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Dois dos sócios da Oxus Finance: Felipe Trentin
Dois dos sócios da Oxus Finance: Felipe Trentin “Coruja” e Rafael Castaneda | Foto: Divulgação

A fintech Oxus Finance levantou uma rodada de US$ 2,4 milhões para expandir suas operações globalmente, incorporando stablecoins aos sistemas de remessas internacionais. O aporte foi liderado pela Echo3 Participações, com investimentos das empresas Underblock, Boost Research e Defiers. Também participaram nomes do mercado como Ernani Assis, ex-diretor de desenvolvimento de negócios da Nomad, como investidor anjo.

Segundo o CEO da Oxus Finance, Fillipe Trentin, os recursos serão utilizados principalmente para a expansão da empresa aos mercados norte-americano, europeu e asiático. Atualmente, a companhia possui escritórios no Brasil, em São Paulo, e nos Estados Unidos, em Delaware.

“Nosso objetivo é funcionar como uma espécie de Decolar.com das stablecoins, agregando rotas para pagamentos cross border. Com uso de IA, selecionamos qual a melhor rota, considerando cotação e spread, por exemplo, para que a empresa em um único acesso faça o pagamento daquela remessa internacional, ganhando na margem”, explica Filipe, em entrevista ao Startups.

Fundada há apenas seis meses, a fintech é voltada para o público B2B e já tem entre seus clientes players dos segmentos de petroquímica, telecom, importadores de celulose e plástico, indústria, além de algumas empresas de tecnologia que utilizam o serviço para pagar funcionários expatriados, por exemplo.

A empresa se posiciona como um agregador de diferentes provedores de liquidez e infraestrutura, incluindo emissores de stablecoins, plataformas de câmbio tradicional e sistemas de liquidação internacional. “Não nos ancoramos apenas em stablecoins. Também integramos o mercado tradicional de fechamento de câmbio e vários provedores. Inclusive, redes como o SWIFT estão cada vez mais se institucionalizando para oferecer alternativas rápidas, inspiradas na eficiência das stablecoins”, afirma.

Consolidação do mercado de cripto

Na avaliação da Oxus Finance, o atual momento regulatório é decisivo para destravar a adoção institucional de ativos virtuais no Brasil. De acordo com Fillipe, o país vive hoje dois movimentos regulatórios importantes em paralelo, que devem trazer mais previsibilidade ao mercado.

O primeiro deles é a regulamentação conduzida pelo Banco Central que estabelece regras para a prestação de serviços com ativos virtuais. “As empresas do setor vão precisar se enquadrar, e isso tende a gerar uma consolidação do mercado. Players menores devem acabar sendo incorporados por empresas maiores da indústria”, afirma o executivo.

Em paralelo, tramita no Congresso Nacional uma proposta para atualizar o Marco Legal das Stablecoins, com foco na proibição da emissão de moedas lastreadas apenas em mecanismos algorítmicos. Segundo o CEO da Oxus, a discussão busca diferenciar claramente as stablecoins tradicionais — atreladas a ativos reais e com lastro correspondente, mantido e auditado — das chamadas stablecoins algorítmicas, que não possuem lastro físico.

“O histórico mostrou que esse modelo algorítmico pode se transformar em um castelo de cartas. Já vimos isso desmoronar no mercado internacional”, afirma Filipe, citando o episódio que envolveu o colapso do ecossistema Terra (LUNA), em 2022. Para ele, apesar de algumas iniciativas tentarem montar cestas de ativos e mecanismos automáticos de emissão e queima para manter o valor estável, a ausência de lastro direto aumenta significativamente o risco.

Do ponto de vista da Oxus, a exigência não representa uma restrição, mas sim um fortalecimento do ecossistema. “Para que haja maior adesão do mercado, especialmente dos grandes institucionais, é fundamental ter clareza regulatória e a certeza de que aquele sistema não vai desmoronar. O Congresso está construindo avenidas para que grandes veículos possam transitar com segurança”, resume.

A proposta seguiu para análise das comissões de Finanças e Tributação (CFT) e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Se aprovada, segue para o Senado Federal.

O aumento da procura pelos serviços da fintech, de acordo com Filipe, está diretamente relacionado à evolução da regulamentação. “A demanda vem crescendo à medida que os marcos regulatórios avançam, porque agora existe clareza sobre nomenclaturas e responsabilidades. Ainda existe muita névoa para grandes instituições, que não entendem bem as diferenças entre os tipos de ativos. A Oxus também tem um papel educativo nesse processo.”

Dentro dessa agenda, a empresa pretende lançar um manifesto em defesa da digitalização das finanças no Brasil e estruturar um hub educacional voltado ao mercado corporativo e institucional.

O post Fintech capta US$ 2,4M para levar stablecoins às remessas internacionais apareceu primeiro em Startups.