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A imagem mostra uma pessoa vestindo um terno escuro e gravata, apontando o dedo indicador para um ícone digital de nuvem com setas de upload e download. O efeito visual ao redor da nuvem remete à tecnologia e computação em nuvem, representando conceitos como armazenamento, transferência de dados e inovação digital. O fundo escuro e os elementos brilhantes destacam a ideia de tecnologia avançada e transformação digital (Nuvem, migração para a nuvem, computação em nuvem, cloud, AWS, Claranet, vulnerabilidade)

A corrida pela inteligência artificial (IA) está redesenhando os fundamentos da nuvem. Segundo levantamento da Forrester, a infraestrutura tradicional de nuvem, baseada em serviços de baixo custo com margens apertadas, está dando lugar à chamada nuvem nativa de IA, uma nova arquitetura onde a IA deixa de ser um serviço à parte e passa a ser o princípio organizador de toda a plataforma.

Segundo analistas da Forrester, a virada de chave aconteceu com o avanço da IA generativa. Diferentemente dos serviços de infraestrutura convencionais, os serviços de IA trazem margens elevadas e exigem investimentos colossais. Os números mostram a mudança de foco:

  • A Microsoft destina US$ 80 bilhões, só em 2025, para centros de dados dedicados à IA.
  • A AWS criou o Projeto Ranier para a startup Anthropic, um supercluster com GPUs proprietárias e investimento de US$ 4 bilhões.
  • O Google está investindo US$ 2 bilhões em um data center em Indiana com foco exclusivo em IA.
  • A Alibaba também anunciou uma arquitetura de nuvem renovada para suportar cargas de trabalho de IA.

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E quem está financiando essa transformação? Todos os usuários. Mesmo empresas que não contratam serviços explícitos de IA já estão pagando a conta, direta ou indiretamente, por meio de seus contratos em nuvem.

Infraestrutura maior, mais densa e mais quente

A nuvem nativa de IA exige centros de dados ainda maiores, com latência mínima e altíssima densidade de GPUs. A refrigeração desses ambientes demanda sistemas especiais, e o consumo energético tem levado à retomada de fontes como a energia nuclear.

A Amazon, por exemplo, constrói data centers próximos a usinas nucleares e investe na expansão desse tipo de energia. O projeto Stargate, de US$ 500 bilhões, em parceria com OpenAI, Oracle e Softbank, prevê um centro de dados de cinco gigawatts no Texas. A Oracle, aliás, afirma ter construído, junto à Nvidia, o maior supercomputador de IA do mundo. Já a xAI, empresa de Elon Musk, está instalando 15 geradores a gás natural para alimentar o data center Colossus, no Tennessee.

A ascensão dos “neoclouds”

De acordo com análise de analistas da Forrester, enquanto os grandes provedores (hiperescaladores) seguem operando a nuvem commodity como porta de entrada para clientes corporativos, uma nova geração de empresas (os neoclouds) está focada exclusivamente em IA.

  • A holandesa Nebius, nascida do Yandex, recebeu investimentos e GPUs da NVIDIA.
  • A CoreWeave, especializada apenas em GPU, já vale US$ 23 bilhões.
  • A Vultr, antes focada em nuvem commodity, atraiu US$ 333 milhões para construir data centers de IA com chips AMD, atingindo valor de mercado de US$ 3,5 bilhões.
  • E a própria Nvidia anunciou planos para criar uma nuvem de IA maior do que a da AWS.

Caminho para empresas e governos

A nuvem nativa de IA vai além da infraestrutura dos hiperescaladores. Ela pode ser construída por meio de plataformas abertas sobre nuvens públicas, soluções neo-PaaS como Heroku, Mirantis ou Red Hat, serviços gerenciados de IA dos grandes players, plataformas especializadas como Databricks e Snowflake, ou os próprios neoclouds.

A maturidade do ecossistema open source baseado em Kubernetes é essencial nesse cenário. Um exemplo é o uso do Azure Kubernetes Service pela OpenAI para escalar o ChatGPT.

Com grandes aportes e parcerias estratégicas, as novas plataformas estão acelerando o desenvolvimento de uma nuvem de IA aberta, diversa e em rápida evolução.

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