Skip to main content
Notícias

Fim do suporte ao Windows 10: quais são os riscos e alternativas

By 1 de abril de 2025No Comments

windows 10

Por Heber Lopes

Após o dia 14 de outubro deste ano, a Microsoft vai encerrar o suporte ao Windows 10 – o que significa que o sistema operacional não vai mais receber atualizações de segurança, ou suporte do fabricante. Com uma grande base instalada, essa versão do sistema operacional serviu de pilar para inúmeras aplicações corporativas e integrações de TI, especialmente em ambientes de grande porte que dependem de consistência e estabilidade para rodar serviços críticos. Agora, a proximidade do fim do suporte oficial representa um marco que exige atenção imediata: manter máquinas nesse sistema pode abrir brechas para ameaças cada vez mais sofisticadas, além de impactar a produtividade e a conformidade regulatória.

Quem acompanha o setor de TI sabe que essas descontinuações já ocorreram antes, como no caso do Windows 7, mas o cenário atual é ainda mais complexo. A evolução rápida das ciberameaças, a intensificação da transformação digital e a adoção ampliada do trabalho híbrido tornam qualquer vulnerabilidade potencialmente perigosa, seja para grandes corporações ou para grupos que lidam com dados sensíveis. Ao mesmo tempo, muitas empresas brasileiras ainda operam com um grande parque de máquinas que não será compatível com o Windows 11 – seja pela ausência de componentes mínimos de hardware, seja pela falta de um plano efetivo de migração.

O grande problema é que ficar no Windows 10 depois de outubro é abrir espaço para silos de ameaças ocultas. A partir do momento em que a Microsoft encerrar as atualizações de segurança, cada nova vulnerabilidade descoberta deixará de ser corrigida. Em um ambiente corporativo, esse risco se multiplica, pois máquinas sem patches podem se tornar a porta de entrada para ataques de ransomware, sequestro de dados, sabotagens e uma série de incidentes que podem paralisar a operação, com perdas diretas e indiretas elevadas.

Leia também: Caixa acelera digitalização e busca ampliar conexão com clientes

Um cenário de vulnerabilidades e riscos crescentes

O fim do suporte do Windows 10 significa, na prática, que serão suspensas as correções de falhas e as melhorias de segurança liberadas mensalmente. Cibercriminosos tendem a focar seus ataques justamente em versões desatualizadas de sistemas operacionais, pois sabem que não haverá barreiras técnicas novas para impedir suas investidas.

Além dos riscos imediatos de segurança, há também a questão de governança e compliance. Diversos setores regulados, como financeiro, saúde e varejo, possuem diretrizes rígidas em relação à proteção de dados e à garantia de atualizações constantes. Manter máquinas em um sistema sem suporte oficial pode acarretar multas e sanções, caso seja interpretado como negligência perante regras de proteção de dados (como a LGPD, no caso brasileiro), ou perante padrões internacionais de segurança. Essa lacuna pode, inclusive, refletir na reputação da empresa e na confiança de investidores e parceiros de negócio.

Outro problema, menos óbvio mas igualmente importante, é a fragmentação operacional. A manutenção de um parque de máquinas defasado cria cenários em que cada setor da empresa tenta compensar a falta de atualizações de maneiras diversas – seja instalando softwares de segurança de terceiros, seja adotando soluções temporárias para contornar problemas de incompatibilidade.

Esse tipo de improviso resulta em um ambiente de TI ainda mais complexo, em que há pouca visibilidade sobre o que está realmente seguro e atualizado. E, quando não há um plano centralizado de migração, cada departamento segue um ritmo diferente, o que gera atrasos, custos extras e riscos de incompatibilidades entre sistemas internos.

A corrida contra o tempo e a pressão orçamentária

A proximidade do fim do suporte impõe um senso de urgência à liderança. Afinal, estamos falando de uma transformação que, em muitos casos, envolve centenas ou até milhares de máquinas. Não basta apenas comprar novas licenças ou realizar o upgrade in-place: há a necessidade de avaliar a compatibilidade de hardware, a maturidade dos aplicativos que rodarão no novo sistema operacional, as políticas de segurança e criptografia (como a exigência do TPM 2.0, por exemplo) e, principalmente, o treinamento e adaptação das equipes que usarão diariamente essas máquinas.

O grande desafio é equilibrar essa pressão com o orçamento disponível. Se, por um lado, há urgência em abandonar o Windows 10, por outro, a substituição de um parque de dispositivos pode significar um desembolso considerável. Muitas empresas se veem, portanto, em uma espécie de encruzilhada: sabem que migrar para o Windows 11 é indispensável para garantir segurança e performance, mas temem pelo impacto financeiro imediato de renovar máquinas que ainda funcionam “razoavelmente bem” no dia a dia.

A experiência mostra, porém, que adiar esse movimento tende a sair ainda mais caro. A própria Microsoft e parceiros especializados já alertaram para programas de suporte estendido (pagos) que só retardam o inevitável, além de onerar o caixa da empresa com custos recorrentes e crescentes. Enquanto isso, cibercriminosos não vão aguardar a formação de um consenso. Cada mês em que o Windows 10 permanece sem updates oficiais é um mês de oportunidades para ataques direcionados. Em certas negociações de seguros cibernéticos, inclusive, contar com sistemas obsoletos pode inviabilizar a contratação ou encarecer muito os prêmios. Logo, a decisão de postergar a transição acaba gerando gastos que superam os custos de um planejamento de migração bem estruturado.

Uma opção para lidar com o desafio orçamentário é avaliar o modelo de investimento em tecnologia. Nesse sentido, existem basicamente dois caminhos: ou a empresa recorre ao Capex (Capital Expenditure), adquirindo novos equipamentos por meio de investimentos de capital – o que pode ser oneroso em épocas de alta do dólar e dos juros –, ou, então, opta pelo Opex (Operational Expenditure), contratando o hardware como serviço (outsourcing).

No primeiro cenário (Capex), há a necessidade de um desembolso elevado para compra de notebooks e desktops, impactando o fluxo de caixa da organização. Já no modelo Opex, os custos são diluídos em despesas operacionais contínuas, o que se mostra vantajoso para muitas empresas e órgãos públicos, pois minimiza a demanda de capital inicial e reduz o risco associado a obsolescências futuras.

O modelo Opex – que em resumo, é o outsourcing – possibilita as empresas contarem com suporte especializado, atualizações recorrentes e a possibilidade de escalar ou reduzir o parque de máquinas conforme a demanda, sem precisar arcar com a substituição completa dos equipamentos. Esse modelo traz mais previsibilidade no planejamento financeiro, mantendo a infraestrutura em constante evolução e em conformidade com as exigências do Windows 11 e das boas práticas de segurança.

As múltiplas opções para evitar gargalos

Diante desse cenário, há diferentes caminhos para as empresas que querem se preparar com antecedência:

Upgrade do sistema operacional: Em muitas máquinas compatíveis, basta realizar a migração do Windows 10 para o Windows 11, seguindo as boas práticas de backup, checagem de drivers e testes de compatibilidade com sistemas críticos. Essa é a rota mais direta para quem comprou equipamentos relativamente recentes, que já contam com o módulo TPM 2.0 e outras exigências do Windows 11.

Renovação do parque de hardware: No caso de dispositivos que não atingem os requisitos mínimos, a substituição do equipamento pode ser a melhor escolha. Embora a aquisição de novos computadores represente um custo imediato, garante mais longevidade de uso e uma plataforma mais robusta para rodar aplicações modernas, além de funcionalidades de segurança baseadas em hardware. Muitas vezes, as empresas aproveitam esse movimento para padronizar as configurações internas, diminuindo o retrabalho de suporte e manutenção.

Adoção de plataformas de virtualização e Desktop as a Service (DaaS): Outra tendência é migrar parte das operações de TI para desktops virtuais, rodando na nuvem. Isso permite que usuários acessem um ambiente Windows 11 a partir de máquinas menos robustas, desde que haja boa conectividade. Embora não seja a solução para todos os casos, pode ser um caminho viável para workloads específicos ou para empresas que preferem um modelo de custo previsível, sem imobilizar tanto capital na compra de novos equipamentos.

Parcerias estratégicas e consultoria especializada: A escolha de um parceiro de tecnologia confiável pode encurtar caminhos e oferecer a experiência de quem já enfrentou transições semelhantes em outras organizações. Avaliar a estrutura atual, criar um cronograma de migração escalonada e planejar contingências para máquinas críticas são passos que exigem conhecimento técnico e visão de negócio. Em muitos casos, é mais econômico contratar uma consultoria para executar esse processo de forma ágil e estruturada, do que tentar conduzir tudo internamente e só depois correr atrás de suporte ao surgirem problemas.

Segurança da informação como eixo central

Independentemente do caminho escolhido, a segurança da informação deve ser o eixo central de todo o planejamento. Não estamos falando apenas de instalar antivírus ou atualizar políticas de firewall, mas de construir uma governança sólida. A descontinuação do Windows 10 pode ser uma oportunidade para rever processos internos e adotar conceitos mais avançados de proteção, como o Zero Trust, que exige verificação constante de usuários e dispositivos para conceder acesso a recursos da empresa.

O ideal é que as empresas definam diretrizes claras de segurança e conformidade, mapeando quem tem acesso a cada aplicação e quais dados precisam de maior nível de proteção. É nesse contexto que a parceria com provedores de segurança digital, integradores ou consultorias especializadas se torna ainda mais relevante. Quando o assunto é ameaça cibernética, não basta assumir que tudo está protegido porque “sempre funcionou assim”. Se a organização não fizer uma checagem profunda de configurações, não estabelecer monitoramento contínuo e não mantiver suas máquinas no estado mais atualizado possível, rapidamente surgirá alguma brecha para invasores explorarem.

O fato é que postergar a migração do Windows 10 não elimina a necessidade de mudança. Pelo contrário, amplia o risco de brechas de segurança, prejudica a conformidade regulatória e pode minar a competitividade das empresas brasileiras, que já lidam com diversos desafios estruturais na economia. O caminho para evitar esse gargalo é encarar o fim do suporte como uma oportunidade de evolução e fortalecimento da estratégia de TI, seja investindo na compra de equipamentos mais atuais, seja migrando para uma plataforma de virtualização ou, ainda, contando com um parceiro de tecnologia para garantir que tudo aconteça de forma planejada e eficaz.

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!