
A DXC Technology e a CrewAI decidiram unir forças para implementar IA agêntica em operações corporativas na América Latina. Pelo acordo, a CrewAI entra com a plataforma de criação, orquestração (coordenação de vários agentes que trabalham juntos) e governança dos agentes, e a DXC, com consultoria, implementação e operação das soluções nos ambientes dos clientes.
A parceria parte de um cenário em que as empresas estão em estágios muito diferentes de adoção de IA. Segundo Pedro Moura, Head of Latin America da CrewAI, há clientes que começaram a trabalhar com inteligência artificial antes de o tema ganhar força, enquanto outros ainda estruturam os primeiros projetos. “Temos visto uma necessidade crescente das empresas de ter uma musculatura técnica capaz de acompanhá-las em diferentes momentos da jornada”, afirma, em entrevista ao Startups.
Pedro relata ter conversado com clientes que estão apenas começando projetos de “AI First”, além de iniciativas de treinamento e capacitação de lideranças. Para atender a esse público, a CrewAI buscava um parceiro capaz de mapear dores e benefícios por meio de consultoria, prototipar casos de uso, desenvolver um produto mínimo viável (MVP) e, depois, operar a solução. Ele considera essa última etapa importante porque um produto de IA passa a integrar a stack tecnológica do cliente e, com isso, exige manutenção, suporte e continuidade.
É nesse ponto que entra a experiência da DXC em integração de tecnologias, infraestrutura, segurança e serviços gerenciados. Daniel Mirrha, Head de Delivery para Soluções de AI da DXC na América Latina, descreve o papel da empresa como conectar o negócio dos clientes às ferramentas.
“Atuamos muito na integração, no mapeamento das necessidades e em levar a reinvenção para o cliente. Do outro lado, a CrewAI traz uma plataforma com um poder muito forte de resolver esses problemas, de automatizar o que o cliente precisa e de trazer conhecimento a partir de dados fragmentados, de uma forma muito dinâmica de colocar em produção e muito rápida para a gente desenvolver”, diz.
Método Exponential
A DXC leva para a parceria o Exponential, método próprio que, segundo Daniel, começa pela definição do problema que o cliente quer resolver. “É comum um cliente identificar um problema que, na verdade, é sintoma de outro. A diferença que a gente faz é transformar essa visão e mostrar o que é sintoma e qual é o problema real. Agora vem com a gente, vamos definir qual é o futuro e como a gente vai resolver isso”, explica.
A metodologia busca elevar o potencial das empresas por meio da IA, com foco menos em temas tecnológicos, como os retratados em filmes de ficção científica, e mais na resolução de problemas de negócio. “E tudo isso com governança, escala e flexibilidade”, pontua. O Exponential também inclui métodos para acelerar a curva de aprendizado das equipes, como gamificação, cursos e hackathons.
O executivo observa uma mudança na forma de testar ideias. “Antigamente você tinha que estruturar tanto uma iniciativa para poder experimentar, porque ela toma tempo e gasta dinheiro. Hoje você experimenta e, se não deu certo, põe aquilo do lado, pega a base e faz melhor”, pontua. Segundo ele, quando a solução atinge o nível desejado para produção, fica mais rápido levar a proposta de investimento ao board.
A parceria se apoia em um tripé de tecnologia, pessoas e processos. Pedro, da CrewAI, fica mais próximo da frente tecnológica, enquanto Daniel, da DXC, contribui com o conhecimento sobre a operação dos clientes.
Clientes e mercado
A aliança entre as empresas não se restringe a um setor ou porte de organização. Segundo Daniel, o método foi desenhado para ser usado nas diferentes indústrias em que a DXC atua, enquanto a plataforma da CrewAI pode ser aplicada a diferentes tipos de operação.
Pedro afirma que a CrewAI é mais conhecida entre grandes empresas, mas também fecha negócios com companhias de médio e pequeno porte. Para ele, parte das empresas que já usam a tecnologia da CrewAI ainda não extrai todo o seu potencial. Ele compara a situação ao uso de ferramentas como Excel e PowerPoint, que podem gerar resultados muito diferentes dependendo do conhecimento de quem as utiliza.
O executivo observa que há clientes que já operam com quatro agentes para cada pessoa, o que equivaleria a 400 agentes em uma empresa de 100 funcionários. “Quem é o novo RH da empresa? É tecnologia ou é recursos humanos?”, questiona. Para ele, o agente “é a tentativa da personificação de um ser humano”: tem memória, tem ferramentas e executa uma tarefa.
Sobre as empresas
Segundo a CrewAI, cerca de 64% das empresas da Fortune 500 executam agentes em sua plataforma. A companhia afirma processar mais de 520 milhões de workflows por mês, com mais de 2 bilhões de execuções de agentes acumuladas, e ter mapeado mais de 750 mil casos de uso de automação agêntica. Na América Latina, atende clientes de serviços financeiros, varejo, manufatura, bens de consumo e outros serviços, e tem escritórios no Brasil, na Argentina, no Chile, no México e na Colômbia.
Já a DXC atua há 60 anos no Brasil e descende de companhias como EDS e HP. Com sede nos Estados Unidos, a DXC tem 115 mil funcionários no mundo, opera em mais de 70 países e registrou receita de US$ 12,9 bilhões no último ano fiscal. Na América Latina, são cerca de 7 mil funcionários.
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