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Imagem mostra Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon.com.br, sentada à esquerda com um caderno no colo, usando óculos e um lenço estampado, e Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, à direita, falando ao microfone e segurando folhas de papel. Ambos participam de um evento em ambiente interno com vista para uma área urbana ao fundo.

Diretora-geral da Amazon Brasil desde o início deste ano, Juliana Sztrajtman lidera a gigante do varejo e da tecnologia dos Estados Unidos em um momento de turbulência nas relações entre os dois países. Nesta quarta-feira (30), Donald Trump, presidente norte-americano, assinou um decreto que impôs uma nova sobretaxa sobre produtos importados do Brasil, acirrando a guerra comercial entre as duas nações.

A decisão de Trump, anunciada no começo deste mês, provocou reações por parte do governo brasileiro. Há duas semanas, durante sua participação no 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), na Universidade Federal de Goiás, em Goiânia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país poderia começar a tributar empresas digitais americanas como resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Em entrevista à imprensa nesta quinta-feira (31), a diretora da companhia declarou que a empresa “acompanha de perto” a situação, mas que as operações no Brasil não devem ser afetadas, mesmo que novas taxas sejam aplicadas contra as big techs no país.

“A estratégia não muda porque trabalhamos com foco no longo prazo”, disse. “Neste momento, estamos fazendo investimentos em infraestrutura que serão aproveitados por muitos anos, com o objetivo de prestar um bom serviço ao consumidor brasileiro. Não há qualquer tipo de inflexão ou mudança na estratégia da Amazon.”

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O governo brasileiro estuda atualmente uma série de possibilidades de tributação para as chamadas “big techs” que atuam no país. Uma das alternativas discutidas há mais de um ano pelo Ministério da Fazenda seria o uso da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que poderia funcionar como um imposto sobre serviços digitais no Brasil.

Na véspera do envio do projeto de lei orçamentária deste ano ao Congresso, em agosto passado, Dario Durigan, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, chegou a anunciar que o governo incluiria a proposta de taxação de grandes empresas digitais para reforçar a arrecadação federal.

O Executivo, no entanto, recuou diante das resistências no Congresso e da atuação de lobby por parte das companhias do setor junto a parlamentares.

Questionada sobre a possibilidade de novas tributações no Brasil impactarem os preços de produtos em seu marketplace, Juliana afirmou ser “difícil dizer” se ou quais serão os possíveis impactos em números ou percentuais, e que a companhia aguardará “informações reais” antes de tomar qualquer decisão.

“A estratégia é ter cada vez mais produtos, entregar mais rápido e ter um preço competitivo. Vou operar dentro de qualquer regra nova que exista, mas nesses três pilares, não mexo”, afirmou. “Mas, obviamente, posso adaptar a operação e fazer outros ajustes para que ela seja sustentável.”

Uma das frentes da Amazon no Brasil que pode ser afetada pelas novas tarifas impostas por Trump é o Programa de Vendas Internacionais da empresa. Lançado em 2021, a iniciativa, operada em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), permite que companhias nacionais comercializem seus produtos no exterior, incluindo os Estados Unidos.

Neste ano, o projeto – também conhecido como E-Xport Amazon.com – teve uma nova rodada de treinamentos e capacitações para vendedores interessados em abrir lojas no mercado norte-americano.

Sobre a iniciativa, Juliana reforçou que ela deverá continuar operando no Brasil, embora ajustes possam ser feitos conforme a situação evolua. “A gente está entendendo qual é a melhor forma de atuar, obviamente dentro das novas regras”, destacou.

AWS é “insumo” para o Brasil

Questionado sobre possíveis impactos de uma eventual regulamentação e aumento de tributos sobre serviços de tecnologia no país, Cleber Morais, diretor-geral da AWS no Brasil, defendeu que a companhia já contribui com diversos encargos, especialmente devido à infraestrutura local instalada.

“Toda a infraestrutura do Brasil, a gente já paga um imposto de cotação para todos os produtos. Pagamos toda a parte energética, e somos grandes consumidores de energia”, explicou.

Para ele, a AWS deve ser entendida como um insumo essencial para outras empresas brasileiras, como instituições financeiras e companhias de tecnologia. “Sou um insumo para grandes empresas. O que precisa ser observado é como o governo enxerga isso de ponta a ponta”, afirmou.

Sobre o possível impacto de uma nova taxação no preço final dos serviços, Morais disse que os custos “não necessariamente” devem aumentar e que a AWS trabalha intensamente com otimização de uso e novas tecnologias para manter seu diferencial competitivo.

“A nuvem tem um processo muito parecido com a conta de energia elétrica. No início, o cliente usa livremente, mas ao perceber os custos, começa a otimizar, automatizar e usar melhor os recursos”, destacou. “Temos mais de 15 tipos de processadores. Um deles pode ser até 95% mais barato que outro, dependendo da aplicação. A tecnologia precisa ser usada como diferencial competitivo”, completou.

R$ 55 bilhões em uma década

Durante o encontro, a Amazon divulgou um relatório sobre seus investimentos no Brasil na última década. Segundo o documento, foram investidos R$ 55 bilhões no país desde 2011, o que representa uma média de R$ 15 milhões por dia. A expansão mais acelerada ocorreu em 2024, com R$ 13,6 bilhões aplicados no ano, o equivalente a 23% do total desde o início das operações no território nacional.

Os aportes contribuíram para a criação de 5 mil empregos diretos e 30 mil indiretos, em setores diversos da atuação da companhia.

No Brasil, a Amazon opera hoje 200 polos logísticos – 140 deles inaugurados nos últimos 18 meses – e distribui mais de 150 milhões de produtos em 50 categorias. A estrutura física é complementada por iniciativas de capacitação profissional, com mais de 800 mil brasileiros treinados em computação em nuvem e inteligência artificial desde 2017.

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