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inovação

No número 5062 da Avenida Morumbi, em São Paulo, um casarão vem funcionando nos últimos dias como espaço vivo de debates sobre tecnologia e liderança. É ali que acontece a SAP House, iniciativa criada pela SAP para reunir clientes, executivos e parceiros que querem discutir como inteligência artificial (IA) e os novos modelos digitais estão redefinindo a forma que empresas operam. O espaço fica aberto até 17 de abril.

Entre demonstraçoes tecnológicas e showcases de soluções baseadas em IA, outra discussão ganhou espaço. Quem está tomando as decisões nas empresas e quais vozes ainda faltam na mesa?

Foi nesse contexto que a consultoria Numen promoveu nesta quinta-feira (5/3) uma série de painéis sobre liderança, diversidade e carreira no setor de tecnologia. Convidada para participar de uma das conversas, acompanhei também as discussões seguintes. Ao final do dia, as falas convergiam para um mesmo ponto: a de que inovação não acontece apenas no código ou nas plataformas, ela nasce da pluralidade de perspectivas.

A síntese desse argumento veio de Adriana Aroulho, presidente da SAP para a América Latina. “Acredito que diversidade é combustível da inovação”, afirmou durante o encontro. “Ao contar com pessoas que vêm do mesmo background e tiveram as mesmas experiências, elas chegarão às mesmas respostas.”

Para a executiva, ampliar diversidade nas organizações não é apenas uma agenda de inclusão, é estratégia para melhorar decisões de negócio.

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Única mulher na sala

A fala de Adriana parte de uma experiência pessoal comum a muitas mulheres no setor de tecnologia. “Quem aqui já participou de uma reunião em que vocês eram a única mulher da sala?”, perguntou às participantes. Quase todas as mãos se levantaram.

A executiva conhece bem essa realidade. Após mais de duas décadas na indústria de tecnologia, ela assumiu há um ano a presidência da SAP na América Latina, depois de liderar por cinco anos a operação brasileira. Mesmo em posições de alta liderança, episódios assim continuam acontecendo. “Acabei de sair de uma reunião com um time de liderança e eu era a única mulher da sala”, relatou.

Para ela, no entanto, a mudança do cenário não acontece espontaneamente. “Quando mudarmos esse jogo de verdade, não vamos mudar sozinhas. Eles precisam vir junto”, afirmou, referindo-se à participação dos homens na agenda de diversidade.

Na visão de Ana Fontes, fundadora da Rede Mulher Empreendedora, ampliar a presença feminina em posições de liderança passa também por mudar o imaginário sobre quem pode ocupar esses espaços.

“Ainda crescemos ouvindo que certos lugares não são para nós. Quando uma mulher ocupa um espaço de decisão, ela não abre só uma porta para si, ela abre caminho para muitas outras que vêm depois.”

Segundo ela, o desafio não está apenas na formação ou na entrada das mulheres no mercado de tecnologia, mas principalmente na permanência e no avanço nas carreiras. “Talento existe. O que muitas vezes falta são ambientes que permitam que essas mulheres cresçam e permaneçam. Diversidade não acontece por acaso, ela exige intenção”, pontua.

Raquel D’Anello, diretora de Tecnologia & Digital da Diageo, levantou a discussão de que diversidade também tem impacto direto na forma como as empresas tomam decisões estratégicas. “Quando se tem times diversos, amplia-se o repertório de perguntas. E muitas vezes são essas perguntas diferentes que levam a soluções melhores para o negócio.”

A executiva destacou ainda que o desafio da tecnologia hoje não é apenas técnico, mas também cultural. “A transformação digital não acontece só com novas plataformas ou sistemas. Ela acontece quando as pessoas mudam a forma de pensar e de trabalhar”, encerrou.

Desafio estrutural na tecnologia

O tema ganha relevância diante dos números do setor. No Brasil, as mulheres representam cerca de 20% a 25% da força de trabalho em tecnologia, segundo diferentes levantamentos da indústria. Em cargos executivos, a participação é ainda menor.

A contradição é evidente. Enquanto empresas apostam bilhões em inteligência artificial e transformação digital, o setor ainda enfrenta dificuldades para ampliar diversidade em seus próprios quadros.

Para Adriana, esse é um desafio que afeta diretamente a capacidade de inovação. “Pluralidade de opiniões é fundamental. Quando você tem pessoas que fazem perguntas diferentes, você provoca algo novo”, afirmou.

Narrativas, dados e influência

Outro painel trouxe a perspectiva de quem atua diretamente na construção dessas narrativas. A especialista em inovação inclusiva Andreza Maia, cofundadora da Futuros Possíveis, destacou como dados e comunicação digital podem ampliar o alcance dessas discussões. “Nosso objetivo é contar as narrativas que nós temos aqui no Brasil para fora”, explicou.

Com presença forte nas redes sociais e comunidades digitais, ela afirmou que hoje seu trabalho alcança milhões de pessoas. “Atualmente eu impacto mais de 90 milhões de pessoas todos os anos”, disse. Para ela, ampliar visibilidade também significa ampliar referências, algo ainda escasso para muitas mulheres que ingressam na tecnologia.

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