
A desaceleração dos fluxos de capital para o Bitcoin tem sido apontada como um dos principais fatores por trás da recente fraqueza da criptomoeda, hoje negociada abaixo de US$ 64 mil. Só no último mês, o Bitcoin acumula queda de quase 20%. No ano, o recuo é de 26%. Responsáveis pela valorização da criptomoeda nos últimos anos, os ETFs agora parecem estar contribuindo para esse movimento de baixa.
Segundo a consultoria de private capital Bernstein, as entradas líquidas em Bitcoin provenientes de ETFs e empresas que mantêm o ativo em tesouraria somam cerca de US$ 12 bilhões em 2026, contra US$ 60 bilhões registrados em todo o ano de 2025 — uma queda de aproximadamente 80%.
Os ETFs de Bitcoin acumulam saídas líquidas de cerca de US$ 2,6 bilhões neste ano, enquanto os fluxos positivos têm sido sustentados principalmente por empresas que continuam adicionando BTC aos seus balanços, como a Strategy, de Michael Saylor.
Só na semana passada, os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA registraram uma saída de US$ 1,72 bilhão, a maior saída semanal desde abril de 2025.
A Bernstein avalia que parte do capital de varejo migrou para ações ligadas à inteligência artificial, setor que tem concentrado a atenção dos investidores. Ainda assim, a casa destaca que a estrutura de mercado do Bitcoin está mais madura do que em ciclos anteriores, com participação crescente de investidores institucionais, gestoras de patrimônio, fundos de pensão e ETFs.
A importância dos ETFs para o mercado de criptomoedas vai além dos números atuais. Nos últimos anos, esses produtos desempenharam papel fundamental na consolidação do Bitcoin como classe de ativos. O movimento ganhou força com a entrada de grandes gestoras, como a BlackRock, aumentando a credibilidade do ativo perante investidores institucionais e o mercado financeiro tradicional.
Antes da aprovação dos ETFs spot nos Estados Unidos, o acesso ao Bitcoin ainda era considerado complexo por muitos investidores tradicionais. A possibilidade de obter exposição ao ativo por meio de fundos negociados em bolsa ampliou significativamente o alcance do mercado, permitindo que investidores comprassem Bitcoin através de corretoras e plataformas já utilizadas por eles normalmente.
O impacto dos ETFs ficou evidente ao longo de 2024 e 2025, quando os fundos registraram bilhões de dólares em entradas líquidas e ajudaram a impulsionar o preço do Bitcoin para máximas históricas. Em outubro de 2025, a criptomoeda chegou a valer US$ 126 mil, impulsionada também por um contexto político como o tarifaço de Donald Trump e os conflitos globais.
Agora, com os fluxos significativamente menores em 2026, analistas observam que a dinâmica do mercado mudou. Embora a redução das entradas esteja pesando sobre a cotação no curto prazo, a Bernstein argumenta que a crescente diversificação da base de investidores fortalece a tese de longo prazo do Bitcoin como reserva de valor digital.
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