operacionais e burocráticas. O estudo mostra também que a pressão sobre margens de lucro segue como principal desafio competitivo dos canais de tecnologia no país.

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