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Imagem em fundo escuro mostrando uma mão humana à esquerda e uma mão robótica à direita, ambas estendendo o dedo indicador até quase se tocarem no centro. No ponto de aproximação, há um brilho intenso. Ao fundo, aparece uma rede de conexões formada por pontos luminosos interligados por linhas, criando um padrão geométrico que sugere tecnologia, inteligência artificial e conectividade digital. (Gramado Summit)

Um grupo restrito de empresas já conseguiu transformar a inteligência artificial em resultados financeiros concretos e está ampliando sua vantagem competitiva em relação ao restante do mercado. Segundo o estudo “IA na estratégia: crescer ou ficar para trás”, realizado pela PwC, organizações classificadas como líderes no uso da tecnologia registram ganhos de receita e eficiência até 7,2 vezes superiores aos das demais companhias.

De acordo com o levantamento, o diferencial dessas empresas não está apenas na adoção da tecnologia, mas na capacidade de integrá-la à estratégia corporativa e utilizá-la como instrumento de reinvenção dos negócios. A pesquisa aponta que oportunidades de crescimento surgem principalmente a partir da reconfiguração de cadeias de valor e da colaboração entre diferentes setores da economia.

As chamadas “líderes em IA” representam 20% das 1.217 organizações analisadas, mas concentram mais de 70% do valor gerado pela tecnologia globalmente. O estudo ouviu executivos de 25 segmentos em mercados da África, Ásia, Europa, Oriente Médio, América do Norte e América do Sul, incluindo o Brasil.

Os resultados indicam que empresas que fortalecem pilares como estratégia, investimento, dados, tecnologia, força de trabalho, governança e inovação conseguem ampliar os retornos à medida que expandem o uso da inteligência artificial. Nesses casos, a IA deixa de ser uma ferramenta pontual e passa a atuar como motor de transformação organizacional.

Brasil ainda investe menos em iniciativas de longo prazo

O estudo mostra que o Brasil apresenta níveis mais baixos de investimento em projetos de IA voltados ao longo prazo quando comparado às empresas mais avançadas globalmente. Apenas 30% das organizações brasileiras direcionam recursos para iniciativas com foco em resultados futuros, enquanto entre as líderes globais esse percentual alcança 65%.

A diferença também aparece na transformação dos processos internos. Apenas 9% das empresas brasileiras redesenham fluxos de trabalho para incorporar inteligência artificial, contra uma média de 56% entre as organizações líderes.

Os dados reforçam conclusões apresentadas anteriormente pela 29ª CEO Survey da PwC Brasil, divulgada em janeiro, segundo a qual 56% dos CEOs brasileiros afirmaram não ter obtido benefícios financeiros com a adoção da IA no último ano.

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“O diferencial não é usar mais tecnologia, mas ter aptidão para o uso da IA: a capacidade de direcionar a IA para objetivos estratégicos claros, construir bases adequadas e integrá-la de forma consistente em toda a organização”, explica Marco Castro, CEO da PwC Brasil.

Segundo o executivo, o estudo busca identificar quais práticas diferenciam empresas que já conseguem transformar iniciativas de IA em resultados concretos.

“Apresentamos o que as empresas com resultados acima da média fazem para desenvolver essa aptidão com o uso da IA e reinventar seus negócios. Essas práticas estão ao alcance de qualquer negócio e indústria”, completa Castro.

Infraestrutura, pessoas e governança fazem diferença

O levantamento aponta que organizações com melhor desempenho financeiro associado à IA também apresentam maior capacidade de acelerar o lançamento de produtos e serviços, transformar modelos operacionais, melhorar a qualidade das decisões e fortalecer a experiência dos clientes.

Enquanto isso, grande parte das empresas brasileiras ainda adota soluções de IA sobre processos existentes sem promover mudanças estruturais. Apenas 28% contam com infraestrutura dedicada à experimentação da tecnologia, percentual que chega a 54% entre as líderes.

Para avaliar o grau de maturidade das organizações, a PwC desenvolveu um índice de aptidão para IA, que mede a capacidade de converter tecnologia em valor por meio da integração entre estratégia, dados, tecnologia, pessoas e governança. Em uma escala de 0 a 10, as empresas líderes alcançaram média de 6,8 pontos.

O Brasil registrou nota 5,0. Segundo a análise, o país apresenta uma infraestrutura relativamente mais desenvolvida do que sua capacidade de aplicar a tecnologia de maneira estratégica para impulsionar crescimento e geração de valor.

Outro fator apontado como decisivo é a confiança dos profissionais na tecnologia. De acordo com a pesquisa, colaboradores de empresas líderes em IA têm 2,1 vezes mais probabilidade de confiar nos insights gerados pelos sistemas e utilizá-los nas decisões do dia a dia.

As organizações mais avançadas também apresentam níveis superiores de governança. Em segurança de dados e infraestrutura, por exemplo, 69% das empresas líderes adotam práticas estruturadas, enquanto no Brasil o percentual é de 53%.

“Tudo isso nos mostra que quando a IA é confiável, bem direcionada e sustentada por bases sólidas, ela deixa de gerar melhorias pontuais e passa a construir uma vantagem competitiva que se acumula com o tempo. As empresas brasileiras que agirem agora ainda têm espaço para recuperar terreno. As que esperarem verão a distância crescer”, conclui o executivo.

Mídia e entretenimento lideram adoção da IA

A pesquisa também identificou diferenças relevantes entre os setores econômicos. O segmento de mídia e entretenimento aparece entre os mais avançados na incorporação da inteligência artificial ao longo da cadeia de valor.

Segundo o levantamento, 54% das empresas do setor já utilizam IA em atividades relacionadas à definição de diretrizes estratégicas e planejamento. Na geração de demanda, como marketing e vendas, o índice chega a 55%. Já nos serviços de suporte, como finanças e recursos humanos, a adoção alcança 35%, enquanto 41% utilizam a tecnologia em atividades ligadas ao atendimento da demanda.

Outros segmentos também se destacam em etapas específicas. Os setores farmacêutico, de biociências e automotivo lideram na definição de diretrizes; tecnologia, turismo e lazer se sobressaem na geração de demanda; private equity lidera nos serviços de suporte; e seguros aparece à frente nas atividades relacionadas ao atendimento da demanda

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