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Imagem de um smartphone com o logótipo do WhatsApp no ecrã, apoiado sobre o teclado de um portátil iluminado por luz vermelha intensa. O contraste entre a iluminação vermelha e o fundo verde da aplicação destaca o ícone da mensagem dentro de um balão de fala, símbolo reconhecível da plataforma.

O ex-diretor de segurança do WhatsApp, Attaullah Baig, protocolou na segunda-feira (8) uma ação judicial contra a Meta no tribunal federal da Califórnia. O executivo acusa a empresa de Mark Zuckerberg de deliberadamente ignorar graves falhas de segurança que colocaram em risco dados pessoais de bilhões de usuários da plataforma de mensagens, segundo informações do The New York Times.

De acordo com o processo, Baig descobriu que aproximadamente 1.500 funcionários do WhatsApp tinham acesso irrestrito a informações confidenciais dos usuários, incluindo fotos de perfil, localização, listas de contatos e participação em grupos. O ex-executivo, que trabalhou na empresa entre janeiro de 2021 e fevereiro de 2025, afirma ter alertado repetidamente seus superiores sobre as vulnerabilidades encontradas durante exercícios internos de segurança.

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Segundo a ação, essas denúncias teriam chegado até o CEO da Meta, mas as propostas de correção foram sistematicamente rejeitadas. Entre as medidas de segurança sugeridas e não implementadas estavam um sistema de aprovação adicional para recuperação de contas e uma função para impedir o download não autorizado de fotos de perfil.

O processo também revela que a Meta teria falhado em combater adequadamente o comprometimento de mais de 100 mil contas de usuários por dia. “Existem tantos danos que os usuários enfrentam. Trata-se de responsabilizar a Meta e colocar os interesses dos usuários em primeiro lugar”, declarou Baig em entrevista à imprensa americana.

Em resposta às alegações, Carl Woog, porta-voz do WhatsApp, classificou a ação como “um roteiro familiar em que um ex-funcionário é demitido por mau desempenho”. O representante da empresa afirmou que as acusações são “distorcidas” e “deturpam o trabalho árduo e contínuo” das equipes de segurança. Baig, por sua vez, sustenta que sua demissão foi uma retaliação direta às denúncias que fez.

A ação se soma a uma série de denúncias contra a Meta nos últimos anos. A empresa já havia sido multada em US$ 5 bilhões pela Comissão Federal de Comércio (FTC) em 2019, após o escândalo da Cambridge Analytica, quando se comprometeu a fortalecer suas políticas de privacidade. O caso de Baig ecoa as revelações de Frances Haugen, ex-funcionária que em 2021 vazou documentos internos da Meta e testemunhou no Congresso americano.

A Meta adquiriu o WhatsApp em 2014 por US$ 19 bilhões, prometendo manter a forte reputação de privacidade do aplicativo, baseada principalmente na criptografia de ponta a ponta. As novas alegações colocam em questão se essas promessas estão sendo cumpridas na prática. O processo argumenta que as supostas falhas de segurança violam o acordo firmado com a FTC, o que pode resultar em novas sanções regulatórias para a empresa.

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