
Erin Brockovich (essa mesma, do filme) está dando início a uma nova cruzada, desta vez com os data centers na mira. A ativista ambiental lançou recentemente uma plataforma para mapear essas infraestruturas nos Estados Unidos e denunciar a falta de transparência acerca dessas instalações.
O site funciona como um mapa interativo dos principais data centers de IA nos EUA, incluindo os já em operação, os que ainda estão em construção, os que estão pendentes de aprovação, e localizações onde moradores reportaram preocupações. A iniciativa cresceu rapidamente: depois de um chamado público em abril, o site recebeu quase 4 mil relatos só no primeiro mês.
A ironia é que a plataforma tem todas as marcas de um projeto desenvolvido com auxílio de inteligência artificial, desde o código do site até a sistematização de milhares de relatos. Ou seja: para mapear os impactos da IA, Erin Brockovich provavelmente pediu ajuda à própria IA.
Entre os sinais de que o site Brockovich AI Data Center Reporting foi feito com ajuda de IA estão, por exemplo, comentários excessivamente organizados separando cada seção do código, um sistema de cores nomeado com precisão quase didática, meta tags de SEO e acessibilidade implementadas de forma impecável – detalhes que poucos desenvolvedores humanos incluiriam todos de uma vez, num único arquivo, sem esquecer nada.
O Startups também utilizou uma plataforma detectora de IA, que apontou para 85,5% de uso de inteligência artificial no código do site.
Em um post no Substack, porém, Erin Brockovich deixa claro que não tem nada contra a IA ou mesmo os data centers, em si, mas sim contra o padrão que o mapa documenta. “Projetos anunciados depois que as licenças já foram aprovadas, desenvolvedores que não retornam ligações, e autoridades locais que assinaram acordos de confidencialidade antes que os próprios vizinhos soubessem que um empreendimento estava sendo considerado”, diz.
A grande questão é que data centers influenciam no consumo de energia, recursos hídricos e poluição sonora, além da própria geração de lixo, nas regiões onde são instalados. O objetivo do mapa é mostrar quais as principais preocupações dos moradores no entorno dessas instalações.
“A preocupação mais recorrente – mais do que o barulho, mais do que o consumo de água, mais do que o aumento das contas de energia – é uma única palavra que aparece repetidamente em relato após relato: transparência”, aponta a ativista.
Erin Brockovich ficou conhecida mundialmente ao liderar, no início dos anos 1990, uma investigação contra a Pacific Gas & Electric, gigante do setor energético americano. A empresa estava contaminando o abastecimento de água da cidade de Hinkley, na Califórnia, com cromo hexavalente, uma substância altamente tóxica ligada ao câncer. Sem ser advogada, ela reuniu evidências e convenceu moradores a processar a companhia. O caso resultou, em 1996, no maior acordo já obtido nos Estados Unidos em um processo movido diretamente contra uma corporação: US$ 333 milhões em indenizações.
A história virou filme em 2000, com Julia Roberts no papel principal, rendendo à artista o Oscar de melhor atriz. Desde então, Brockovich se consolidou como uma das vozes mais reconhecidas do ativismo ambiental americano.
O post Erin Brockovich tem um problema com os data centers – mas não com a IA apareceu primeiro em Startups.
