
A ambição da Elevify é fazer pela educação o que o Spotify fez pela música: reunir todo o conteúdo disponível online em um único lugar, organizado e acessível. Com pouco mais de um ano de operação e um time de apenas sete pessoas, a edtech levantou recentemente uma rodada seed de US$ 1,35 milhão para acelerar seus planos de expansão global.
O aporte foi liderado pela Newtopia e contou com a participação de GP Investimentos, Lotux.VC e Malta Enterprise — o braço de investimentos do governo de Malta —, além de follow-on de Vivo Ventures e Big Bets, que já estavam na startup desde rodadas anteriores.
O financiamento do governo maltês vem do programa de aceleração da SuperCharger Ventures, considerado o maior do mundo voltado para edtechs. De mais de 1.200 candidatas, apenas 15 startups foram selecionadas para receber o aporte — que varia entre € 800 mil e € 1,8 milhão — além de ganhar acesso a investidores e mercados estratégicos europeus. A Elevify foi a primeira empresa brasileira a entrar nesse grupo.
Essa é a terceira rodada da startup em pouco mais de dois anos. Em outubro de 2023, a Elevify levantou um pré-seed de US$ 790 mil, liderado pela Big Bets com participação de investidores-anjo. Em março de 2025, captou uma extensão de US$ 740 mil, novamente liderada pela Big Bets, com entrada da Vivo Ventures e de novos anjos. Agora, fecha o seed de US$ 1,35 milhão — totalizando cerca de US$ 2,9 milhões captados desde o início.
Crescimento acelerado
Os números de crescimento ajudam a entender o interesse dos investidores. Em janeiro de 2025, a plataforma registrava 5 mil novos alunos por mês. Em julho do mesmo ano, esse número havia saltado para 40 mil. Em março de 2026, chegou a 220 mil: um crescimento de 44 vezes em 14 meses.
No mesmo período, a receita mensal foi de US$ 15 mil, em julho de 2025, para US$ 120 mil em março de 2026. A startup atingiu o breakeven nesse mesmo mês.
Parte do salto na receita se explica pelo mercado externo: cobrar em euro e dólar resulta em ticket médio mais alto por aluno. A expansão internacional começou em janeiro de 2026, quando a plataforma foi lançada em 140 países e 40 idiomas. Os Estados Unidos já são o segundo maior mercado da empresa, atrás apenas do Brasil.
“A expansão internacional foi priorizada devido ao tipo de demanda percebida no Brasil, que certamente existiria em outros países. Com a tecnologia pronta e testada no Brasil, internacionalizar foi um passo natural”, diz Rangel Barbosa, CEO da Elevify.
Os recursos da nova rodada serão usados para melhorar o produto, ainda em versão MVP, e avançar para novos mercados, incluindo B2B e cursos preparatórios para concursos.
Além disso, a startup planeja aumentar o time, ampliando a equipe para 15 pessoas, em especial na área de tecnologia.
Como funciona o modelo
A lógica é parecida com a do Spotify: em vez de criar conteúdo do zero, a Elevify organiza o que já existe, como vídeos do YouTube, podcasts e livros, e estrutura tudo em cursos com vídeo, áudio, texto e infográficos. O aluno define a carga horária e o ritmo. Há uma versão gratuita e um plano premium, que custa R$ 84,90 por curso no Brasil.
Hoje a plataforma tem cerca de 30 mil cursos por país, com previsão de chegar a 50 mil até agosto. Todo conteúdo inclui link para o material original, gerando tráfego de volta para autores e plataformas como a Amazon, por exemplo, em uma espécie de economia circular de conteúdo educacional.
O perfil de consumo varia por região. No Canadá, hobbies lideram. Na África, agronomia e pecuária. No Brasil, saúde e serviços técnicos, como instalação de gás predial e manutenção de elevador, por exemplo. Na Argentina, beleza e barbearia. Na Índia, informática e tecnologia.
Empreendedor de terceira viagem
Rangel Barbosa chega à Elevify com currículo de quem já rodou o ecossistema. Empreendedor de terceira viagem, ele já havia fundado a Mira Educação em 2016 e depois a Ampli, em 2020, que foi adquirida pela Cogna, onde ele atuou como VP de Produto até 2023. O cofundador da Elevify, Cesar Silva, também tem passagem pela Cogna.
A meta declarada é ser maior que o Coursera até o fim de 2027, com 20 milhões de usuários por mês e menos de 30 pessoas no time. “Os Estados Unidos são nosso segundo maior mercado, atrás apenas do Brasil, mas nosso maior potencial está nos países em desenvolvimento. Ter a possibilidade de nos posicionarmos como referência global de educação muda a forma como investidores, parceiros e alunos olham para a marca”, diz o CEO.
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