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Rodrigo Soares, fundador da RS Solutions, dona da Colibri
Rodrigo Soares, fundador da RS Solutions, dona da Colibri (Foto: Divulgação)

Talvez você não tenha percebido, mas certamente já usou o sistema da Colibri. Ao comer em alguns dos principais restaurantes do país, foi o software da companhia que orquestrou toda a operação na frente de caixa. Com 15 mil clientes, a operação parte agora para uma nova fase de expansão e projeta dobrar de receita em um ano.

O novo momento acontece após a compra do sistema pela RS Solutions, uma companhia brasileira com quase 30 anos de mercado que é dona do sistema de ponto de venda POS Fácil. O negócio foi fechado com a americana NCR em setembro do ano passado e, desde então, as operações vêm sendo integradas. A ideia é oferecer um pacote completo que inclui software, hardware, adquirência e também programa de fidelidade.Tudo sob a marca Colibri.

O rebranding já está em curso e deve ganhar um reforço a partir do segundo semestre, com enfoque na brasilidade – tanto do ponto de vista de ser uma empresa nacional, quanto de conhecer as características do mercado local. “Queríamos comprar ruma marca reconhecida. Com a Colibri levamos marca, revendas, carteira de clientes e nos consolidamos”, conta Rodrigo Soares, fundador e CEO da RS Solutions em conversa com o Startups.

Com essa abordagem, o plano é criar um negócio semelhante à americana Square. Outro comparável poderia ser a Toast. Mas o posto de “Toast brasileira” já foi reivindicado pela Takeat. Hoje, a receita da Colibri está na casa de R$ 50 milhões. A expectativa é chegar R$ 100 milhões em 2027. De acordo com Rodrigo, os primeiros sinais de crescimento são promissores, com “centenas” de restaurantes sendo adicionados todos os meses. “O ecossistema que a POS Fácil trouxe tem ajudado muito”, conta.

Dentre as “lacunas” preenchidas pela POS Fácil na oferta da Colibri estão totens e tablets para atendimento nos restaurantes. Outro ponto é a rede de 100 revendas, que tem acelerado as vendas.

Mercado e competição

De acordo com Rodrigo, o mercado de sistemas para o mercado de food service no Brasil é muito fragmentado. A Colibri é a líder, com uma fatia de 7% do que é transacionado, o equivalente a R$ 32 bilhões. O segundo concorrente, a Linx – que acaba de ter sua compra pela Totvs finalizada -, tem cerca de 5%. O resto do mercado está nas mãos de players regionais de menor porte.

O iFood tem conquistado espaço no segmento com sua estratégia de ecossistema e de “banco do restaurante”. Rodrigo avalia, no entanto, que o modelo de negócios da companhia – baseado em percentual de receita – pode travar seu crescimento, e abrir espaço para a Colibri.

Para ele, a Colibri tem duas grandes vantagens em relação a seus competidores. A primeira é a possibilidade de uso de equipamentos e sistemas no modo offline. Isso permite mais capilaridade, chegando a vendedores que não podem ser atendidos por outras soluções. “Posso colocar em uma ilha”, vangloria-se Rodrigo.

Outra carta na manga é o programa de fidelidade, que traz benefícios para o dono do restaurante, mas também para o garçom. A ideia é que, ao recompensar o atendente com viagens e outros mimos pelo uso da plataforma, ele atue como um defensor da marca, levando a Colibri para onde ele trabalha. “O iFood tem o motoboy. A gente tem o garçom”, comenta Rodrigo.  

Uma outra vertente em desenvolvimento é a de pagamentos. O sistema Colibri Pay, como foi batizado, está em testes e já transaciona R$ 50 milhões.

Apetite por aquisições

O apetite da RS pela operação da Colibri veio da visão de uma oferta integrada que se construiu ao longo dos últimos oito anos. A RS nasceu como uma software house, criando sistemas para clientes de diferentes segmentos. Em 2018 ela decidiu se especializar no segmento de alimentação e criou a POS Fácil. O primeiro grande cliente, que segue até hoje, foi o Habib´s.

Com conhecimento do mercado, a companhia se cacifou para competir com iFood e Totvs pela Colibri. E levou a melhor. Em setembro do ano passado, ela arrematou a operação avaliada em R$ 100 milhões.

A Colibri tinha ficado mais de uma década sob o comando da americana NCR. Em 2012, sua criadora, a Wyse Sistemas de Informática, foi uma das três adquiridos pela companhia em uma estratégia para ser tornar líder no país em autoatendimento e de sistemas de venda em lojas, canais on-line e dispositivos móveis. Com passar do tempo, no entanto, o negócio foi ficando em segundo plano, até deixar de ser interessante.    

Na conversa com o Startups, Rodrigo não deu detalhes, mas deixou entender que o negócio com a NCR foi apenas o primeiro e que novas aquisições virão pelo caminho. Uma próxima, inclusive, já está em curso.

O post Em nova fase, Colibri quer se tornar a Square brasileira apareceu primeiro em Startups.