
A Logicalis apresentou nesta quinta-feira (13/11) seu tradicional estudo anual de tendências de tecnologia na América Latina e no Brasil, o IT Trends Snapshot, revelando um retrato de um mercado que avança em direção à inteligência artificial (IA), mas ainda enfrenta barreiras estruturais como governança, segurança, dados fragmentados e incertezas sobre modelos de processamento e plataformas. O estudo, que há anos funciona como uma “bússola” para líderes de TI, ouviu 129 CIOs brasileiros de diferentes setores.
Marcio Caputo, vice-presidente-executivo da Logicalis para a América Latina, destacou que a edição de 2025/2026 traz tendências que se repetem, mas também mudanças importantes nas prioridades. “A prioridade número um não surpreende: segurança cibernética”, afirmou. “Mas chama atenção ver que a inteligência artificial não está na segunda posição. Ela aparece em terceiro, atrás da automação de processos em busca de eficiência.”
Segundo ele, esse movimento reflete dois fenômenos simultâneos. O primeiro são empresas que associam IA apenas a Copilot ou ChatGPT, e organizações que já utilizam inteligência artificial embutida em produtos, mas não reconhecem esse cenário como um investimento próprio. A dificuldade em organizar dados, decidir entre nuvem e data center e estabelecer políticas de governança também aparece como freio para a adoção mais estrutural da tecnologia.
Caputo reforçou que esses desafios ampliam o peso estratégico da segurança. “Se já era complexo proteger ambientes on-premises ou em nuvem, agora precisamos discutir como criar segurança para agentes autônomos. Já existe até debate sobre sequestro de agentes virtuais”, alertou.
Eficiência e experiência do cliente na agenda de 2026
Claudia Muchaluat, CRO da Logicalis, detalhou os principais achados do recorte brasileiro. O estudo revela que 60% das empresas planejam ampliar o orçamento de TI no próximo ano, mesmo diante de um cenário econômico conservador. A prioridade é eficiência operacional, citada por 67% dos líderes. Em seguida, a experiência do cliente aparece com 59%, salto relevante em relação aos levantamentos anteriores, de acordo com ela.
A segurança da informação mantém protagonismo absoluto. Entre os respondentes, 80% classificaram o tema como alta prioridade, ante 58% no ano passado. A presença crescente do CISO em conselhos reforça a percepção de risco reputacional e jurídico. Também avança a preocupação com governança, hoje influenciada pela adoção de agentes de IA e ambientes distribuídos.
Claudia destacou ainda que, apesar da disseminação das ferramentas generativas, apenas três em cada dez empresas afirmam medir resultados completos com IA. “Não existe modelo de negócio inovador sem tecnologia, e não existe estratégia de IA sem estratégia de dados”, assinalou. “Mas ainda vemos desafios básicos, como processos não revisados, falta de integração, equipes sem letramento digital e dificuldade em conectar casos de uso ao ROI”, enumerou.
A executiva citou casos práticos, como a jornada do Grupo Algar, que reduziu retrabalho e ampliou a assertividade do faturamento comercial com IA e hiperautomação, além de um projeto no Banco do Brasil voltado à governança e personalização de serviços com inteligência artificial. Em ambos, governança e dados foram decisivos para o desempenho.
Governança de IA, segurança e plataformas
Outro resultado do estudo mencionado pelos executivos é a distância entre ambição e execução. Embora 92% dos CIOs declarem interesse em ampliar o uso de IA, muitos ainda não sabem exatamente como aplicá-la. Pesquisas internas da Logicalis mostram lacunas entre a visão de gestores e o uso real nos times. Em prevenção a fraudes, por exemplo, 57% dizem não adotar IA, número incompatível com a adoção, já embutida, de algoritmos analíticos em ferramentas tradicionais.
Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis, chamou atenção para a definição da arquitetura tecnológica de segurança. O debate entre adotar plataformas “best of breed”, ou seja, as melhores soluções de cada categoria, ou plataformas integradas e multifuncionais, está dividido. “O mercado mostra inconsistência. Muitos defendem o best of breed, mas a falta de especialistas sugere que plataformas unificadas podem fazer mais sentido na prática”, provocou.
O estudo também identifica um movimento de retomada do papel humano como ponte entre tecnologia e processos. Internamente, a Logicalis criou agentes de IA especialistas, como a Norma, ferramenta treinada pelo jurídico para análise de contratos, que atingiu mais de 95% de assertividade em poucos meses. A iniciativa nasceu do próprio departamento jurídico, e não do time de TI, reforçando a tese de que a adoção precisa ser distribuída.
A empresa também iniciou programas de “embaixadores de IA” nas áreas de negócios, promovendo capacitação técnica intermediária para acelerar a geração de casos de uso e aumentar a maturidade digital. O movimento responde a outra métrica do estudo de que apenas 7% das empresas afirmam estar preparadas para aproveitar a IA em escala.
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