
A gestão estratégica de dados das organizações brasileiras permanece, em média, entre os estágios “Reativo” e “Inicial” no Índice de Maturidade em Gestão de Dados (IMGD) da BLR DATA, consultoria especializada em governança de dados. As avaliações foram feitas com 30 empresas de diferentes segmentos da economia desde 2020.
A escala utilizada varia de 1 a 4 e é dividida em quatro níveis: Reativo (1,00 a 1,75), Inicial (1,76 a 2,50), Definido (2,51 a 3,25) e Coordenado (3,26 a 4,00). Segundo a pesquisa, bancos e fintechs registraram média de 1,51 no período analisado, índice inferior à média de 1,65 observada nos demais setores avaliados. O resultado contraria a percepção de que o segmento financeiro já teria alcançado um estágio avançado de maturidade em dados.
“Existe uma percepção de que setores como o financeiro já atingiram alta maturidade, mas isso não se confirma na prática. O que diferencia as organizações não é apenas tecnologia, mas a capacidade de estruturar governança, definir estratégia e executar com consistência. Sem isso, a IA não escala e os investimentos em dados não se traduzem em resultado real”, afirma Bergson Lopes, fundador e sócio-diretor da BLR DATA.
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Entre os segmentos analisados — incluindo Finanças, Educação, Seguros, Saúde, Comércio, Indústria e Serviços — as empresas voltadas à oferta de produtos analíticos apresentaram os melhores resultados, com média de 2,05. Na outra ponta, o setor de Educação registrou o menor índice de maturidade, com média de 1,42.
Apesar do cenário ainda considerado inicial, o estudo aponta sinais de evolução ao longo dos últimos cinco anos. Empresas reavaliadas após a implementação de planos estruturados de ação demonstraram crescimento consistente nos indicadores de maturidade, alcançando níveis próximos de 2,5 já no primeiro ano e avançando posteriormente para patamares próximos de 3, entre os estágios “Definido” e “Coordenado”.
A análise também identificou que os maiores desafios das organizações estão concentrados justamente nas disciplinas consideradas fundamentais para sustentar iniciativas de inteligência artificial e análise avançada de dados. Gestão de Metadados (1,33), Governança de Dados (1,36) e Arquitetura de Dados (1,43) aparecem entre os pilares menos desenvolvidos. Em contrapartida, áreas tradicionalmente impulsionadas por regulamentações e compliance tiveram desempenho superior, como Operações e Database (2,66), Privacidade (2,43) e Segurança (2,39).
Segundo o estudo, o principal obstáculo para o avanço da maturidade em dados não está necessariamente na tecnologia, mas na dimensão humana. O eixo “Pessoas” apresentou a menor média entre os indicadores organizacionais avaliados, com 1,48, refletindo desafios relacionados à capacitação, cultura orientada a dados e preparo das equipes. O índice ficou abaixo das dimensões “Tecnologia” (1,52) e “Processos” (1,67).
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